Bastou o povo brasileiro acordar e ir às ruas, em 21 de setembro, para sepultarmos a proposta de emenda constitucional (PEC) da Blindagem – ou da Bandidagem, como queiram. Foi a pressão popular que fez com que os senadores se mobilizassem para enterrar o projeto.
A PEC previa uma superproteção a políticos, que não seriam mais investigados por crime nenhum, e já havia sido aprovada na Câmara de Deputados com uma votação altíssima, com apoio também de deputadas e deputados de partidos de esquerda, pasmem.
Depois de toda a mobilização popular e a desmoralização pública, houve na Câmara a aprovação, de forma unânime (e histórica), do projeto de isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil – um projeto do presidente Lula, diga-se – e também houve um esfriamento do projeto de anistia aos golpistas da nação.
O sentimento daquelas milhares de pessoas que foram às ruas naquele domingo de setembro é o de que o Congresso Nacional é o principal inimigo do povo. Mas aquela percepção de empoderamento popular já se dissipou. A coisa já mudou.
No último dia oito de outubro, com a derrubada da medida provisória que taxava Bancos, Bets e Bilionários, a Câmara dos Deputados, mais uma vez, impôs uma derrota ao povo brasileiro.
Ao optar por aliviar os tributos para os mais ricos, diminuindo propositalmente a arrecadação do governo, os deputados provocarão cortes em áreas como saúde, educação e políticas públicas para a população mais pobre.
Pobre nesse país não tem um dia de paz.
Mas o Brasil que acorda cedo para trabalhar ainda precisa aprovar alguns projetos. A pauta para a classe trabalhadora desse país inclui o fim da jornada 6×1, a tarifa zero para o transporte público e a implementação de outros programas do Governo Federal que coloquem o pobre no orçamento público, redistribuindo as riquezas do país.
Para vermos isso se concretizar, temos que ocupar as ruas novamente, defendendo nossas bandeiras históricas de lutas e encurralando a extrema-direita nas ruas e nas redes sociais.
Precisamos, sim, pautar essa disputa do lado do povo mais pobre. Não podemos dar trégua aos que querem manter seus privilégios. A campanha de 2026 já começou e cada movimento de enfraquecimento do governo é mais uma pancada no lombo dos mais pobres.
O presidente Lula precisa que nós tomemos as ruas. Movimentos sociais, sindicatos, centrais, partidos, estudantes, trabalhadores sabem como fazer. O que falta então para continuarmos?

