“Caminhando e cantando e seguindo a canção,
somos todos iguais braços dados ou não.
Nas escolas, nas ruas, campos, construções,
caminhando e cantando e seguindo a canção.
Vem, vamos embora que esperar não é saber.
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”
‘Caminhando e Cantando’, Geraldo Vandré, 1968
2026 será, por muitas razões e motivos, um ano histórico, mais do que especial. E não porque chegarei nos simbólicos 75 bem vividos. O primeiro artigo-coluna de 2026 já estava sendo escrito, o título conscientemente escolhido, com sentimento de paz e esperança, na abertura o hino revolucionário de Vandré, que cantávamos doidamente na Pastoral da Juventude, no movimento estudantil, nos anos 1970, dando sua bênção e sendo luz em tempos de ditadura militar.
Mas estourou, na madrugada-manhã de sábado, dia 3 de janeiro de 2026, a notícia bombástica: o sempre império Estados Unidos (EUA) invadiu a Venezuela, sequestrou o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, levando-os à força para outro país, com muitas mortes e estragos no ataque imperialista.
O que fazer? Mudar o tema e o título do artigo-coluna da semana, que sinalizava 2026 como ano da esperança? Ou acrescentar uma interrogação em forma de ‘?’, sem mudar o sentido original da reflexão?
Mudou para muito pior o cenário internacional. Nunca se viu nada igual no continente latino-americano e caribenho, em especial na América do Sul, mesmo com todos os apoios americanos ao longo do tempo às ditaduras e aos golpes militares que destroçaram a democracia e violaram a soberania de países e povos. As ameaças à paz e à democracia aumentaram muito no início de 2026, sem se saber o que vai ser da América do Sul e do mundo. O império atacou mais uma vez, com violência desmedida.
O que eram sinais de esperança na virada do ano tornou-se incerteza, dúvida, preocupação, medo. Como será 2026? O que acontecerá com a humanidade, em tempos de guerras, de crise climática, de mortes e feminicídios, de violência espalhada mundo afora?
No Brasil, 2026 será marcado pelas eleições, em especial, a presidencial. Será um ano de pensar e agir juntando ética e política, mística e política. Será ano de pensar o futuro, com um projeto nacional democrático-popular em construção, na utopia de uma Sociedade do Bem Viver. 2026 é ano de atuar na base popular, de fazer Formação na Ação nas comunidades, nas periferias junto com movimentos sociais e populares, Pastorais, movimentos sociais, ONGs e todas as sonhadores e sonhadores da esperança e do futuro.
2026 vai ser ano de consolidação das políticas públicas com participação popular, como a Política nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS), com a vigência plena do Marco de Referência da Educação Popular para as Políticas Públicas, Com Conferências e Conselhos de Participação social funcionando a mil. E de 24 a 26 de abril acontecerá o 13º Encontro nacional do Movimento Fé e Política em São Bernardo do Campo (SP) com o tema FORTALECER A DEMOCRACIA, O ESPERANÇAR E O BEM VIVER, com milhares de participantes de todo Brasil.
Portanto, 2026, mesmo com os trágicos e imprevisíveis dos últimos dias, poderá, e deverá, ser um ano de luta, um ano de defender a paz, a soberania, a democracia, um ano de ESPERANÇAR.
2026 será, e precisa ser, ano de cantar, com toda força da voz e do coração, abraçadas/abraçados, ninguém soltando a mão de ninguém, o hino de Geraldo Vandré, nas ruas, nas comunidades, em todos os lugares.
“Nas escolas, nas ruas, campos, construções,
somos todos soldados, armados ou não.
Caminhando e cantando e seguindo a canção,
somos todos iguais, braços dados ou não.
Os amores na mente, as flores no chão,
a certeza na frente, a história na mão,
caminhando e cantando e seguindo a canção,
aprendendo e ensinando uma nova lição.
Vem, vamos embora que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”
Como diria e diz Paulo Freire em 2026, que teve que fugir da ditadura brasileira para o Chile de Salvador Allende, e que, depois do pinochetaço, foi obrigado a fugir de novo, desta vez para o mundo: é na rua, na rua, com o povo consciente e organizado, lutando por paz, soberania, e democracia: ESPERANÇAR.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

