Vicente Rauber

Engenheiro especializado em Planejamento Energético e Ambiental.

Bancos mandam

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O Pix é um meio de pagamento público em real, moeda brasileira garantida e controlada pelo Banco Central
O Pix é um meio de pagamento público em real, moeda brasileira garantida e controlada pelo Banco Central | Crédito: Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O bancos estão entre as maiores e mais lucrativas empresas do Brasil

Nosso sistema bancário é o mais bem estruturado do mundo com seus recursos tecnológicos e inovações. O Pix por exemplo é um grande diferencial. Os bancos são mais do que intermediários de dinheiro, são grandes prestadores de serviços.

Isto é muito bom para o país. Mas este sistema contribui efetivamente para o nosso desenvolvimento sustentável, ou seja, para a nossa soberania?

Vamos relembrar que a sustentabilidade sustenta-se no tripé produção integrada à natureza e ainda recuperando esta (necessário à nossa própria sobrevivênvia), atenda aos aspectos sociais reduzindo nossas enormes diferenças de renda e seja viável economicamente.

Vejamos como é a situação do sistema bancário e como é constituído seu enorme poder de influência.

Entre as 10 maiores empresas do Brasil, nada menos do que 5 são bancos e 4 estão entre as empresas mais lucrativas.

O bancos estão entre as maiores e mais lucrativas empresas do Brasil.

Situação completamente diferente é a dos EUA e da Alemanha que não possuem nenhum banco entre as 10 maiores empresas, mesmo com enormes sistemas bancários. Reino Unido, França, Itália, Portugal, Rússia e Japão tem uma empresa entre as 10 maiores. A China possue duas. Nestes países os grandes bancos também possuem forte atuação estrangeira. Em outros países, menos fortes economicamente, temos uma situação semelhante.

Ou seja, os bancos nos demais países atuam mais como apoiadores das demais empresas e da própria cidadania.

No Brasil, mesmo os bancos públicos que possuem forte atuação social, também precisam ser grandes e lucrativos até para sobreviver com força neste mercado.

Os bancos recebem mais de 50% de todos os recursos federais.

Até junho de 2025, entre todas as despesas pagas pelo governo federal, nada menos de 53,4% foram destinadas ao pagamento de juros e amortização da dívida, através dos bancos, conforme a “Auditoria Cidadã da Dívida”. A rigor, esta não é uma situação nova. Há muitos anos, as despesas com o bancos consomem em torno de 50% de todos os recursos federais. São estes recursos que faltam a todas as políticas de qualidade de vida (saúde, educação, segurança pública, minorias e demais), e de desenvolvimento como infraestruturas, tudo que poderia contribuir  para um desenvolvimento mais justo entre a população, reduzindo as enormes diferenças. Igualmente os altos custos bancários retiram ganhos das atividades de produção – indústria, comércio, serviços e agricultura -, o que estes setores procuram compensar diminuindo custos com salários e o trabalho em geral, e aumentando preços.

Os bancos garantem os seus pagamentos através do “resultado primário”.

O sistema bancário exerce uma enorme pressão sobre nossos governos, que são obrigados a cumprir o chamado “resultado primário”, ou seja, entre receitas e despesas deve resultar um montante suficiente para o pagamento dos juros e amortização da dívida.

E nem admitem qualquer alteração em sua estrutura. Quando o governo federal tentou aplicar uma taxa maior de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre grandes operações financeiras, para compensar parte da perda de receita com a isenção de Imposto de Renda para ganhos mensais de até R$ 5 mil promoveu-se uma reação enorme, não permitindo a aprovação.

Esta é uma situação única no mundo. O Brasil tem uma dívida de 77,5% de seu PIB e é obrigado a gastar em torno de 50% do seu orçamento com esta dívida. A gigante dívida pública dos EUA supera os 120% de seu PIB, e as despesas com esta dívida chegam a 17% de seu orçamento. Respectivamente, a dívida da China ultrapassa os 200% e gasta em torno de 3,5%; a do Japão também supera os 200% do PIB e gasta aproximadamente 25%; Já países menores como Marrocos, este possui 70% do seu PIB comprometido  com a dívida e gasta somente 6,5% do seu orçamento. A vizinha Argentina, há muito mergulhada em crises econômicas, possui 85% do seu PIB comprometido em dívida e gasta somente 7,3% do seu orçamento.

Estamos num enorme círculo vicioso, os altos juros dos bancos produzem inflação, que fazem subir a taxa Selic (para não deixar a inflação disparar), que há muito tempo está entre as maiores do mundo. Como a dívida pública está vinculada a taxa Selic, o seu montante sobe elevando também os gastos com os juros. Assim a dívida nunca amortece (reduz) e os bancos ganham cada vez mais, acumulando renda e poder.

Tem solução? Precisa ter!

Os juros bancários precisam ser bem menores e os recursos financeiros devem ser emprestados ao desenvolvimento de atividades comprometidas ambientalmente e com geração e distribuição de renda.

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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