Não é normal que uma servidora pública registre um boletim de ocorrência contra o prefeito da própria cidade por intimidação. Menos ainda que, diante de um fato dessa gravidade, a Câmara Municipal escolha o silêncio como resposta.
Mas foi exatamente isso que aconteceu em Foz do Iguaçu (PR).
No dia 29 de janeiro de 2026, uma diretora da rede municipal de ensino relatou ter sido abordada de forma exaltada pelo prefeito General Silva e Luna (PL), em espaço público.
O registro oficial descreve elevação de voz, gestos intimidatórios e falas interpretadas como ameaça à sua permanência na função. Trata-se de um boletim de ocorrência formal, registrado por uma servidora concursada com mais de duas décadas dedicadas à educação pública.
Diante desses fatos, apresentei, na condição de Procuradora da Mulher da Câmara Municipal, uma Moção de Repúdio, contando apenas com o apoio das vereadoras Márcia Bachixte (MDB), Yasmin Hachem (PV) e Anice Gazzoui (PP).
Meu objetivo era cumprir o que considero o papel básico do parlamento: manifestar reprovação política diante de fatos graves que exigem apuração.
O desfecho foi o arquivamento automático da moção por não obter o mínimo de cinco assinaturas exigidas pelo Regimento Interno da Casa para sua tramitação.
Vale destacar que nenhum dos vereadores homens topou bancar o repúdio ao chefe do Executivo por uma ação absolutamente repudiável.
O arquivamento deixou claro que todos os vereadores homens preferiram proteger o poder a enfrentar a intimidação dirigida a mulheres que não aceitam o silêncio como regra.
Da minha parte, não aceitarei que isso seja normalizado.
Seguirei dizendo, sem rodeios, que mulheres não podem trabalhar com medo e que o silêncio institucional nunca é neutro.
Em Foz do Iguaçu, ele protegeu e segue protegendo o prefeito da cidade.
No segundo ano de mandato, já passou da hora de o prefeito general aprender que democracia não se resume à eleição e que nenhum cargo, por mais alto que seja, autoriza a intimidação.
Minha solidariedade está com a diretora que formalizou a denúncia e com todos os profissionais da rede municipal que seguem trabalhando apesar do constrangimento.
A forma como o poder se exerce diz muito sobre o projeto de cidade que se quer construir, e nenhum projeto democrático se sustenta quando o medo passa a ocupar o lugar do diálogo e do respeito institucional.
Sigamos!


