Proclama, anuncia e convoca a Carta de Porto Alegre ‘Unidade contra o Fascismo e pela Soberania’, aclamada unanimemente na Conferência Antifascista, em 29 de março de 2026, em Porto Alegre: “Nunca como hoje a luta contra o imperialismo e o fascismo foi tão atual e necessária. Essa luta precisa ser articulada internacionalmente. Diante da barbárie, levantamos a bandeira da solidariedade internacional, da luta dos povos e de um futuro socialista, ecológico, democrático, feminista e antirracista.”
Nada podia ter sido melhor e oportuno que a Conferência Antifascista em Porto Alegre. E não apenas por relembrar e reviver os bons tempos do Orçamento Participativo (OP), e do Fórum Social Mundial (FSM), o primeiro acontecido em 2001, que tive a honra e oportunidade de ajudar a organizar em nome do Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP). Mas sim, e também, por reunir milhares de militantes, sonhadoras e sonhadores de mais de 40 países num momento de conjuntura muito difícil e preocupante.
Foi uma Conferência histórica para enfrentar o antifascismo, o imperialismo, e fortalecer, ninguém soltando a mão de ninguém, a soberania popular, a luta pela paz, a urgência da democracia no Brasil, América Latina, Caribe e mundo, com participação popular.
A Marcha de abertura, saindo do Largo Glênio Peres e terminando no Largo Zumbi dos Palmares, reanimou almas, espíritos e corações, com danças, gritos, palavras, e a certeza de que um outro mundo continua possível, e cada vez mais urgente e necessário.
Estamos na semana do 31 de março e do 1º de abril, com o golpe militar de 1964, que mergulhou o Brasil numa ditadura de 21 anos. As guerras hoje no mundo, matando milhares, especialmente mulheres, jovens e crianças, a violência do cotidiano, o imperialismo mais uma vez se apresentando contra a democracia, exigem uma resposta. A unidade popular, as vozes de quem constrói a esperança de um mundo justo e de uma sociedade com igualdade, soberania e democracia levantaram-se em Porto Alegre e ecoaram no mundo inteiro.
Não há tempo a perder. Diz mais a Carta de Porto Alegre: “Reunidos em Porto Alegre – cidade símbolo das lutas internacionais, de importantes tradições e aspirações democráticas – milhares de ativistas de mais de quarente países dos cinco continentes, celebrando nossa unidade na diversidade, buscando avançar na organização para a resistência e o combate aos variados fascismos, a extrema direita e o imperialismo em sua fase mais agressiva.”
Anuncia mais: “Lutamos contra todos os imperialismos e apoiamos a luta dos povos por sua autodeterminação, por todos os meios necessários. Além de resistir ao fascismo e ao imperialismo, almejamos também construir as bases para avançar, em nossos convergências em aspectos centrais e unitários. Para combater o autoritarismo, é preciso resgatar, ampliar e aprofundar os direitos democráticos com base na participação popular, desde o local até o nacional e nos organismos internacionais. Afirmamos a relevância do mundo do trabalho, propomos impulsionar iniciativas conjuntas para organizar a resistência global contra as violências fascistas e a precarização neoliberal. A defesa de um futuro sustentável passa pelo enfrentamento direto ao ecocídio promovido pelo capitalismo e por governos de extrema direita, que tratam a natureza como mercadoria e desmontam a proteção ambiental em nome do lucro. Destacamos a importância da Reforma Agrária como a saída necessária para soberania alimentar.”
A unidade popular é fundamental nesta quadra da história, como viveu e demonstrou a Conferência Antifascista, para que a resistência popular tenha condições de enfrentar o Império e dar vez e voz ao povo organizado.
Diz a Carta de Porto Alegre, finalmente: “Derrotar os fascismo e o imperialismo é tarefa urgente de nossa época. Porto Alegre, 29 de março de 2026.”
Na boa luta, com fé e coragem, esperançar.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

