Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); Participante da Ciranda pelo CEAAL Brasil, CAMP e Articula PNEPS-SUS.

FSM, Fórum Social Mundial, 25 anos: ‘Um outro mundo possível’

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12ª edição do Fórum Social Mundial é realizada em Montreal, Canadá
12ª edição do Fórum Social Mundial é realizada em Montreal, Canadá | Crédito: 12ª edição do Fórum Social Mundial é realizada em Montreal, Canadá

2026 será o ano do movimento, de estar na rua

“Nada como iniciar um século e um milênio discutindo o futuro da humanidade. É o que vai acontecer entre 25 e 30 de janeiro em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial, com o tema-título ‘Um outro mundo é possível’. Milhares de lutadoras-es sociais, pensadoras-es, cientistas sociais e políticos participarão de uma infinidade de Mesas e debates, Seminários, Oficinas, Caminhadas, acontecimentos culturais, num congraçamento sócio-político-cultural de todas e todos as e os que querem a mudança que não se vê nem acontece há décadas.

A década de noventa parecia ter um pensamento único: as leis de mercado como valor absoluto, o Estado mínimo, a competição global, a desregulamentação de tudo. Mas não trouxe a salvação da humanidade. Ao contrário. Aumentou a desigualdade social, o mundo tornou-se um cassino financeiro, cresceu a violência, os recursos naturais são devorados como mercadorias eternamente renováveis, o consumismo mercadejou os sentimentos, o corpo, as relações, os valores, a humanidade ficou mais infeliz.

Mas o neoliberalismo não conseguiu destruir o sonho e a utopia de homens e mulheres que se sonham iguais, solidárias-os, capazes de construir uma economia com valores de partilha, de distribuição, um Estado cidadão controlado pela participação popular e uma sociedade onde os indivíduos são valorizados e reconhecidos como pessoas humanas que sabem conviver e repartir” (Selvino Heck, em ‘Um Fórum para a história’, janeiro/2001).

“É sonho e utopia, sim. Como diz Eduardo Galeano, autor de As veias abertas da América Latina, um livro que fez a cabeça de muita gente nos anos 70 e 80 (em tradução livre, feita por mim, Selvino): ‘Dos dedos nasce a coragem; e das dúvidas, as certezas. Os sonhos anunciam outra realidade possível e os delírios, outra razão. Ao fim e ao cabo, somos o que fazemos para mudar o que somos’ (Selvino Heck, em ‘Um outro mundo é possível’, janeiro/2001).

Passaram-se 25 anos da realização do primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre, a capital e cidade do OP, Orçamento Participativo. Que dizer hoje, 2026? O ‘outro mundo possível’ aconteceu? Ou ainda pode acontecer?

Mauri Cruz, um dos principais construtores dos 25 anos do FSM, do CAMP, Centro de Assessoria Multiprofissional, membro do Coletivo Brasileiro do FSM e do Conselho Internacional do FSM, disse em ´25 anos do FSM: militantes reforçam solidariedade internacional e defesa da democracia em Porto Alegre´ (Brasil de Fato RS, 26.01.26), diz: “A defesa de ´um outro mundo possível´ continua urgente diante dos desafios contemporâneos. Ou a gente se reúne, se unifica em prol de um projeto comum, ou a humanidade não tem saída. É essa a utopia do outro mundo possível. Outro mundo possível, urgente e necessário. É muito bom Porto Alegre fazer parte dessa história.”

Um outro mundo possível é hoje, mais que nunca, urgente e necessário. As guerras estão presentes em todos os continentes, a violência está no cotidiano, especialmente os feminicídios, a crise climática está, e cada vez com consequências piores, em todo mundo, a soberania e a democracia estão em risco permanente.

A luta continua, portanto. O sonho ainda existe. A construção de uma Sociedade do Bem Viver é fundamental. 2026 é um ano chave. Acontecem as Conferências das Cidades, das Mulheres, de Economia Solidária, de Igualdade Racial, de Meio Ambiente e Mudança do Clima, de Mulheres Indígenas, de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, e começa a Conferência da Saúde. No final de março, em Porto Alegre, haverá a Conferência Antifascista. No final de abril, em São Bernardo do Campo, será realizado o 13º Encontro Nacional Fé e Política. E em outubro haverá as eleições, com especial destaque para a eleição para presidente da República.

Este é, portanto, um ano decisivo, nos 25 anos do Fórum Social Mundial. O que espera lutadoras e lutadores, sonhadoras e sonhadores é participar de todos estes, e muitos outros, eventos, ter presença ativa, discutir um projeto de desenvolvimento com igualdade e um projeto estratégico de sociedade. E eleger representantes do campo democrático-popular em outubro, especialmente o Presidente da República. 2026 será o ano do movimento, de estar na rua. E de fazer trabalho de base, Formação na Ação, com ampla mobilização social. Assim, será construído, com solidariedade e unidade, o outro mundo possível, urgente e necessário.    

Na boa luta, em 2026, com fé e coragem, ESPERANÇAR.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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