Carnaval paulistano

‘Príncipe do Bixiga’, Rom Santana faz maratona de shows no Carnaval de São Paulo

Cantor baiano que ganhou o público do centro de SP com apresentações na rua, agora atraí multidões para suas festas

O cantos Rom Santana, conhecido como 'Príncipe do Bixiga'
O cantos Rom Santana, conhecido como ‘Príncipe do Bixiga’ | Crédito: Divulgação/ Rom Santana

No final de 2022, a agitada vida boêmia do bairro do Bixiga, no centro da cidade de São Paulo (SP), ganhava um novo personagem, o cantor baiano Rom Santana, que hoje arrasta grande público em seus shows.

Natural de Iramaia, município baiano da região da Chapada Diamantina, Rom chegou em São Paulo sem pretensões artísticas, e, como muitos outros migrantes, em busca de novas oportunidades. 

Rom começou se apresentando com uma caixa de som e um microfone nas ruas do bairro que é considerado reduto do samba da capital paulista.

Hoje, com repertório vasto que vai do forró ao pagodão baiano, passando por brega e piseiro, ele é chamado de “Príncipe do Bixiga” e vai realizar a primeira edição do Bloco do Felino, comandado por ele. Ele ainda participa como convidado de diversas festas e blocos durante o carnaval 2026.

Ao Conversa Bem Viver desta sexta-feira de Carnaval, o cantor falou sobre a vida antes da música, a vinda para São Paulo, comentou sua trajetória meteórica como músico e sua relação com carnaval.

Agenda de shows e festas 

14/02 – 12h – Bloco Jetreme Mon Amour ( Concentração na Rua Rui Barbosa, 572)

15/02 – 12h – CarnaForró de mano Véio Mano Novo (Avenida 9 de Julho, 1100)

16/02 – 10h – Bloco Esfarrapados (Concentração na esquina da Rua 13 de Maio com a Rua Conselheiro Carrão)

16/02 – 14h30 – Carnaval do Mundo Pensante (Rua Treze de Maio, 830 )

16/02 – 20h30 – Carnaval da Casa de Francisca (Rua Quintino Bocaiúva, 22)

17/02 – 12h – Bloco do Felino (Concentração na Rua Rui Barbosa, 572)

Confira a entrevista completa

Brasil de Fato: Com certeza você brinca o Carnaval faz bastante tempo, mas dá para dizer que 2026 é o teu primeiro Carnaval como o príncipe do Bixiga? É possível dizer que é uma estreia oficial como artista no Carnaval? 

Rom Santana: Exatamente, esse Carnaval de 2026 vai ser algo mais especial para gente, porque também a gente vai estar com o nosso bloco na rua. Ano passado também foi legal, a gente trabalhou bem o Carnaval, participei de um bloco, mas esse ano está mais especial. 

A gente já participou de dois blocos: o Bloco da 13 e também o Bloco do Acadêmicos do Baixa Augusta, que tinha mais de 1,5 milhão de pessoas. E na terça também vai ter o nosso bloco, que vai estar lá nas ruas do Bixiga.

Queria aproveitar a oportunidade para puxar um pouquinho da sua história. Todo mundo admira muito o sucesso que você tá fazendo, é muito legal trazer falar da sua origem. Como foi a chegada em São Paulo em 2010, 2011?

Foi ali no início de 2011 que vim para São Paulo, para trabalhar, assim como vários outros nordestinos, e fiquei trabalhando mais ou menos uns 12 anos fora da música. Eu sempre gostei da música, mas ainda não tinha tido a iniciativa de cantar. Certo dia eu comecei a fazer vídeos para o Facebook, não tinha Instagram na época e ali geravam algumas curtidas

Um dia eu passei em frente a um bar no Bixiga, cantei uma música lá, o cara gostou, elogiou e falou: “Pô, você podia cantar, você cantar bem”. Aquilo me deixou otimista. E comecei a cantar nos botecos, fazer show mesmo foi ali no final de 2022 para 2023, a partir daí eu fui ganhando uma galera, um público, mas de 2025 para cá foi onde deu esse boom, que a gente tá conseguindo colocar um público nas casas de shows, conseguimos  também ir para outros estados, como a Bahia. Eu sou baiano, mas ainda não cantava lá. 

