Alguém sabe hoje, início de abril de 2025, quem vai ser o campeão do Brasileirão? Ou como irão, os três times gaúchos que estão na série A, Grêmio, Inter e Juventude, apesar dos bons resultados no final de semana, na primeira rodada do campeonato? Campeões? Na Libertadores/2026? Rebaixados? Nem os melhores analistas ou comentaristas esportivos são capazes de ‘cravar’ agora a classificação final do campeonato.
Eu não sei, nem arrisco fazer qualquer aposta esportiva. O campeonato é longo, imprevisível, com uma Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cheia de lances estranhos, para não dizer suspeitos, de técnicos ruins, o futebol brasileiro em baixa, os melhores jogadores no exterior, os jogadores ganhando fortunas, muitas vezes parecendo jogar por mera obrigação profissional, e não para dar o melhor de si e ganhar as partidas.
Depois de ter sido candidato seis vezes – na primeira eleição do PT, em 1982, o candidato a deputado estadual mais votado e não eleito por falta de quociente eleitoral mínimo do partido, eleito deputado estadual constituinte gaúcho em 1986, primeira e única vez, candidato de novo em 1990, 1994, 1998, 2002 -, tendo sido, como dirigente partidário, coordenador geral da campanha Lula-Bisol no Rio Grande do Sul em 1989, de Haddad-Manuela em 2018, coordenador de outras tantas campanhas ao longo do tempo, nunca fui capaz de saber, ou arriscar, quais os resultados finais ou o que iria acontecer há mais de um ano de cada uma das eleições em que participei como candidato ou dirigente-coordenador.
1989, por exemplo. Quem diria que Lula quase não iria ao segundo turno, com menos de 10% no primeiro turno no Rio Grande do Sul, mais de 60% no segundo turno, a partir do apoio de Brizola, só não sendo vitorioso por causa das elites anti-democráticas brasileiras e do apoio da Rede Globo a Fernando Collor? Assim, ou parecido, foram tantas e tantas outras eleições. Umas pareciam perdidas, e a vitória aconteceu, como a de 1988 em Porto Alegre, com Olívio Dutra-Tarso Genro. Outras tantas, vitória na mão, aconteceu o desastre e a derrota imprevisíveis um ano, meses ou até semanas antes. Quantas eleições foram ganhas/perdidas na última semana de campanha, à luz de acontecimentos não previstos, denúncias, manobras das elites, etc.!
Por isso, pesquisas eleitorais em 2025, a mais de um ano das eleições do final de 2026, são, no máximo, uma referência. Não dizem nada ou quase nada, sobre o resultado final. Normalmente, há muitos interesses político-eleitorais atrás de quem as faz ou paga. Querem distrair os pouco atentos. Buscam desviar as atenções, tirar o foco do que realmente interessa, entre outras mil outras razões. Cuidado, portanto, todo cuidado do mundo com pesquisas eleitorais agora e em todo 2025.
Por isso e mil coisas mais, (não) acredito em pesquisas eleitorais nesta altura do campeonato eleitoral, que, aliás, nem começou a ser jogado. Quem serão os jogadores em 2026, ou os candidatos? Alguém sabe, com os julgamentos do golpe em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF)? Quais serão as alianças eleitorais? Qual vai ser o cenário político nacional e, especialmente, o quadro internacional no final de 2026? Hoje, ninguém sabe, com as guerras em andamento, com a crise climática, com a economia mundial mais do que complicada, especialmente a partir do governo Trump e suas propostas absurdas como as desta semana, com os processos políticos, econômicos, sociais, culturais em aberto e em curso no Brasil e no mundo.
Quando muito, e olhe lá!, as pesquisas, especialmente as eleitorais, publicadas a cada semana, podem servir de pequena referência, com pouca ou nenhuma credibilidade neste momento e conjuntura. É preciso esperar, ainda que seja preciso, sim, estar atento e forte, como diz a canção. Não é hora e tempo de se deixar iludir, ou ir atrás do canto da sereia sem futuro e sem credibilidade
As tarefas de 2025, e nesta altura do campeonato, que está mal começando, como acontece com o Brasileirão de futebol, são outras, em vez de ficar preocupado com as eleições de 2026. É preciso voltar-se aos territórios e às comunidades com muito trabalho de base. É fundamental, agora, a formação na ação: freireanamente, formar e agir, agir e formar, por exemplo, nas Cozinhas Comunitárias e Solidárias. É decisivo agora estar presente na construção das políticas públicas com ampla participação social e popular, como as de segurança alimentar e nutricional, de economia solidária, de agroecologia, na PNEPS-SUS, Política nacional de Educação Popular em Saúde, das Juventudes, das Mulheres, da população negra, a (re)construção dos Conselhos e Conferências, do Meio Ambiente, da população LGBTQUIA+, dos indígenas, dos Direitos Humanos, e a urgência de reformas como a reforma agrária.
Estes são os desafios de 2025, estas são as verdadeiras pesquisas a serem feitas a favor da soberania popular, da paz e da democracia a mais de um ano e meio da eleição de 2026.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

