2026 iniciou com uma série de embates geopolíticos protagonizados, em especial pelos Estados Unidos, sob comando de Donald Trump. O ataque à Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, as interferências norte-americanas nas manifestações no Irã, e o acirramento das tensões entre o governo estadunidense e países da Europa pelo controle da Groenlândia são alguns exemplos.
Diante desse contexto, muitos estão se perguntando se veremos no próximo período o agravamento dos conflitos bélicos e alguns chegam a questionar, inclusive, se estaríamos à beira de uma “terceira guerra mundial”. Sérgio Amadeu, sociólogo da Universidade Federal do ABC (UFABC) e ex-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação da Casa Civil, avalia que, ainda que o cenário esteja aberto, os últimos acontecimentos precisam chamar a atenção para o papel da tecnologia na estratégia de guerra dos Estados Unidos.
“Não dá para dizer que o ataque à Venezuela foi uma operação jamais vista, mas foi uma operação tecnologicamente baseada em dados. É uma guerra que cada vez mais mostra depender de uma articulação cibernética digital. Não é mais travada simplesmente com força de vontade. Muitas vezes é uma guerra sem contato, onde você elimina o inimigo à distância. A guerra hoje é tecnológica, depende de dados. Os outros países têm garra, ideologia e moral em suas tropas, mas isso não é suficiente contra uma assimetria tecnológica descomunal”, explica, ao Conversa Bem Viver.
Amadeu também discute o papel das big techs e redes sociais nesse processo. Ele destaca que os bancos de dados construídos pelas empresas de tecnologia servem não apenas para direcionar publicidades aos usuários, mas também são utilizados nas guerras e compõem um arsenal mobilizado pela extrema direita nos processos eleitorais. Ao considerar as eleições de 2026 no Brasil, o professor é enfático sobre o quanto essa estrutura será mobilizada.
“Eles vão usar as plataformas para interferir nas eleições. Conclamo a todos que não sejam ingênuos. Os algoritmos do grupo Meta (Facebook, Instagram) ou do Google não trabalharão de modo neutro; beneficiarão o discurso da extrema direita. Isso é básico. Dá para vencer, mas não vamos achar ingenuamente que as big techs vão agir como “menininhos perfumados” vendendo impulsionamento para candidatos de esquerda ou da democracia. Eles atuarão contra nós”, argumenta.
Leia a entrevista completa:
Brasil de Fato – Como você avalia as ações dos Estados Unidos no início deste ano, em especial o ataque à Venezuela?
Sérgio Amadeu – Os Estados Unidos utilizaram um poder bélico de invasão de um país, na verdade. Mobilizaram contra a Venezuela, naquela operação, durante menos de duas horas, 150 aeronaves que partiram de 20 pontos distintos, inclusive do maior porta-aviões do mundo, o Gerald Ford. Utilizaram mísseis que custam milhões de dólares e atuaram com uma sincronia muito precisa, articulando drones, espionagem em campo, sistemas sofisticados de comunicação nas aeronaves, nas naves e satélites.
Imagine que atacaram a Venezuela em três ondas. A primeira onda já tinha sido organizada nos dias anteriores. Fizeram intrusão em máquinas, computadores, sistemas automatizados e sistemas industriais da Venezuela. Eliminaram o sistema de energia da Venezuela com ataque cibernético, com vírus. Desabilitaram vários sistemas da PDVSA, que é a empresa de petróleo, e outras empresas que poderiam dar cobertura para um backup das Forças Armadas venezuelanas.
Em seguida, articularam a chamada guerra eletrônica, onde aviões apagam os sistemas de satélite venezuelanos com saturação, inclusive dos sistemas antimísseis que os russos tinham colocado à disposição da Venezuela. São sistemas altamente sofisticados, mas que os americanos estudaram e anularam com saturação, ou seja, com várias ondas que deixaram esses sistemas inoperantes ou com muita dificuldade de encontrar alvos precisos.
Dentro desse segundo ataque, essa segunda onda que chamei de guerra eletrônica, logo após a guerra cibernética, eles começaram a lançar drones que são fisgas, iscas de baixo custo. As baterias antiaéreas que não tinham sido desabilitadas e os radares que ainda funcionavam iam atrás desses aparatos.
Ao atacar esses drones como se fossem aviões militares ou drones de ataque, em uma região totalmente escura, eles denunciavam a sua posição, o que era alvo de ataques de mísseis e drones que vinham logo a seguir na terceira onda.
A terceira onda juntou muita fuzilaria e muitos mísseis em uma cidade escura. Na minha opinião — não dá para saber, a Venezuela sabe, mas nem quero que eles me falem isso —, no quartel onde estava o Maduro houve um trabalho de desligar o sistema de energia secundário. Uma vez que o local ficou às escuras, entraria em operação um sistema backup de energia. Só que esse sistema não entrou em operação. Ou ele foi sabotado internamente por pessoas ou já foi trabalhado ciberneticamente.
