Acordamos no último sábado, 16 de maio, consternados com a notícia do falecimento de Wellington Rainho, grande camarada de lutas.
Antes de ser um militante antimanicomial, Wellington foi um militante socialista. Ele militou na Convergência Socialista no PT, foi fundador do PSTU e, depois, do Psol – e esteve em inúmeros outros campos de batalha, como o sindical. Também desempenhou papéis fundamentais na Luta Antimanicomial do Distrito Federal, dos quais menciono a Inverso, Centro de Convivência em Saúde Mental, Arte e Cultura, tendo sido seu Diretor e Conselheiro.
Melhor dizendo, não houve um “antes” socialista e um “depois” antimanicomial. A trajetória de Wellington nos permite concluir que ele, na sua totalidade, foi tudo isso junto. Não houve dissociação das lutas socialista e antimanicomial.
Ele sabia muito bem que uma sociedade sem manicômios será socialista e que o socialismo será antimanicomial ou não será – corrigindo inclusive os erros e contradições daqueles e daquelas que ousaram ser socialistas sem romper com os manicômios. Para Wellington, a superação dos manicômios implica a superação do modo de produção capitalista que os forja e se aproveita deles para se consolidar e reproduzir, sendo, portanto, ele próprio manicomial.
Nosso grande camarada, poeta, era a materialização da máxima de que a revolução trará ao povo, não só direito ao pão, mas também à poesia. Na verdade, Wellington era o aprimoramento dela: para a revolução, precisamos de poesia. Não há processo revolucionário sem poesia.
Por fim, outro ensinamento valoroso que aprendi com o camarada, e que agora me arrependo profundamente por não ter externado a ele em vida, é que a luta se faz também com carinho e gentileza, sobretudo entre nós.
De voz calma, cadência tranquila e sempre generoso, Wellington Rainho deixa um legado de luta, de firmeza ideológica e política, de intransigência com qualquer forma de exploração, de opressão e violência – especialmente as manicomiais -, mas que não prescinde da ternura.
Com isso tudo, vamos para o dia 18 de maio, Dia da Luta Antimanicomial, tristes, mas com ainda maior senso de importância. Essa data, aliás, passa a trazer consigo relevância e sentido adicionais no Distrito Federal: honrar o legado de lutas de Wellington.
Ao mestre, com carinho…
Termino com uma de suas últimas poesias, publicada em sua página pessoal no Instagram, para que Wellington fale por si – e continue a falar e ser escutado, de maneira calma, terna, mas firme:
A partir de agora,
do nada o tempo,
se torna mais intimo.
Puxando assuntos,
e nossas lembranças,
sem nenhuma cerimônia.
E a gente acostuma,
com a presença da falta,
na intensidade do amor.
O dia seguinte,
é o “re-começo”,
das lentas diferenças. – Wellington Rainho
Wellington, PRESENTE!
Por uma sociedade sem manicômios!
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