O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi fundado em 1936 com a missão de organizar, coordenar e operacionalizar o Censo de 1940. Naquela época, não havia os recursos tecnológicos de comunicação e transporte que temos hoje para realizar um verdadeiro raio-x de um território imenso, habitado à época por 41 milhões 236 mil 315 pessoas.
Com altos e baixos ao longo de sua trajetória, o IBGE se consolidou como referência mundial, tanto na execução de censos demográficos quanto na publicação e disponibilização de informações sobre o país.
Pois bem, o IBGE acaba de lançar novos dados preliminares sobre a mobilidade no Brasil. O país viu sua população crescer 6,5% desde 2010 e alcançou 203,1 milhões de habitantes em 2022. Vejamos os principais resultados preliminares dos deslocamentos para trabalho e estudo.
- Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, o Recife ocupa a 15ª posição no quesito quantitativo de pessoas que levam tempo superior a duas horas em deslocamentos. São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza estão à frente.
- A maior parte dos deslocamentos casa-trabalho no país é feita por automóvel (32,3%).
- O ônibus é o transporte coletivo mais utilizado, com 14,9 milhões de usuários. Já trens e metrôs são usados por 1,1 milhão.
- No Nordeste, 3,7 milhões de pessoas (23,5%) se deslocam a pé para o trabalho.
- A população preta e parda apresenta maior participação relativa nos deslocamentos com duração entre uma e duas horas.
- Há maior uso de automóvel, trem ou metrô entre pessoas com níveis de instrução mais elevados, enquanto o deslocamento a pé ou de bicicleta predomina nas faixas com menor escolaridade.
- São Paulo (10%), Rio de Janeiro (9,9%) e Recife (8,2%) registram os maiores percentuais de deslocamentos por motocicleta, com duração de uma a duas horas.
- Os maiores índices de deslocamento intermunicipal ocorrem em SP, GO, RN, SE e PE.
Qual a relevância desses dados? Destacamos que é notório o protagonismo da motocicleta no Nordeste, que segue a todo vapor por estas bandas.
Aqui, na Região Metropolitana do Recife, chamam atenção também a quantidade de deslocamentos entre municípios. Os dados reforçam a urgência de estruturar e expandir um sistema de transporte de alta capacidade entre as cidades da região.
Fato é que precisamos nos debruçar sobre esse rico material, analisá-lo com cuidado e compreender os possíveis fenômenos atrelados a eles, seja por cidade, Estado ou região.
Por hora, inspirados pelo slogan do selo comemorativo do Censo de 1940 — “investigação nacional em busca de conhecimentos exatos sobre o Brasil” —, podemos por hora reverenciar a essência desses números: eles nos ajudam a nos conhecer e, sobretudo, a tomar decisões mais embasadas. São informações fundamentais para o planejamento do país. Em última instância, saímos do campo do achismo e entramos no terreno dos dados concretos.
Que esses números se revertam em planejamento efetivo da mobilidade, área tão fora de moda nos tempos atuais. Cabe agora às universidades e aos institutos lapidá-los — tarefa que, em grande parte, recairá sobre servidores públicos comprometidos em compreender e desenvolver o Brasil — e não apenas em “vendê-lo”, moda atual no campo da mobilidade urbana.
Em tempo, no dia 28 de outubro comemora-se o Dia do Servidor Público. A data, criada em 1943, homenageia essa figura fundamental para o funcionamento da administração pública, que presta serviços essenciais à população brasileira.
Parabéns a todos os servidores que trabalham efetivamente por um Brasil como projeto de nação, em especial aos técnicos do IBGE, que mesmo diante de ataques seguem oferecendo um serviço público de altíssimo nível. Aguardamos ansiosamente os demais dados e mapas oriundos do espetacular Censo 2022.

