Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); Participante da Ciranda pelo CEAAL Brasil, CAMP e Articula PNEPS-SUS.

Bons e maus ventos ao mesmo tempo

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Povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, camponeses e outros grupos constroem a Cúpula dos Povos.
Povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, camponeses e outros grupos constroem a Cúpula dos Povos. | Crédito: Juliana Duarte

Sinais dos tempos no ano da graça de 2025 do século 21, envolvendo a humanidade e o planeta. Onde vamos parar?

Nunca se falou tanto de preservação da natureza, de crise climática, de cuidado com a Casa Comum como nestes dias da COP30 em Belém, Pará, no coração da Amazônia, décadas depois da ECO 92. A presença, em especial, dos povos e comunidades indígenas na COP30, com suas palavras, suas danças, seu olhar de vida, suas bênçãos, traz para o coração o ESPERANÇAR freireano e a sociedade do Bem Viver. Bons ventos, sem dúvida, em tempos históricos.

Ao mesmo tempo, nunca se falou e conviveu tanto com tragédias climáticas, mortes e destruição como aconteceu em Rio Bonito do Iguaçu, dias atrás, e muitas outras cidades Brasil afora. Sem esquecer tudo que aconteceu nos últimos anos, especialmente no Rio Grande do Sul, mas também em outros pontos do Brasil e do mundo. Maus ventos soprando, sem dúvida.

Sinais dos tempos no ano da graça de 2025 do século 21, envolvendo a humanidade e o planeta. Onde vamos parar? Alguém sabe? Eu, mesmo tentando acompanhar todos os fatos diariamente, não sei.

Algumas vezes não fico triste por já ter 74 anos. Não verei, na idade em que estou, nem tenho como saber, portanto, como estará o mundo daqui a algumas décadas: se ainda será possível viver e sobreviver nos anos 2050, se ainda haverá matas e verde para admirar, ou se estará tudo poluído, sem ar para respirar, sem água limpa para beber, e tudo mais. 

A luta hoje, novembro de 2025, é pela vida e pelo futuro de quem ainda vai viver mais 20, 30, 50 anos ou muitos mais com saúde, com água limpa, com natureza e meio ambiente em festa.

Mais uma vez, como aconteceu anos atrás, quando a fome voltou ao Brasil e quando os desastres climáticos de 2024 levaram a dor e o sofrimento a muitas comunidades, a solidariedade faz-se presente: o MST, por exemplo, está atuando em Rio Bonito do Iguaçu, as pessoas, de tudo que é lugar, arrecadando alimentos e vendo formas de apoio. Os bons ventos, apesar de tudo e no meio de tudo, estão, pois, soprando a todo vapor e com toda força, com fé e coragem.

O Brasil está no centro do mundo nestes tempos e altura do campeonato, para nosso orgulho, Lula de novo afirmado como liderança mundial. Bons ventos estão soprando em meio a todos os ciclones e tempestades de todos os tipos. A COP30 acontecendo neste exato momento da história no Brasil, e na Amazônia, tem um sentido profético. É esperançar a lembrar Paulo Freire. Não é esperar, mas fazer a esperança tornar-se realidade, sem deixar de ser utopia.

Tudo depende, pois, de construir uma ampla unidade popular, de propor um projeto estratégico de sociedade e desenvolvimento ambientalmente sustentável, agroecológico para o Brasil, de estimular, com permanente Formação na Ação e participação popular, a utopia de uma Sociedade do Bem Viver.

Estamos vivos. A COP30, a solidariedade vivida, o cuidado com a Casa Comum abrem janelas e oportunidades, tornam presente, visível e concreto ‘um outro mundo possível’, cada vez mais urgente e necessário. 

Não tá morto quem peleia, como se diz em terras gaúchas, ninguém soltando a mão de ninguém. É o que se precisa nestes tempos, e sempre. 

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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