A Cidade é Nossa

O Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) é uma organização popular nacional que constrói a luta nas periferias das cidades grandes e médias do Brasil, promovendo a auto-organização da classe trabalhadora a partir de seus territórios de moradia: bairros, favelas e ocupações. O movimento atua na educação popular e construção da luta por direitos, com destaque para: direito à moradia, combate a todo tipo de violência contra as mulheres e ao racismo, direito ao trabalho, soberania alimentar, cultura e saúde. O MTD escreve mensalmente para o Brasil de Fato, na coluna “A Cidade é Nossa”.

Rumo à Cúpula dos Povos 2025: as soluções vêm dos territórios

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Comunidades percebem a ausência de políticas públicas que garantam a mínima condição de vida digna | Crédito: MTD – A Cidade é Nossa – Alagoas

Esses povos propõem soluções que já são praticadas desde períodos pré-colombianos pelas populações indígenas e multiplicadas pelos povos atualmente.

Com histórico de 25 anos, o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) se consolida como instrumento de organização e conquista nas quebradas brasileiras, do Rio Grande do Sul a Rondônia, somando nas pautas do direto à cidade,  moradia, saúde, cultura, meio ambiente, agroecologia urbana, assistência social e soberania alimentar.

Em 2025, teremos em Belém do Pará a COP 30, evento promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e o Governo Federal. Na ocasião, governos e empresários globalistas se reunirão para tratar de negociações ditas “climáticas” e posar de amigos do meio ambiente. Enquanto isso, loteiam áreas de proteção permanente e autorizam a extração de petróleo na foz do Rio Amazonas, além de autorizarem a privatização dos rios da Amazônia, com um novo ciclo de grandes projetos de infraestruturas, a implantação de hidrovias nos rios Madeira, Tocantis e Tapajós, beneficiando a expansão do capital e reproduzindo violências e violações de direitos humanos das populações que vivem e sobrevivem nos territórios.

Paralelo a esse teatro de greenwashing (maquiagem verde), a sociedade civil organizada, em conjunto com universidades, comunicadores populares, trabalhadores do campo e da cidade, comunidades tradicionais, povos indígenas, populações em situação de rua, pastorais sociais e dezenas de grupos socioambientais se reunirão para encabeçar e propor mesas redondas, tribunal penal humanitário, flotilha pela Rio Amazonas, caminhada pública pelo movimento ambientalista internacional e atos de denúncia dos crimes ambientais, muitas vezes silenciados pelas grandes mídias.

A Cúpula dos Povos, mobilização global por justiça climática e bem-viver, em processo autônomo que visa a fortalecer as lutas sociais, paralela à COP30, busca reunir e aglutinar forças sociais e populares para debater e construir coletivamente proposições desde os diversos territórios, com temas comuns, recuperando memórias ancestrais e históricas das lutas dos povos. Esses povos propõem soluções que já são praticadas desde períodos pré-colombianos pelas populações indígenas e multiplicadas pelos povos atualmente. Exemplos são a agroecologia, a economia popular, solidária e ancestral, os usos comuns, o respeito aos direitos da natureza e às guardiãs e guardiões das florestas e rios.

Na Cúpula, se oportunizará um ambiente plural e de escuta ativa dessas comunidades e povos, muitas vezes oprimidos pela “mão invisível” do Estado, sempre tão pesada nos territórios periféricos do Brasil. A Cúpula dos Povos tem o objetivo de dar voz e vez a esses povos sofridos, como o território Paraguassú, na Bahia, bombardeado com minas e portos pelo próprio Governo, ou as comunidades de Maceió que, por omissão do Estado, tiveram mais de 100 mil pessoas expulsas de seus lares, no maior crime socioambiental em área urbana do mundo na atualidade. Esse crime, aliás, aumenta a cada dia, seja pela proliferação do sururu branco, seja pelos distúrbios de múltiplas áreas atingidas pelo crime da Bra$kem.

O momento é de reorganização de nosso povo, pois o que é percebido nas comunidades é a ausência total de políticas públicas que garantam a mínima condição de vida para nossos irmãos e familiares. Temos que abominar a venda da vida como mercadoria ou royalties de seus créditos de carbono fictícios. Nosso povo ancestral já sabia que postar água é alimento, é a solução baseada na natureza, agroecologia, casa e saúde para o nosso povo. Há muito já é sabido que nossa sanidade mental está atrelada a nossas condições de moradia e hábitos alimentares.

A Cúpula dos Povos realizará os seus debates a partir de seis eixos: territórios e maretórios vivos, soberania popular e alimentar; reparação histórica, combate ao racismo ambiental, às falsas soluções e ao poder corporativo; transição justa, popular e inclusiva; contra as opressões, pela democracia e pelo internacionalismo dos povos; cidades justas e periferias urbanas vivas; feminismo popular e resistências das mulheres nos territórios.

A delegação do MTD, representando vários estados, está pronta para contribuir com sua militância e compromisso com a luta por direitos e políticas públicas, em sintonia e parceria com outros movimentos sociais e populares e acreditando sempre que as soluções sempre partem desde os territórios populares e ancestrais.

*Alonso Calheiros (Alagoas) e Emanuel Meirelles (Rondônia) são militantes do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD).

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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