Milton Alves

Ativista político e social. Autor dos livros ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada contra Lula e o PT’ (2019) e ‘A Saída é pela Esquerda’ (2020).

Lama da corrupção de Sergio Moro respinga na Rede Globo

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Ter se tornado ministro da Justiça de Jair Bolsonaro foi um dos fatos que levaram à conclusão de que Sergio Moro é suspeito para julgar Lula | Crédito: Evaristo Sá / AFP

Moro julgou e condenou dirigentes e executivos das empresas clientes da Alvarez & Marsal

O ex-juiz Sergio Moro (Podemos) sofreu um pesado revés político e de imagem com a revelação de seus ganhos astronômicos no escritório jurídico da estadunidense Alvarez & Marsal — que cuida da recuperação judicial de empresas envolvidas na ofensiva da então operação Lava Jato (2014-2019) contra a economia nacional.

Segundo o próprio Moro, durante 12 meses, ele amealhou o equivalente a R$ 3,7 milhões na Alvarez & Marsal. “Basicamente eram 45 mil dólares por mês. Longe de enriquecer”, afirmou em uma live com o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), líder do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que atua como tropa de choque de aluguel na pré-campanha de Sergio Moro à presidência da República.

O mega salário de Sergio Moro, R$ 10 mil reais por dia, materializa um escandaloso caso de “revolving door” (porta giratória), ou em bom português, o ex-juiz trocou de lado do balcão: Moro, que se projetou nacionalmente às custas da Lava Jato, agindo com métodos depois considerados ilegais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – considerado um juiz parcial pela suprema corte -, passou a atuar como consultor da Alvarez & Marsal, dispondo de informações privilegiadas e sigilosas da situação das empresas investigadas e criminalizadas pela operação.

Porta giratória e investigação do TCU

Ou seja, o mesmo Moro, que julgou e condenou dirigentes e executivos das empresas clientes da Alvarez & Marsal em processo de recuperação judicial, não teve dúvidas em atuar na consultoria, auferindo ganhos milionários. Vale lembrar que, durante a operação Lava Jato, o ex-juiz condenou diversas pessoas que atuavam como consultores de algumas empreiteiras.

Em dezembro de 2021, o Tribunal de Contas da União (TCU), por determinação do ministro Bruno Dantas, iniciou um processo de investigação sobre os valores pagos ao ex-juiz com as respectivas datas de repasses dos pagamentos e acerca do andamento dos processos de recuperação judicial das empresas atendidas pela Alvarez & Marsal.

Bruno Dantas determinou ainda que a corte produza um relatório de inteligência sobre as atividades do ex-juiz Sergio Moro na iniciativa privada, mas não autorizou uma espécie de devassa em suas contas por meio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O relatório também abrange a atuação da consultoria A & M no país.

A decisão do ministro do TCU provocou mais um abalo na imagem de Sergio Moro e, certamente, o caso vai prosseguir com novos desdobramentos nos próximos dias.

Rede Globo esconde escândalo de Moro

A Rede Globo impulsionou uma farsesca campanha a favor da Lava Jato, vendendo o “peixe podre” do combate à corrupção, que criminalizou empresas públicas e privadas, partidos e o conjunto do sistema político, foi a responsável, em grande medida, pela chegada ao comando do governo federal da extrema direita, com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 — após a ilegal proscrição política e a prisão por 580 dias do ex-presidente Lula.

A parcialidade do ex-juiz Sergio Moro e os crimes da força-tarefa da Lava Jato, que contou com a cumplicidade das emissoras da família Marinho, custaram ao país um dano incalculável, que está sendo cobrado na forma de milhões de desempregados, da volta da fome e da quebradeira de setores econômicos inteiros — construção civil pesada, indústria naval e a cadeia de petróleo e gás.

Ao insistir na farsa de Moro, agora na condição de candidato de uma pretensa 3ª via, a Rede Globo continua a sua cruzada criminosa contra a democracia e os direitos econômicos e sociais do povo brasileiro.

Resta saber se a Rede Globo vai ter a coragem de reconhecer os erros e proceder uma autocrítica, limpando os respingos da lama da corrupção de Moro, que atingem até a sede da emissora no Jardim Botânico.

Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Pedro Carrano
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