Distrito Federal é historicamente conhecido por ser a unidade da federação mais desigual, e as pesquisas e os dados confirmam isso. Ainda em sua construção, as discrepâncias já eram latentes: enquanto servidores públicos, militares, arquitetos e engenheiros tinham acesso a moradias dignas e estruturadas, as pessoas que vieram para construir a cidade viviam em acampamentos sem nenhuma infraestrutura ou em ocupações que logo foram expurgadas da área central.
Essa lógica de segregação não aconteceu por acidente, mas sim de forma intencional, criando um projeto de cidade que se perpetua até hoje.
Essas desigualdades provocam reflexos até hoje, seja na implementação de políticas públicas, infraestrutura ou até mesmo regularização fundiária, tudo para a periferia fica para depois. A escolha de para onde vai o investimento público vive em desequilíbrio há 66 anos, e o CEP determina a velocidade com que o Estado atende às demandas populacionais.
A lógica que se perpetua é a seguinte: garantir um transporte público digno e acessível? Pode ficar para depois. Construir hospitais? Pode ficar para depois. Reformar vias? Pode ficar para depois. Construir ciclovias? Pode ficar para depois. Regularizar ocupações? Pode ficar para depois. Primeiro, fazem melhorias nos bairros mais ricos; depois, caso sobrem recursos e tempo, realizam as melhorias nos territórios mais empobrecidos. E assim, fica parecendo que tudo se trata de privilégios e não de direitos.
É assustadora a falta de interesse das autoridades que compõem o GDF em resolver os problemas históricos e estruturais das periferias, mesmo com o crescimento populacional exponencial desses territórios.
Aparentemente, escolhem fortalecer ainda mais as desigualdades, que mais parecem espécies invasoras e perenes do Cerrado; que o GDF finge não ver, mas que estão invadindo cada vez mais espaços e criando raízes cada vez mais profundas. Essa omissão planejada impõe uma rotina de privações para gerações inteiras, em que o tempo de vida é desperdiçado à espera de serviços que aparentemente nunca vão chegar até elas.
A falta parece ser a norma. A ausência do Estado parece existir para continuar garantindo o poder nas mãos das elites brasilienses. Enquanto o “fica para depois” for a única resposta para as periferias, o Distrito Federal continuará sendo assombrado pela exclusão.
*Max Maciel é deputado distrital pelo Psol-DF.
**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato – DF.
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