Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); Participante da Ciranda pelo CEAAL Brasil, CAMP e Articula PNEPS-SUS.

Aos 75 anos, primeiro livro solo: ‘Fé e Política – Ensaios de uma vida peregrina’

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O trabalho de base nas comunidades está entre os temas e reflexões do autor, como "CEBs e Agroecologia", "Os cristãos na política partidária", "Igreja e movimentos populares"
O trabalho de base nas comunidades está entre os temas e reflexões do autor, como “CEBs e Agroecologia”, “Os cristãos na política partidária”, “Igreja e movimentos populares” | Crédito: Divulgação

Chegou a hora, finalmente, do primeiro livro solo, com textos meus, escritos ao longo de mais de meio século

Passados exatos 50 anos do primeiro livro, Em mãos, coletivo de poemas do Grupo Veredas, lançado em 1976 em livraria nos altos do Mercado Público de Porto Alegre, com grande sucesso; e depois de muitos textos e poemas em diferentes livros e de já ter acontecido o Em mãos IV, chegou a hora, finalmente, do primeiro livro solo, com textos meus, escritos ao longo de mais de meio século: Selvino Heck, Fé e Política – Ensaios de uma vida peregrina (Ed. Usideias, 2026).

Registro na apresentação, à página 9: “Este é meu primeiro livro solo. Nos mais de 50 anos em que escrevo, em que sou ou fui colunista de diferentes veículos de imprensa como o Correio do Povo, a Folha do Mate, o Jornal do Brasil, o Diário de Cuiabá, e de sites como a Adital, o Brasil de Fato RS, o Sul 21, estou em dezenas de livros como os Em mãos I, II, III e IV, em outras muitas publicações. Mas nunca fiz ou lancei um sozinho, um livro só meu”.

Tarso Genro escreveu na apresentação do Em mãos, em 1976: “Uma mostra da poesia nova do Rio Grande do Sul há muito é uma necessidade. Nestes tempos de desespero, que envolvem curtos salários e insegurança, a lira do poeta não é uma mercadoria de primeira necessidade, pelo menos na indicação da experiência diária de cada pessoa do meu povo”. Tarso ainda referencia este autor, “Selvino Heck, cuja poesia escorre num belo tom nerudiano: ‘Trabalhador da palavra sou. Canto o povo, sangue nos dedos, boca suja, miséria no meio’”.

A ditadura militar, via Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Serviço Nacional de Informação (SNI), Polícia Federal (PF), registrou, em 15 de abril de 1977: “Assunto. Estão sendo vendidos exemplares do livro de poesias denominado Em Mãos, de autoria dos escritores Humberto Gaspary Sudbrack, Umberto Gabbi Zanatta, Dilan D´Ornellas Camargo, José Eduardo Degrazia, Selvino Heck, Cesar Pereira, junto com outros elementos que se uniram a este grupo, entre os quais Sérgio Conceição Faraco, Horácio Goulart, Paulo Kruel de Almeida, Suzana Kilpp, Aldir Garcia Schlee e Airton Aloísio Michels. A apresentação é de Tarso Fernando Herz Genro, elemento pertencente à organização subversiva Ala Vermelha, do PCdoB. O livro em questão traz conteúdo ideológico, com tendência esquerdista. Antecedentes subversivos de elementos envolvidos na elaboração do citado livro, bem como pessoas ligadas a eles. Constam dados de qualificação”.

Escreve Mauri Cruz, no prefácio de Fé e Política (p. 7): “A reflexão sobre fé e política precisa ser realizada com a atenção e o cuidado que o tema merece. Isso porque, ao olhar criticamente a história, é possível identificar a fé sendo utilizada como instrumento de poder, alienação, guerras e dominação. Mas também há momentos cruciais em que a fé é mola propulsora de mudanças, libertação e construção de uma sociedade mais justa e solidária.”

Escrevem Loiva Dietrich e Marcelo Moura, em Sobre o autor, “Ranzinza, mas democrático” (p. 170): “É assim que o Selvino se define, é assim que seus colegas do Palácio do Planalto e da Rede de Educação Cidadã (Recid) o chamavam ´carinhosamente´. Quem sempre conviveu com ele sabe que isso é extremamente verdade. Ele traz consigo a ‘ranzinzez’ da idade, de quem já viveu vida longa e de muitas histórias. Mas sem deixar de lado a construção coletiva, a comunidade, a luta pela boa política e pela democracia”.

São algumas referências do livro Fé e Política, que será lançado em Porto Alegre, no dia 21 de maio, às 19h, no bar Maria (rua Fernando Machado, 464), com muita festa e alegria.

O livro tem textos e reflexões com os seguintes títulos: Sem Armas, Livros na Mão, Profetismo e Poder, Ser parlamentar e ser cristão, Cristianismo e Capitalismo (esta reflexão de 1977, publicada então no boletim oficial da Província Franciscana gaúcha, era dita porFrei Sérgio Görgencomo tendo ajudado em sua ‘conversão’), Mística e Política, CEBs e Agroecologia, Ética e Política, Generosidade revolucionária, Os cristãos na política partidária, Mística feminina, Cuidar da vida: Espiritualidade, Ecologia e Economia; Igreja e Movimentos Populares. E alguns poemas: Lutadoras/lutadores, A manhã vai chegar.

O primeiro livro solo tem seus anjos da guarda, que ajudaram na sua publicação e/ou a estimularam: Loiva Dietrich, Marcelo Moura, Mauri Cruz, Frei Betto, João Marcelo Santos, Luís Augusto Fischer e José Eduardo Degrazia. Dedicado a eles, está no livro o poema Meus Anjos da Guarda.

Meus anjos da guarda

Ter anjos da guarda na vida/ é bênção.
O anjo da guarda não só cuida,/ mas também anda lado a lado.
O anjo da aguarda trabalha de graça,/ por puro prazer.
O anjo da guarda faz companhia.
O anjo da guarda lê os pensamentos/ de quem cuida e acompanha.
O anjo da guarda protege, mostra, aponta caminhos,/ possibilidades,/ aventuras,/ futuro.
O anjo da guarda é tri solidário,/ sempre.
O anjo da guarda nunca solta a mão de ninguém,/ sem medo de ser feliz.
O anjo da guarda é espírito,/ alma,/ coração,/fraternidade.
Quem tem anjo da guarda está vivo,/ respirando,/ como eu,/ em dois mil e vinte seis,/ aos 75 (mais ou menos) bem vividos.

Viva meus anjos da guarda!
Brigadérrimo por tudo.

Viva a vida! Na boa luta, com fé e coragem, Esperançar.

* Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Gilson Camargo

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