Nunca vivemos tempos tão difíceis quanto os que estamos passando e vivendo.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, 1568 mulheres foram assassinadas no Brasil. E o mais revoltante: o Rio Grande do Sul lidera o ranking da região Sul, com 444 mulheres mortas entre 2021 e 2025. Outra manchete e notícia: “Comissão de Cidadania e Direitos Humanos aponta alta de 53% dos feminicídios no Rio Grande do Sul. Ao menos 20 mulheres foram mortas no território gaúcho em 2026” (Correio do Povo, 04.03.2026). Segunda Camila Bezerra, ´sete em cada dez mulheres já sofreram assédio, aponta pesquisa´ (www.jornalggn.com.br, 05.03.26).
São tempos que deixam o coração apertado, somados às guerras, as ameaças à democracia, a crise climática, as dúvidas sobre o futuro. Que mundo está sendo construído? Quais os valores de uma sociedade onde tudo isso acontece em pleno século 21?
Hora, mais que nunca, de refletir, de somar forças, de ‘ninguém soltar a mão de ninguém’.
A luta continua, felizmente. Milhares de mulheres foram às ruas no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em grandes mobilizações, afirmando sua força. “Na Jornada nacional das Mulheres Sem Terra, as mulheres Sem Terra realizam ocupações em jornada nacional de mobilização por Reforma Agrária e contra as violências” (Brasil de Fato RS, 08.03.26).
A resistência está presente nas comunidades todos os dias, nas escolas, nos movimentos sociais e populares, unindo mulheres e homens, juventudes, mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres em situação de rua. Elas não se deixam abater pelas incertezas, pelo preconceito, pela perseguição, pela violência. As mulheres resistem, firmes, fortes, corajosas.
Os direitos e a igualdade em todos os sentidos precisam ser assegurados todos os dias, para que as mulheres possam viver em paz e com dignidade, tendo vez e voz, garantindo sua sobrevivência, sua vida e sua capacidade de sonhar.
A solidariedade salva. Quem não viu, em tempos de volta da fome, as mulheres organizando as Cozinhas Comunitárias e Solidárias? Quem não participou de gestos concretos de partilha do pão e do feijão? Quem não vê as mulheres solidárias, mesmo na insegurança da vida, no meio da tristeza, da dor e do sofrimento?
As mulheres alimentam o esperançar no cotidiano. Por isso, chega de mortes e violência! É tempo de organização popular. É tempo, neste período pré-eleitoral, de construir programas de governo com protagonismo das mulheres. É tempo de exigir que parem as guerras com a morte de centenas de meninas como se viu no Irã. É tempo de políticas públicas com participação popular, mulheres na linha de frente, sendo exemplo de vida e de construção da soberania e da democracia.
A vida não pode mais estar por um fio. A vida tem que poder ser vivida na fé, o espírito livre, na certeza do amanhã com liberdade, na alegria. A felicidade pode e deve ser não apenas uma utopia, mas a certeza de uma Sociedade do Bem Viver.
Mulher deve ser o que ela quiser ser.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