Iramaia é uma cidade não tão grande, interior da Bahia, fica a 430 km de Salvador. Nasci lá na cidade, mas eu me criei na roça, lá na região da Lagoa do Arroz, na Chapada Diamantina, perto de Jequié, Maracás, Barra do Xiba, aquela região ali de Iramaia.

Lá a gente plantava de tudo, na roça, melancia, feijão, abóbora, que a gente gostava muito, e maxixe. A gente plantava para o consumo. A minha rotina era trabalhar, para fazendeiros, para outras pessoas e o dia inteiro. Era muito difícil para a gente que era novo, trabalhar na roça muito cedo para ajudar em casa, a partir daí eu tive a vontade de vir para São Paulo para poder ir em busca de uma oportunidade melhor. Aqui eu fiquei trabalhando em pizzaria, como pizzaiolo, restaurantes, o último trabalho fora da música foi como motoboy. E graças a Deus hoje o meu trabalho é na música, uma coisa que eu gosto muito, que eu amo fazer. 

São Paulo é conhecida como uma terra de oportunidades, mas a gente também sabe que às vezes ela é muito hostil, especialmente com quem vem de fora, especialmente com pessoas que vêm do Nordeste. Foi o teu caso? Como foi essa chegada nos primeiros dias, primeiros meses? 

Olha, eu vou te falar, não foi fácil eu estar aqui em São Paulo, passei por várias dificuldades. Quando eu cheguei meu irmão já morava aqui, e eu vim para trabalhar como ajudante de pizzaria. Porém, a gente não ganhava muito. Eu lembro que quando a gente chegou, eu e meu irmão, a gente dividia um colchão de solteiro, um dormia para cima e outro para baixo. E assim a gente passou um bom tempo, até eu conseguir melhorar o meu salário, passando a pizzaiolo. Depois eu fui para o restaurante. Você chega geralmente como auxiliar de cozinha, chega ganhando um pouco. Aqui em São Paulo, você sabe que nada é de graça, tudo muito caro, aluguel principalmente. 

Então eu passei por várias dificuldades mesmo. Na época, eu comprei uma moto para trabalhar como motoboy, furtaram a minha moto, não tinha seguro. Naquele momento, eu me sentia arrasado, pensei em voltar para casa na Bahia. Só que eu falei: “Cara, como que eu vou voltar para casa?”. Se eu não fosse um cara de mente forte, eu acho que ia pirar. Por mais que estava sendo difícil a minha realidade aqui em São Paulo, eu nunca me deixei levar, mas foi aí que eu me envolvi com a música, que também não foi fácil.

Quando eu era motoboy, comecei à noite nos bares, onde tinha música ao vivo e lá ia pedir oportunidade para o dono do bar, e falava para ele: “Cara, eu quero que você me dê uma oportunidade, no final do show, se você não gostar, não precisa pagar, tá tudo certo, vou embora e tá tranquilo”. E aí, ele: “Beleza, então vem”. Aí eu ia lá numa sexta-feira, fazia o show, ele gostava, e ia me dando oportunidade de novo. Por isso que eu falo que ninguém entende os planos de Deus, que talvez se não tivessem roubado a minha moto, eu não estaria posicionado na música como eu estou hoje.

Queria falar um pouquinho agora sobre o Bixiga, que foi onde tudo começou e segue tendo uma euforia. É um bairro que historicamente representa muito da força negra, também italiana, claro, mas especialmente dessa população que durante muito tempo foi escravizada e conseguiu a liberdade lá e fez do Bixiga um território realmente ancestral de muita produção artística, de muita produção de outras tecnologias, de outros conhecimentos. Lá teve o Quilombo Saracura, depois tem a Escola de Samba Vai-Vai até hoje. Isso também é algo que reverbera em você quando decidiu tocar lá? 