Mas eu acho que ele não estava em nenhuma rede, portanto, acho que foi desabilitado por infiltração. Basta uma ou duas pessoas para tirarem os geradores de energia que deveriam entrar em operação e não entraram.
Então, com a Venezuela às escuras e um ataque de mísseis em vários lugares, não dava para saber o comando do plano venezuelano. Não havia comunicação estabelecida, ela estava derrubada, e não dava para saber qual era o objetivo dos Estados Unidos. Claro, sempre teve o objetivo de sequestrar o Maduro. Esse era um dos objetivos, só que não dava para saber, dada a dimensão gigantesca do ataque.
Toda essa dimensão foi para que não houvesse nenhuma possibilidade de resistência a uma equipe diminuta de Deltas, de Seals, de soldados especializados que chegaram até o quartel. Para dar tudo certo e rápido, tinha que estar completamente às escuras e já atingido por mísseis em partes que não oferecessem perigo ao objetivo, que era pegar o Maduro vivo. Me parece que era isso.
Encontraram uma resistência cubana, mas alguns cubanos, no meu modo de ver, já tinham sido eliminados por mísseis e drones, porque não estavam exatamente onde era o local que Maduro dormia. Os que estavam ali não tiveram nenhuma chance. Digo por quê: os americanos entraram com óculos de visão noturna e bombas de iluminação em uma situação de combate interno onde não há luz.
Sem tecnologia você não vence esses combates. Suspeita-se que utilizaram drones muito pequenos que entram nos corredores e têm sinal de calor. Repare: não é que você não seja preparado ou um soldado de elite, mas você não tem a mínima chance quando é um alvo visível e os seus alvos não são visíveis.
Digo isso porque foi o que aconteceu. Eliminaram rapidamente uma força de elite cubana altamente preparada, que lutou e poderia ter se rendido. Ela lutou e, infelizmente, foi abatida. Essa história de que houve um complô ou que deixaram eles entrarem não foi nada disso.
Teve infiltração, a CIA estava em solo venezuelano, via onde estavam os movimentos das Forças Armadas, mas não foi uma entrega de Maduro. No meu modo de ver, é muito difícil que não tenha tido combate. O problema é que a situação de assimetria era muito grande.
Não dá para dizer que foi uma operação jamais vista, mas foi uma operação tecnologicamente baseada em dados, muito articulada, onde limparam um trajeto para que os helicópteros — que voam muito lentamente — chegassem sem combate até o ponto de extração do presidente Maduro. Essa foi a realidade.
É uma guerra que cada vez mais mostra depender de uma articulação cibernética digital. Não é mais travada simplesmente com força de vontade. Muitas vezes é uma guerra sem contato, onde você elimina o inimigo à distância com artilharia, mísseis de precisão e drones, que são cada vez mais empregados.
Desde a guerra entre o Azerbaijão e a Armênia, onde o Azerbaijão eliminou a vantagem dos tanques da Armênia com drones, de 2008 até agora, os sistemas automatizados e o uso de satélites, a articulação comunicacional entre ataque, defesa e tropa é algo que depende de sistemas automatizados e de uma quantidade permanente de dados em tempo real. Os Estados Unidos têm isso, têm essa capacidade operacional.
Outros países estão percebendo que precisam dessa capacidade. Não é qualquer país que tem. Se houvesse um combate com a tropa, se não tivesse caído a luz no quartel, não sei se o sucesso da operação ocorreria. Eles poderiam ter um plano B, como soltar mísseis Tomahawk no quartel e matar todo mundo. Mas, se houvesse luz e resistência, não conseguiriam ter o sucesso que tiveram contra a guarda cubana.
Não podemos subestimar a tecnologia. Os Estados Unidos têm treinamento, história militar e tradição em invasões. Só que as resistências também são poderosas. Ocorre que a guerra hoje é tecnológica, depende de dados. Eles utilizam muito isso. Os outros países — da América do Sul e a própria Cuba — têm garra, ideologia e moral em suas tropas, mas isso não é suficiente contra uma assimetria tecnológica descomunal. A guerra hoje é uma guerra onde o meio digital e a articulação dos sistemas automatizados são vitais.
O quanto nós que utilizamos muito da tecnologia desenvolvida pelas big techs do Vale do Silício estamos sendo usados para gerar dados e acelerar ainda mais esse processo? Como isso se expressou, por exemplo, nas recentes manifestações iranianas?
Além de pegar dados, no caso do Irã, existe um sentimento autêntico que inicia as manifestações, mas depois há infiltrações de grupos preparados para atuar de forma violenta. São grupos pró-americanos que estão lá para garantir a comunicação entre suas células.
O Elon Musk cumpre um papel, como as big techs, que integra o sistema de defesa norte-americano hoje. Elas não são empresas quaisquer. Além de obterem dados, se precisassem fazer uma guerra de atrito na Venezuela, usariam as técnicas que testaram na Faixa de Gaza. Essas técnicas consistem em identificar quem são militantes, apoiadores e lideranças fundamentais para eliminá-los à distância. Como obtêm isso? Por padrões em redes sociais.
