Há 20 anos, o Levante Popular da Juventude foi gestado no solo fértil das lutas e dos sonhos dos povos do Sul do Brasil, inspirados pela bravura de Sepé Tiaraju. Essa iniciativa partiu da necessidade de desenvolver na esquerda brasileira um movimento social construído por um dos setores mais impactados pelas mazelas do sistema capitalista: a juventude da classe trabalhadora, majoritariamente localizada nos grandes centros urbanos.
A primeira experiência foi desenvolvida em 2006 nas periferias do Rio Grande do Sul, com a participação da juventude que também ocupava universidades e de organizações ligadas a Via Campesina. Completamos duas décadas dessa primeira experiência exitosa que, em 2012, há 14 anos, nacionalizou o Levante Popular da Juventude.
Já no começo da nossa vida nacional colocamos ação política como centralidade da organização: realizamos escrachos aos torturadores da ditadura militar, denunciando impunidade e exigindo Memória, Verdade e Justiça simultaneamente em diversos estados do país. Essa ação materializou a ideia de que não existe luta política sem ousadia, nem transformação social sem coragem. De lá para cá, escrachamos Eduardo Cunha, Jair Bolsonaro, a empresa Prevent Sênior — responsável pela morte de muitas pessoas durante a pandemia da Covid-19 — e o torturador de Rubens Paiva, inspirados pelo filme Ainda Estou Aqui.
Se olharmos para a história da luta de classes, veremos que a juventude sempre esteve na linha de frente das grandes transformações sociais atuando como força motriz das rupturas necessárias. Formar consciência crítica, desnudar os inimigos da classe trabalhadora e enfrentar as estruturas de opressão racial e patriarcal não são tarefas acessórias, mas fundamentos da prática política cotidiana do Levante Popular da Juventude. É nesse processo permanente de formação, organização e luta que a juventude se reconhece como sujeito histórico, capaz de transformar indignação em projeto político e rebeldia em ação coletiva.
Na conjuntura atual, marcada pelo avanço da extrema direita, pela naturalização do ódio e pela tentativa permanente de esvaziar a política como espaço de transformação, a juventude cumpre papel fundamental na disputa das ideias e da sociedade. Tensionamos o presente, disputamos corações e mentes nas redes e ruas, escolas, periferias e nos locais de trabalho, enfrentando a ofensiva conservadora com organização, solidariedade e projeto político. Queremos construir uma nova realidade com mais direitos e dignidade. Queremos protagonizar a disputa ideológica, desmascarando as falsas soluções autoritárias e reafirmando valores como justiça social, solidariedade e igualdade.
Queremos também ampliar nossa participação política, ocupando espaços institucionais sem renunciar à luta popular, para que nossas vozes não sejam apenas resistência, mas também poder. Nada disso se sustenta sem um profundo investimento na formação da consciência crítica, capaz de conectar as opressões vividas no cotidiano às estruturas do capitalismo, do racismo e do patriarcado. É nesse processo que a juventude deixa de ser apenas alvo da crise e se afirma como sujeito histórico da transformação social.
Desta quinta-feira (5) até domingo (8), estamos reunidos em um acampamento estadual no Rio Grande do Sul com mil jovens e com a participação de 100 militantes de todo país. Esse encontro celebra duas décadas de Levante com a certeza de que nossa história está apenas começando. Seguiremos nas ruas, nas periferias, nas universidades, nos campos e nas favelas organizando a rebeldia! Nosso sonho não envelhece, se multiplica!
*Ana Keil, Camila Moraes, Daiane Araújo, Julia Aguiar, Loyane Lô e Marta Gomes são militantes do Levante Popular da Juventude e do Movimento Brasil Popular.
** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

