Hoje completam-se sete anos desde o assassinato de Marielle Franco. Muita coisa mudou desde 14 de março de 2018: sobrevivemos a um governo fascista e a uma pandemia, vimos o Brasil voltar a sonhar com a eleição do presidente Lula, vemos guerras e massacres ressurgindo na geopolítica mundial, testemunhamos Trump sair e retornar à presidência dos EUA. Vimos, inclusive, os assassinos de Marielle serem presos e os mandantes desse crime brutal serem revelados e também presos.
Quando pedimos justiça por Marielle, pedimos a prisão de assassinos e mandantes, mas mais que isso: queremos o fim da violência política de gênero e de raça que vitimou Marielle e que continua vitimando outras mulheres que ousam fazer política. Queremos o fim dessa relação obscura entre Estado e milícias que impediu por anos que o caso Marielle fosse investigado. Queremos que as mulheres que optam pelo caminho de fazer política nesse país não tenham medo de ser interrompidas como foi Marielle.
Nesses sete anos vimos as sementes de Marielle se multiplicarem. Vimos muitas mulheres ocupando cargos e fazendo a luta institucional. O dia 14 de março foi instituído como o Dia Nacional Marielle Franco de Enfrentamento à Violência Política de Gênero e Raça, uma forma honrar a memória dela e combater esse tipo de violência. Nada vai trazer Marielle de volta, mas seu legado segue inspirando outras mulheres e a luta por um Brasil livre do machismo e do racismo.
Mas, ainda assim, temos muitos desafios para fazer com que a política não seja um espaço de violência. Mais de 60% das prefeitas e vices afirmam já ter sofrido algum tipo de violência política de gênero, segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM). A violência política contra mulheres inclusive aumentou nos períodos eleitorais entre 2020 e 2024, segundo a Pesquisa De Olho nas Urnas, que registrou 104 ocorrências em 2024 contra 94 ocorrências em 2020.
No ano passado tivemos o desfecho de um caso de violência contra mim e outras mulheres parlamentares. Eu e várias outras recebemos emails com ofensas machistas, racistas e ameaças de estupro corretivo. Depois de denunciarmos, o caso começou a ser investigado e um homem de Olinda foi preso por fazer ameaças e incitar o ódio em fóruns virtuais. Quando denunciamos a gravidade deste caso é para que os responsáveis por esses crimes sejam identificados e punidos.
É impossível não relacionar esses dados com o momento atual do mundo. No Brasil, ter um governo de esquerda é um avanço, mas vemos que o país está na contramão do mundo, onde governos de extrema-direita têm atacado os direitos das mulheres. No 8M fomos às ruas marchar contra o avanço da extrema-direita e do capital, que exploram e violentam os nossos corpos ao mesmo tempo em que retiram nossos direitos. Neste mês de março, sempre marcado pela luta das mulheres, seguiremos em luta para que nossa existência não seja ameaçada pela violência.
Nós, mulheres, estamos desde sempre na vanguarda da luta contra o fascismo. Aqui, estamos em alerta desde o atos #EleNão, em 2018. Estivemos na resistência contra o desgoverno Bolsonaro e seguimos atentas e mobilizadas contra essa nova ascensão do fascismo, que é um perigo não só para as mulheres, mas para toda a humanidade. Seguiremos na luta para construir um outro mundo possível para as meninas e mulheres!