No mês em que se celebra o Dia da Árvore, comemorado em 21 de setembro, o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anuncia que já plantou 45 milhões de árvores em todo o Brasil nos últimos cinco anos. A meta é alcançar a marca de 100 milhões até 2030, de acordo com o plano nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis, lançado pelo movimento em 2020.
Diante das consequências cada vez mais evidentes da emergência climática enfrentada pela humanidade, a iniciativa busca chamar a atenção da sociedade para a necessidade de dar respostas à crise ambiental. Maíra Santiago, da direção do movimento em Minas Gerais, explica que a saída para o atual cenário passa necessariamente pela reforma agrária e pela construção da soberania alimentar.
“Estamos apontando um calendário de lutas para trazer o debate da questão ambiental na disputa das ideias, mas também com ações concretas nos territórios, mostrando que a reforma agrária é defender a natureza. A nossa proposta é cuidar da natureza e produzir alimentos, porque cuidar da natureza também é cuidar do povo e o povo precisa se alimentar, precisa ter condições de vida digna”, resume, em entrevista ao Conversa Bem Viver.
Santiago também explica que a atuação do MST é diversa, da construção de agroflorestas às cozinhas solidárias, passando por ajudar a levar comida saudável para as mesas de creches, escolas e até hospitais, por meio de políticas públicas.
“Além de produzir árvores, água e alimentos saudáveis, também estamos preparando alimentos e os distribuindo para as pessoas que hoje passam por maior necessidade no nosso país”, destaca.
Ainda assim, a dirigente do movimento é enfática ao afirmar a necessidade do envolvimento de toda a sociedade nas iniciativas de cuidado com a natureza e de combate à fome. “Nós lançamos essa tarefa, mas ela está dada para o Brasil inteiro. Nós não queremos que só o MST faça ações de plantio, mas que outros movimentos, comunidades, inclusive comunidades urbanas, também se envolvam.”
Confira a entrevista completa:
Brasil de Fato – Como foi a concepção desse plano [de plantio de árvores]? Por que em 2020, um ano desafiador, no qual enfrentávamos a pandemia, o MST lançou essa iniciativa?
Maíra Santiago – Esta década, de 2020 a 2030, tem colocado para nós um desafio crucial em relação à questão ambiental, trazendo consequências graves das mudanças climáticas, como a perda da biodiversidade e as pandemias, que inclusive vivemos uma muito intensa.
Visualizamos que esse cenário também era uma abertura para colocarmos em pauta o tema ambiental, que está diretamente relacionado com a questão agrária. Não é possível desvincular uma coisa da outra, porque, hoje, os territórios estão sendo devastados, mas se tivéssemos uma política ambiental ou uma política de reforma agrária, teríamos uma outra perspectiva de construção desses territórios.
Lançamos esse plano em 2020, poucos anos depois de dois grandes crimes ambientais que aconteceram em Minas Gerais por conta da mineração: o crime da Samarco e da Vale em Mariana, que impactou a bacia do Rio Doce, e o crime da Vale em Brumadinho, na bacia do Paraopeba.
O lançamento foi justamente em Sarzedo, um município da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), onde a extração mineral predatória é muito forte. Esse plano traz o debate da questão ambiental para os próximos 10 anos, vinculando isso à questão agrária.
Estamos agora completando cinco anos do nosso plano. Metade já foi. E nós já temos um quantitativo de 45 milhões de árvores plantadas. A perspectiva de agora, com o Dia da Árvore, é atualizar os dados dos nossos viveiros e das nossas coletas de sementes, porque, nesse período, muita coisa foi constituída e organizada pelas famílias assentadas e acampadas da reforma agrária.
Em junho do ano passado, mais de 12 toneladas de sementes foram lançadas por helicóptero em uma reserva legal do MST no Paraná. Como acontecem os processos de plantio e de contagem? Existem outros exemplos?
Essa experiência do Paraná foi exitosa e é um exemplo para o resto do país, mas não é só o Paraná que tem realizado essas ações grandes e importantes em defesa da natureza.
Desde 2020, nós temos apontado datas importantes em relação à questão ambiental e as colocado como um calendário de lutas para trazer o debate na disputa das ideias, mas também com ações concretas nos territórios, mostrando que a reforma agrária é defender a natureza.
Então, temos ações também na Amazônia, por exemplo, com a produção de sistemas agroflorestais e de viveiros. Em Minas Gerais, especificamente na região da bacia do Rio Doce, estamos também com ações exitosas em relação à restauração do território atingido pelo rompimento da barragem.
Eu inclusive moro no assentamento Oziel Alves Pereira, em Governador Valadares, na região aqui do médio Rio Doce, onde nós temos feito um trabalho de reflorestamento de 2 mil hectares de áreas protegidas, que são de reserva e de preservação permanente. Estamos envolvendo cinco áreas diretamente, mas, ao todo, nós temos aqui 19 assentamentos que estão trabalhando nessa perspectiva da restauração, do cuidado com a natureza.
Nomeamos a nossa atividade, carinhosamente, como um Programa Popular de Agroecologia na Bacia do Rio Doce. Uma das ações principais é a restauração nesses 2 mil hectares, que já foram cercados e protegidos, e agora iniciamos um momento de plantio.
