O final dos anos 1970 e o início dos anos 1980 foram de grande efervescência política. Eram tempos de ditadura militar. A resistência e a luta pela redemocratização nunca deixaram de existir e crescer.
No Rio Grande do Sul, aconteceram as greves dos bancários e dos trabalhadores da construção civil em Porto Alegre, a ocupação das fazendas Macali e Brilhante em Ronda Alta e o 1º Encontro gaúcho das CEBs, Comunidades Eclesiais de Base, em São Gabriel.
No Brasil, houve as greves históricas dos metalúrgicos do ABC. E começaram os encontros da Anampos, Articulação Nacional dos Movimentos Populares e Sindicais, juntando os movimentos sociais e populares, o movimento sindical e as Oposições Sindicais, as Pastorais sociais, as ONGs e o campo democrático e popular brasileiro.
Mas não havia neste período, embora todas as mobilizações e lutas, porque proibidas pela ditadura militar, organizações nacionais que articulassem e ajudassem a organizar a resistência. A Anampos começou a cumprir este papel no início dos anos 1980, com Encontros com presença de militantes de todo país em João Monlevade, MG, Taboão da Serra, SP (esse Encontro era para acontecer no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, então sob intervenção por causa das greves), em Olinda, PE, em Vitória, ES.
Neste contexto, surgem a CUT, Central Única dos Trabalhadores, e o MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, entre outras organizações nacionais, além da fundação do PT, Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores.
E aconteceu, na sequência, a grande mobilização nacional pelas Diretas-Já e por uma Constituinte livre e soberana. Mas as primeiras eleições diretas para presidente da República só foram acontecer em 1989, depois de 21 anos de ditadura militar, e houve a promulgação da Constituição Cidadã. Foram tempos muito difíceis, com exílios, prisões, mortes e torturas de quem resistia à ditadura e perseguição a quem lutava contra a ditadura e pela democracia.
Estamos em 2026. Muita coisa aconteceu nos anos 2000, com governos populares de Lula e Dilma, a democracia florescendo com participação social e popular.
Mas estamos no Brasil e sua história secular. Houve mais um golpe, com impeachment da presidenta Dilma Rousseff, e com todas as suas consequências: a ascensão do ultra neoliberalismo de direita e o neofascismo tomando conta do Brasil. Até que, mais uma vez, o povo organizado, com a realização, por exemplo, de uma Conferência Antifascista em Porto Alegre, entre outras mil ações, sustentou a democracia e a soberania popular, o Brasil de novo com governo popular.
Luís Nassif, escreveu em “A Lava Jato e o assalto ao Supremo” (jornal GGN, 30.04.26) sobre a aliança BBB, Boi, Bíblia, Bala: “Juntas, essas três bancadas compõem o que ficou conhecido como BBB – Boi, Bíblia e Bala. Muitos parlamentares participam simultaneamente das três frentes, o que amplifica o poder de articulação suprapartidária.” Ou seja, a ultradireita continua muito organizada, inclusive no Parlamento.
As eleições de 2026 para presidente da República, governadoras-es, senadoras-es, deputadas-os federais e estaduais podem ser, ou serão, como muitos dizem, as eleições das nossas vidas. Irão decidir muito do futuro brasileiro. É preciso consolidar a democracia, garantir a soberania popular, aumentar a participação social e popular nas políticas públicas, na construção de um Brasil com justiça social, direitos para as trabalhadoras e os trabalhadores, igualdade econômica, com um projeto popular estratégico para o Brasil, rumo a uma Sociedade do Bem Viver.
Como nada no Brasil, ao longo da história, é simples ou fácil, os próximos anos podem ser decisivos. Todo cuidado é pouco, portanto. Mobilização social e popular, Formação na Ação, presença nas ruas e nas comunidades, unidade do campo democrático são mais que urgentes e necessárias.
Na boa luta, com fé e coragem, ESPERANÇAR.
* Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

