Os tempos exigem luz. Os tempos exigem ação. É o que faz a Campanha da Fraternidade desde os anos 1960, quando começou, em plena ditadura militar, sob as bênçãos de Dom Helder Câmara. E continuará fazendo em 2026, com o tema FRATERNIDADE E MORADIA, ‘Ele veio morar entre nós’ (João 1, 14).
A CF/2026 tem como tema FRATERNIDADE E MORADIA, sempre no método Ver-iluminar, Julgar, Agir, desde 1964. Vejamos o que diz no Julgar-iluminar e propõe no Agir.
Diz o texto-base em ‘Julgar-iluminar’: “Assim, na Bíblia, o direito à moradia incluía também a garantia de viver com dignidade, no espaço onde era possível estabelecer vínculos, relações, e sobreviver economicamente por meio do trabalho. Assim, essas formas de se apoderar da moradia do outro são um desrespeito à dignidade do ser humano, ao seu direito, e um pecado estrutural, sobretudo quando estão envolvidos grandes proprietários de terra, juízes e o próprio rei ou dirigente de um determinado local” (texto-base, p. 57).
Mais. “Jesus encontrará lugar entre os sem-lugar, entre os rejeitados e sem-casa. Estará junto daqueles que foram abandonados às margens do caminho em virtude de suas diferenças – pobreza, deficiência, doenças, exclusão – e sua vida será dedicada a reintegrá-los, não à mesma sociedade excludente, mas a uma sociedade renovada por sua Palavra e compaixão” (texto-base, p. 61).
Quais são os princípios, partindo da dignidade fundamental da pessoa humana, que orientam a reflexão e ação da Igreja frente aos problemas e desafios da sociedade? Segundo o Texto-Base da CF/26, p. 69 e ss., são: “a) Bem comum. B) Destino universal dos bens. C) Ecologia integral. D) Opção preferencial pelos pobres.”
Mais ainda, no Julgar-iluminar. “Um capítulo muito importante do magistério social do Papa Francisco diz respeito à relação da Igreja com os movimentos populares. Francisco participou de cinco encontros internacionais com os movimentos populares para tratar dos grandes problemas da sociedade e dos caminhos e das alternativas para enfrentamento desses problemas. Francisco falou dos movimentos populares como ‘poetas sociais’ e como uma bênção para a humanidade. E insistiu que ‘Terra, Casa e Trabalho’ são direitos sagrados” (texto-base, pp. 73 e 74.)
Assim, “a importância dos movimentos populares só pode ser compreendida no contexto mais amplo do magistério social do Papa Francisco: 1. Seja no que diz respeito à crítica radical ao sistema dominante e à necessidade de mudança estrutural da sociedade. 2. Seja no tocante ao lugar social de compreensão e transformação da sociedade: ‘a partir de baixo’, das ‘periferias do mundo’. 3. Seja no que se refere ao caráter processual da transformação da sociedade. 4. Seja no que se refere ao protagonismo dos pobres e dos movimentos populares nos processos de mudança da sociedade” (texto-base, p. 74).
Não é suficiente, no entanto, Ver e Julgar-iluminar. É preciso também Agir. Diz o texto-base (p. 77 e ss): “Aqui nos propomos agir em diversos âmbitos. Assim, podemos falar em agir pessoal e educativo, agir comunitário e sociopolítico, agir eclesial profético, agir divino, agir dos pobres, concreto, agir profético.” Uma das prioridades é criar a Pastoral da Moradia e da Favela.
Disse o Papa Francisco, em fala aos sem-teto (texto-base, p. 88): “Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência da habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos.”
Conclama a Campanha da Fraternidade/2026: “Sem verdadeiro envolvimento de todos na organização, formação e divulgação, não há CF.” “Para isso, é necessário muita união e mobilização. É necessário, sim, unificar a luta pela moradia com todas as entidades, setores e partidos que estão na defesa dos interesses das-os trabalhadoras-es” (Selvino Heck, deputado estadual constituinte, em ‘Moradia: um Direito de todos‘, Assembleia Legislativa, 1990, p. 10).
Ou seja, ontem, hoje e amanhã, estão todas e todos chamados a cuidar da Casa Comum, ainda mais em tempos de grave crise climática, depois da COP 30, construindo uma Economia Popular e Solidária, garantindo direitos, saúde, educação, dignidade.
Não há tempo a perder. ‘Um outro mundo possível’, cada vez mais urgente e necessário, está nas mãos e no coração de quem sonha, de quem acredita em valores humanos solidários, de quem quer construir uma Sociedade do Bem Viver.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