Temos outras ações também exitosas, como a produção de árvores não nativas, mas que dão frutas. Queremos plantar árvores, mas também queremos produzir alimentos saudáveis. Então buscamos conciliar essas duas perspectivas, usando o sistema agroflorestal como uma ferramenta muito importante.
Desenvolvemos essas experiências Brasil afora trazendo um olhar para os biomas. Temos seis grandes biomas no nosso grande Brasil, mas que estão totalmente devastados pelo capital, pelo agronegócio e pela mineração.
Se olharmos para o bioma da Caatinga também temos grandes ações de guardiões e coletores de sementes, com casas de sementes exitosas no Piauí, com implantação de sistemas agroflorestais em Pernambuco.
Na região do Rio de Janeiro, agora, estamos também com um projeto bem audacioso que tem envolvido as áreas de assentamento e que tem uma perspectiva diferente de vida. Os projetos de assentamentos têm uma lógica organizativa das famílias, de produção.
Mas existem também assentamentos que têm uma outra forma organizativa, que são os projetos de desenvolvimento sustentável (PDS). No Rio de Janeiro, temos vários PDS, assentamentos sustentáveis que também trabalham a perspectiva dos sistemas agroflorestais e da produção de alimentos saudáveis.
Além das árvores, então, o movimento também está produzindo grandes quantidades de alimentos?
A nossa proposta é justamente cuidar da natureza e produzir alimentos, porque cuidar da natureza, para nós, também é cuidar do povo e o povo precisa se alimentar, precisa ter moradia, precisa ter condições de vida digna.
Então, além dessas 100 milhões de árvores, estamos fazendo um trabalho muito importante no processo de organização de cadeias produtivas cruciais para nós. O exemplo mais exitoso é o arroz orgânico do Rio Grande do Sul, apesar de toda a consequência ambiental que o estado teve com as enchentes. As famílias têm conseguido reverter essa situação e voltar a produzir o arroz.
Mas há outras cadeias produtivas que também são de alimentação básica do povo brasileiro, como o feijão, cuja produção tem sido muito potencializada em Minas, como a cadeia das hortaliças e das frutas, do leite, da farinha, etc.
Estamos potencializando a produção de alimentos numa perspectiva de segurança alimentar das famílias, mas também numa perspectiva de soberania alimentar do povo brasileiro. Trabalhamos muito a produção de alimentos saudáveis, a partir de um processo que está relacionado com a comercialização em políticas públicas muito importantes para os assentamentos e para o povo brasileiro, que são o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que, durante o governo Bolsonaro ficou quatro anos parado, mas retomamos agora.
Temos feito doações para creches, hospitais, escolas, etc, e o próprio governo federal paga aos agricultores pela distribuição de alimentos. Além disso, também estamos trabalhando atualmente com uma nova perspectiva, que são as cozinhas solidárias. Além de produzir árvores, água e alimentos saudáveis, também estamos preparando alimentos e os distribuindo para as pessoas que hoje passam por maior necessidade no nosso país.
Pessoas que não necessariamente são vinculadas ao MST podem também participar do plantio de árvores?
Nós lançamos essa tarefa mas ela está dada para o Brasil inteiro. Nós não queremos que só o MST faça ações de plantio, mas que outros movimentos, comunidades, inclusive comunidades urbanas, também se envolvam.
Fazemos parcerias com algumas comunidades urbanas, com plantio de árvores nas cidades, nas praças públicas, e em outros locais. Estamos trabalhando no diálogo com a cidade, com o urbano, de forma a conhecer esses nossos territórios, que muitas vezes são carregados de preconceitos.
Fazemos também as vivências da reforma agrária, articulando com escolas e universidades, trazendo o pessoal para as áreas de assentamento para conhecer nossa realidade e fazer os plantios.
Hoje, não temos um método que contabilize esses plantios. No início da pandemia, iniciamos com um aplicativo, mas enfrentamos a dificuldade na zona rural com famílias, às vezes mais velhas, que não têm facilidade com meios tecnológicos. Então, o que temos feito é dialogar nos territórios e as próprias famílias vão contabilizando isso, nas cooperativas, nos coletivos de produção, nos coletivos de agroecologia, nas escolas do campo, etc.
É importante enfatizar a importância das escolas do campo no nosso plano nacional, porque elas estão trabalhando com as crianças, adolescentes e jovens a questão do plantio e do cuidado com a vida. Se em algum momento passamos a ter uma memória de destruição dos biomas, como reconstruir, na memória das crianças, o plantar e o cuidar?
Mas, para quem quer participar, é só entrar em contato, inclusive nas redes sociais, e procurar saber se tem algum assentamento, acampamento ou atividade do movimento próximo a você. Nós temos feito ações importantes nas capitais, que são os festivais e as feiras da reforma agrária. Nessas atividades, a gente também tem apresentado, além de toda a produção de alimentos, mudas, sementes, etc. Então, o pessoal da cidade que tiver interesse, basta procurar saber onde estão acontecendo essas feiras e festivais. Vão ser muito bem recebidos nessa grande missão de reconstruir nossos biomas e a natureza do Brasil.
Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.
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