Vicente Rauber

Engenheiro especializado em Planejamento Energético e Ambiental.

Dia da Terra, precisamos falar sobre isto

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Área de recuperação ambiental
Área de recuperação ambiental | Crédito: Ibama

Alguém ainda duvida que a nossa Terra está em risco?

Mais do que nunca e de forma urgente precisamos reequilibrar a natureza de nossa Terra.

Assim como é fundamental uma melhor distribuição da riqueza, para que imensos contingentes, especialmente da África e regiões da Ásia, tenham possibilidade de vida. Em torno de 10% da população mundial concentra aproximadamente 75% de toda a riqueza. Será que os muito ricos precisam tantos recursos para terem tudo o que desejam e serem felizes? Será tão difícil entender a importância e a necessidade de um melhor equilíbrio da Terra? Cabe lembrar que a maioria dos ricos se concentra no norte do Planeta, EUA, Canadá e Europa, região que também produz a maioria dos gases do efeito estufa (GEEs).

A riqueza vai além dos recursos financeiros, engloba as propriedades, o acesso aos serviços públicos básicos, possibilidades de aprendizagem, oportunidades de trabalho e tudo mais que envolve a qualidade de vida.

Pelos dados mais recentes, 8.2% da polução mundial continua enfrentando fome. e aproximadamente 30% está sujeita à insegurança alimentar moderada ou grave. É muita gente!

No Brasil avançamos: saímos novamente no mapa da fome, porém há muito caminho a percorrer para sairmos da condição de um dos países com a pior distribuição de renda.

Na Terra tudo está interligado, o seu desequilíbrio, além dos desastres climáticos, também aumenta as doenças e cria novos vírus como a covid. Gera o aumento da violência, como temos assistido em todo o mundo, em especial os ataques às mulheres e aos negros.

A nossa casa comum, como o Papa Francisco chamou, é de 510 milhões de km² e 71% de sua superfície é água, Terra onde habitam (ou tentam habitar) 8,3 bilhões de pessoas.

Alguém ainda duvida que a nossa Terra está em risco?

Então precisamos todos(as) conversar muito sobre isto. Se as mudanças climáticas hoje são reconhecidamente o maior problema do planeta, este tema precisa estar na pauta de todos(as), com maior intensidade de todos os gestores públicos e privados.

No descobrimento (ocupação) do Brasil, destruímos os povos originários e sua vida sustentável; agora precisamos urgente recompor a natureza.

Eu não esqueci: também foi num 22 de abril que 13 embarcações portuguesas, lideradas por Pedro Alvarez Cabral, atracaram em Porto Seguro, data da descoberta (melhor seria dizer do início da ocupação) do Brasil.

Aqui havia uma cultura dos povos originários em equilíbrio com a natureza, com muitos saberes e capacidades.

Começamos mal: atacamos os indígenas, destruindo suas riquezas para fazer a ocupação branca.

Hoje, para reequilibrar a Terra, precisamos recompor parte da natureza e estabelecer modos sustentáveis de produção e de vida. A prioridade de nossa economia deve ser preparar melhor a Terra diante dos desastres climáticos e reconquistar o seu equilíbrio.

Perdoem-me voltar a insistir nos temas seguintes, precisamos falar nisto até conseguir   recompor a Terra. Vamos falar em temas do Brasil e do RS.

A maioria da geração dos GEEs são gerados pelos desmatamentos e queimadas da Amazônia e dos demais biomas. Temos avanços, devíamos, porém, acelerar o fim destas práticas mais rápido, talvez transformando o tema em caso de proteção nacional.

A segunda maior emissão de GEEs vem dos modos de produção agropastoril. O Brasil, em 2015, no Encontro de Paris, apresentou uma solução, de reconhecida eficiência, para produzir mais e melhor, o Plano ABC – Agricultura de Baixo Carbono. Precisa adentrar os campos e as lavouras.

A terceira maior emissão de GEEs são os combustíveis de petróleo, que podem representar dois terços da poluição nas regiões urbanizadas. Aqui cabe sugerir que também as indústrias avancem para a condição de “indústria de resíduo zero”, tudo o que entra é transformado.

Somos campeões mundiais em produção de energia elétrica com recursos renováveis; é hora dos veículos elétricos, que possuem emissões zero, baixarem de preço e termos mais pontos de recarga. Serão um marco de nossa época.

A única política pública que ao mesmo tempo melhora a saúde, educação, segurança e renda e gera empregos e renda é o saneamento básico – água, esgotos, resíduos sólidos, drenagem urbana e proteção contra inundações. Precisamos estabelecer pactos nacionais e estaduais com os municípios (legalmente os responsáveis) para garantir a universalidade destes serviços estabelecida no Marco Legal do Saneamento.

Precisamos nos estruturar mais rápida e efetivamente contra os excessos e as faltas de água. Aqui no RS, apenas uma parcela dos prejuízos causados pelas inundações e secas seriam suficientes para implantar as proteções contra cheias, bem como os reservatórios e recalques de água nas secas.

Árvores, muitas árvores, matos nas cidades!

E precisamos de árvores, muitas árvores, que são verdadeiras máquinas ambientais!

Medellin/Colômbia | Crédito: Vicente Rauber

Medellin/Colômbia encravada entre as montanhas da Cordilheira dos Andes perdeu 1971 vidas em 2016 devido à poluição e ao calor.

A solução foi implantar corredores verdes, principalmente com semeaduras de árvores locais, incluindo frutíferas, em todas as avenidas, águas correntes e paradas e amplos parques. Arborização massiva, mato, capaz de fazer frente à poluição e altas temperaturas.

Corredores verdes em Medelín | Crédito: Vicente Rauber

Hoje Medelin é premiada internacionalmente como a “Cidade da Eterna Primavera”

O exemplo extraordinário está conseguindo outras cidades adeptas na Colômbia e pelo Mundo.  São Paulo está avaliando a adoção do modelo, como seria bom! No RS, várias cidades também estão avaliando e uma delas decidiu pela implantação do exemplo.

 Os desequilíbrios da natureza e os consequentes desastres integram o lamentável período neofascista que o mundo hoje enfrenta, negacionista e agressor do meio ambiente.

Para a efetivação medidas recuperadoras da Terra, precisamos superar este período.

Todos(as) desejamos a Terra, nossa casa comum, saudável, justa e sustentável. Então precisamos falar muito sobre isto! 

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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