Assim como a publicidade é usada para saber se você gosta de Coca-Cola ou Pepsi, eles passam algoritmos e treinam redes neurais — a chamada inteligência artificial. São extratores de padrões. Eles treinam essas redes com modelos e dizem: “um cara que clica desse jeito, fala daquele jeito, age assim e posta isso nas redes sociais é um simpatizante. Quem faz outro tipo de coisa é um militante. Aquele outro é um dirigente”.
Uma vez que têm isso, conseguem georreferenciar o celular ou o computador e, com precisão, saber onde a pessoa está. Para quê? Para eliminar o alvo antes do ataque. Em uma guerra de atrito, eles vão eliminar alvos como fizeram na Faixa de Gaza. Eles tinham um padrão e as big techs participaram disso. Inclusive a Palantir [empresa de software] teve papel decisivo na Faixa de Gaza para identificar militantes e simpatizantes do Hamas e atingi-los com um programa chamado Where’s Daddy? (Onde está o papai?), atingindo o indivíduo em casa, com sua família, fora de áreas de combate.
Dados de redes sociais e de navegação são utilizados pelos sistemas de ataque das Forças Armadas porque quem integra esses sistemas nos Estados Unidos são as big techs. É curioso que as pessoas achem isso ficção, sendo que a própria Microsoft, no final do ano passado, reconheceu parcialmente isso dizendo, que seu data center foi utilizado para ataques na Faixa de Gaza.
Alegaram que não sabiam, mas é óbvio que sabiam. Participaram de projetos de adequação e treinamento de IA para esses programas de fixação de alvos civis. Quando o indivíduo está fora da área de combate, ele não é um militar. As pessoas estão sendo assassinadas e caçadas fora de áreas de combate. É inacreditável. Além disso, há a possibilidade de lançar desinformação em massa nas redes, o que as big techs fazem.
O que devemos fazer diante desse cenário, em especial considerando as eleições brasileiras em 2026?
Por mais que eles tenham esse aparato tecnológico, temos a realidade a nosso favor. Eles vão usar as plataformas para interferir nas eleições. Conclamo a todos que não sejam ingênuos. Os algoritmos do grupo Meta (Facebook, Instagram) ou do Google não trabalharão de modo neutro; beneficiarão o discurso da extrema direita. Isso é básico.
Portanto, na consulta das regras eleitorais do TSE, precisamos exigir um artigo: as big techs não podem interferir algoritmicamente na distribuição de conteúdos. Segundo, devemos proibir o WhatsApp Business para distribuição massiva. E precisamos impedir que pessoas comuns, durante o período da eleição, possam impulsionar postagens políticas.
A extrema direita não atua apenas com o comitê do candidato. Ela paga “zumbis digitais” que recebem dinheiro para fazer postagens e distribuir desinformação. Na hora de olhar o comitê oficial, parece que ele fez pouca coisa, mas a campanha real é o “lado B”, a que não aparece. Muita gente vai dizer que não quer fazer isso, mas, se não fizermos, a eleição será mais dura.
Dá para vencer, mas será difícil. O que eles oferecem é destruição de direitos e submissão. Uma parte da população não quer isso, por isso temos chance. Mas não vamos achar ingenuamente que as big techs vão agir como “menininhos perfumados” vendendo impulsionamento para candidatos de esquerda ou da democracia.
Eles atuarão contra nós. Temos muitos militantes que querem defender direitos, mas não podemos ser ingênuos. Dá para ganhar? Dá, mas vamos enfrentar um aparato que não será desabilitado até a eleição. Vamos ter que lutar em terreno inimigo, mas temos ao nosso lado os argumentos e a verdade. Temos que denunciar um Congresso inimigo do povo.
Teremos bloqueio algorítmico e redução de visualização, mas vamos tentar ver se a Justiça Eleitoral equilibra as regras do jogo e controla melhor as big techs. Tudo isso está em jogo agora, no momento pré-eleitoral em que o TSE começa a se reunir, até 30 de janeiro.
Estamos entrando na reta final e é o momento de intervir. Depois haverá o período de discussão e nós, como sociedade civil, precisamos acompanhar e cobrar. Não basta ter uma legislação robusta; precisamos cobrar que o TSE interfira e acompanhe cada momento, porque a velocidade da desinformação ultrapassa qualquer mecanismo de controle. Precisamos da coletividade atenta e denunciando.
Toda vez que vir desinformação sendo replicada, denuncie. Diga às pessoas que replicam que aquilo é perigoso e denuncie ao Ministério Público. O importante é resistir. O Brasil tem condição de ampliar a democracia e avançar na luta por direitos. Temos condição de fazer os ricos pagarem impostos e reduzir a carga sobre os pobres que têm sustentado o país. Nós trabalhamos, sustentamos o país e eles têm os privilégios. Chega. Temos essa capacidade agora e podemos ganhar.
Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.
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