Por Rachel Guimarães
Você sabia que o Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo? E esse é o comecinho da conversa que precisamos ter sobre esse sistema de saúde único.
Com a responsabilidade de cuidar de mais de 215 milhões de brasileiros, o SUS não só oferece atendimento médico e hospitalar, mas também serviços de prevenção e promoção da saúde em todo o território brasileiro.
Este sistema é um verdadeiro marco da cidadania! A Saúde passa a ser vista como uma política social estruturante da democracia brasileira.
O SUS passa a existir com a responsabilidade de garantir o direito à saúde para todos, independentemente de cor, raça ou classe social, fundamental para reduzir desigualdades históricas, o que não acontecia antes na história do país.
Antes do SUS, o acesso à saúde era um privilégio de poucos. Só quem poderia pagar ou tinha carteira assinada tinha acesso a serviços médicos. Aqueles que participaram desses grupos frequentemente dependiam de ações filantrópicas para cuidados básicos. A luta pela saúde como direito veio com a reforma sanitária brasileira e traz a dinâmica de uma ideia de um sistema de saúde universal, integral e equânime. A Constituição de 1988 e as leis 8080/90 e 8142/90 solidificaram essas conquistas, criando um arcabouço político para a sua implementação.
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Com mais de 3 milhões de trabalhadores, dos quais mais de 2 milhões são mulheres, o SUS é também uma importante fonte de emprego e dignidade para a população. A região Sudeste concentra a maior parte desses profissionais, especialmente em São Paulo, que conta com mais de 700 mil trabalhadores na área da saúde. Por outro lado, na região Norte, o número é alarmantemente baixo, como em Roraima, que possui apenas 12 mil trabalhadores.
Os serviços de saúde são integrados, com a Atenção Primária como porta de entrada, onde os pacientes são encaminhados para outros níveis de atenção de acordo com suas necessidades. No entanto, é crucial considerar os desafios acumulados ao longo dos seus 34 anos de existência.
O SUS é cronicamente subfinanciado, enfrentando problemas de gestão graves e com algum grau de desconfiança e descrédito por parte da população formadora de uma opinião pública.
Covid-19
A pandemia de Covid-19 destacou ainda mais a relevância do SUS. Muitas pessoas passaram a valorizar sua importância e a preocupação com a dedicação de seus trabalhadores. Durante as coletivas diárias do então ministro Luiz Mandetta, as pessoas foram para as janelas gritar: “Viva o SUS!”.
Este momento emblemático evidenciou a força de um sistema que, apesar dos desafios e do sucateamento em prol de interesses privados, permanece como um símbolo de inclusão. Vale destacar que as vacinas foram disponibilizadas somente para o SUS como uma condição de acesso igualitário para toda população brasileira.
Conquista do povo brasileiro
O SUS se faz presente em todos os aspectos da nossa vida, desde o atendimento em emergências até os serviços de saúde básicos que utilizamos diariamente. Porém, precisamos falar mais sobre ele, pois sua realidade varia de região para região. A falta de médicos, leitos e insumos em áreas remotas ainda é uma barreira significativa para o acesso pleno aos serviços.
Falar sobre o SUS fortalece o diálogo, promove a divulgação mais rica em espaços públicos e estimula a participação social. Em tempos de crise, é vital que cada um de nós floresça o entendimento sobre algo que impacta diretamente nossas vidas e exerça uma consciência sanitária ativa, isso inclui nosso voto, nossa dedicação e nossa luta.
O SUS é, sem dúvida, uma conquista do povo brasileiro.
Ele não é uma mercadoria e não está à venda! Precisamos de espaços de construção de diálogo ativo sobre sua importância e sobre as melhorias necessárias para que ele alcance seu pleno potencial.
Vamos falar mais sobre o SUS para que ele possa continuar sendo uma referência de saúde e um legado de igualdade para todos as pessoas no Brasil.
Rachel Guimarães é fisioterapeuta sanitarista, especialista em Administração Pública e Doutoranda em Saúde Coletiva no Instituto de Medicina Social/UERJ.
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Este é um artigo de opinião, a visão da autora não expressa necessariamente a linha editorial do Brasil de Fato.
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