Sim, o Bixiga, significa muito para mim. Desde quando eu vim da Bahia para São Paulo, eu vim para morar e para trabalhar no Bixiga. Eu sempre morei no Bixiga até hoje eu tô lá e foi lá que eu comecei também a minha trajetória da música. É a minha casa de fato. Eu comecei a ganhar ali na [rua] 13 de maio, que é o reduto do samba. Esse público que me abraçou, abraçou o Rom Santana sozinho ali cantando com uma caixa, um microfone.

Eu tô sempre falando, exaltando o Bixiga porque é a minha casa e foi onde tudo começou na minha trajetória na música.

Dentro da tua família tinha alguém que também já foi músico, que tinha talento para música?

O meu pai, ele gosta de fazer uns repentes, para ficar resenhando nos botecos lá na Bahia, toca um pouco de violão e ele gosta de fazer umas rimas e tal, mas não passa daquilo ali. Mas envolvido  na música como eu estou, não tem não, foi só eu mesmo. 

E esses repentes te influenciaram?

De certa maneira sim, meu pai, antigamente, fazia artesanato. E eu lembro que ele fez uma vez uma bateria de madeira e eu, criança, ficava tocando aquela bateria. Antigamente tinha mascate. Mascate é aquele pessoal que passava nas casas vendendo coisas e eles queriam me ver  tocar. Aí meu pai falava: “Dá R$ 2 então que ele toca”.  Então, eu acredito que isso daí influenciou, sim, a começar a gostar da música.

Por mais que meu pai lá na Bahia não teve a oportunidade, pela nossa condição, de me levar para música mesmo, para me apresentar. Eu acho que isso acabou atrasando a minha trajetória na música, mas Deus sabe o que faz.

Faz um repente do teu pai para nós.

Eu vou falar agora as peças que a moto tem”. Aí ele começa a falar das peças da moto. “Vou falar para vocês, nunca contei para ninguém. Eu vou falar agora as peças que a moto tem”. Aí ele começa a rimar do motor, do parafuso, do pisca, enfim. 

Queria também te ouvir se a lei do Psiu tem sido um empecilho para você desenvolver seu trabalho?

A situação é complicada. Na música, comecei na rua, é um show que eu gosto muito de fazer, gosto desse clima de rua, eu costumo dizer que é um show mais democrático. 

Tem duas situações: tem essa lei, que tá impedindo os eventos de acontecer, não só o meu, mas de várias outras outras pessoas, do samba, por exemplo. Mas, pelo que eu vejo, também não é só isso, não é só no meu show. Eles estão bem rígidos, infelizmente, porque tem muitos artistas que dependem desses eventos para poder trabalhar, assim como eu dependo também. A gente continua fazendo show na rua até hoje, e esse pessoal aí tá batendo forte em cima disso. 

E aí eu ia te perguntar: você concorda que o Wagner Moura tem o molho mesmo?

Rapaz, eu vi ele dançando e ele tem um gingado, para ele ganhar esse prêmio, Globo de Ouro, ele, no mínimo tem que ter o molho, além do talento que ele tem, ele é um bom ator, enfim, é sem sem dúvida que ele realmente tem o molho.

Você acredita que a Bahia tem muito para ensinar para São Paulo? 

Eu, quando eu comecei a cantar aqui, eu comecei cantando forró e piseiro. É algo que eu gosto muito e eu também amo o pagode baiano, mas eu não comecei cantando o pagode baiano por quê? Porque aqui em São Paulo não tinha, mas eu sempre gostei. 

O pagode baiano, independente, qualquer pagode, qualquer cantor de pagode lá, se você colocar no som para tocar, você não fica parado, é um swing que te leva. Você não precisa nem cantar, porque começou a tocar o pagode ali, pronto, você já começa a se envolver com a música. Aí eu comecei a cantar o pagode e hoje é o auge do meu repertório é o momento que a gente canta pagode. É algo que é da Bahia, esse pagodão que a gente canta.

Então, sim, tem muita coisa que influencia, que a galera daqui gosta e que tá lá na Bahia, algo da Bahia, a cultura da Bahia. A Bahia tem muito para ensinar pra gente, na música principalmente, aqui em São Paulo. 

Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.

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Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o programa Bem Viver de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para ser incluído na nossa lista de distribuição, entre em contato por meio do formulário.

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Editado por: Maria Teresa Cruz

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