Nas telas

Mundo olha mais para o Brasil, diz atriz de ‘Homem em Chamas’

Pâmela Germano integra o elenco da série da Netflix e defende a pluralidade do cinema nacional

Pâmela Germano integra o elenco de 'Homem em Chamas', da Netflix
Pâmela Germano integra o elenco de ‘Homem em Chamas’, da Netflix | Crédito: Duda Portella

A recente série da Netflix “Homem em Chamas” (“Man on Fire“), produção baseada no clássico filme homônimo de 2004 estrelado por Denzel Washington, tem um de seus episódios dirigido pelo brasileiro Vicente Amorim.

Na versão da série, a história se passa na cidade do Rio de Janeiro, e, para além da direção de Amorim, a obra conta com outros destaques nacionais, como Alice Braga no papel de Valéria Melo, Thomás Aquino como Soares e Pâmela Germano como Marina.

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rede Brasil de Fato, Pâmela avalia que a série faz parte de um momento inédito de internacionalização do cinema brasileiro. “Eu sinto que isso está sendo impresso no mercado, essa vontade de trazer as nossas vivências, as nossas narrativas. É um momento em que o mundo está olhando e vendo um pouco mais do Brasil”, diz.

Ela destaca a diversidade da produção nacional. “Eu sou de Brasília, outros atores eram do Rio, outro era do Ceará. Quando a gente fala dessas presenças, dessas vivências, do nosso jeito de fazer as coisas, isso era muito sentido. A gente conversava muito sobre isso. É uma forma de reconhecer o nosso traço, que é tão múltiplo. Não existe o cinema brasileiro. Existem muitos cinemas brasileiros“.

A atriz também comentou sobre outras produções em que está envolvida, com estreias previstas para 2026. É o caso do filme “Santa Dica”, que apresenta a história de Dona Dica dos Anjos. “Ela foi essa figura, chamada na época, no século passado, de ‘Antônio Conselheiro de Saias’. Ela faz parte desse grande baú de figuras messiânicas brasileiras, mas a gente só conhece as masculinas. Ela é muito emblemática e eu quero muito que as pessoas a conheçam”, afirma.

Leia a entrevista completa:

Brasil de Fato: Quero começar te perguntando como está a emoção da estreia de “Homem em Chamas” na Netflix. Conta pra gente como foi o set da produção. No set vocês falavam mais em inglês ou em português?

Pâmela Germano: No set era uma loucura, porque a gente falava três línguas. Na verdade, quatro, porque ainda tinha um elenco russo. E a maior parte da série foi gravada no México. Apesar de se ambientar no Rio de Janeiro, muitas cenas foram feitas no México, em estúdio, nas ruas da Cidade do México. Mas houve um determinado momento em que a gente concentrou as gravações no Rio.

A equipe era majoritariamente mexicana, então o elenco brasileiro mandava um portunhol e a gente foi aprendendo a falar cada vez melhor o espanhol. Mas com a direção e com o elenco, era realmente majoritariamente em inglês. E era muito emocionante. Eu, pelo menos, estava perplexa o tempo todo com a estrutura, com as pessoas com quem eu estava trabalhando. E isso também não foi solitário. Eu estava compartilhando aquela conquista com o elenco brasileiro: Jeff Nascimento, Iago, Bruno Rey, e a Alice Braga. Foi maravilhoso atuar com a Alice Braga. Ela é muito fundamentada, muito aprofundada, tem muito aterramento. Aprendi muito com ela. Ela é muito generosa.

E a recepção está sendo emocionante. Até compartilhei esses dias no meu Instagram uma foto da minha avó, da minha bisavó e das minhas tias assistindo, todas com uma cara meio ruim porque não gostam de violência, mas realmente estamos recebendo mensagens muito lindas de quem está vibrando, de quem acompanha o que é viver de arte e todos os sacrifícios que essa carreira exige. Então, está sendo tudo com muita alegria. Estou tentando também ser bem consciente de tudo, para exercer a minha presença e ter a oportunidade de falar um pouco sobre a artista que eu sou, porque eu não sou só atriz. Está sendo muito especial. Estou pronta para tudo.

Além do elenco que você comentou, tem equipe brasileira por trás das câmeras?

Foi uma equipe brasileira aqui no Rio. E um dos diretores é o Vicente Amorim. São quatro diretores que conduzem a série: o Steven Caple Jr., que também é o produtor executivo; a Clare Kilner, com quem foi um sonho trabalhar, que é a diretora de “House of the Dragon” [série da HBO “A Casa do Dragão”]; o Michael Cuesta; e o Vicente Amorim, assinando esse olhar mais brasileiro da coisa.

Quando a gente contrata trabalhadores e artistas brasileiros e os coloca ali na tela, numa produção com toda uma dramaturgia e uma narrativa do Rio de Janeiro, da periferia…Eu sou de Brasília, outros atores eram do Rio, outro era do Ceará. Quando a gente fala dessas presenças, fala dessas vivências, fala do nosso jeito de fazer as coisas. Então, isso era muito sentido. A gente conversava muito sobre isso. É uma forma de reconhecer o nosso traço, que é tão múltiplo. Não existe o cinema brasileiro. Existem muitos cinemas brasileiros.

Isso é cada vez mais evidente, principalmente por conta desse momento muito bonito que o cinema nacional está vivendo. Nunca tivemos uma sequência tão grande de premiações internacionais, de presenças em tapetes vermelhos mundo afora. O que não faltam são força, produção e diversidade.

Estamos muito acostumados a ver as produções de Hollywood e tentar nos encaixar naquilo. De repente, a gente consegue ver essas produções regionais, esse cinema independente mostrando algo que é muito nosso, muito cotidiano. Eu vejo que o cinema brasileiro está conseguindo ter esse equilíbrio: ter uma grande produção como “Homem em Chamas” não significa apagar a pluralidade do cinema nacional, que se diversifica nos seus 26 estados.

Isso é grandioso. Quando a gente se reconhece, surge esse sentimento de pertencimento, de coletividade, de território. A palavra “doutrinados” é forte, mas é verdade: a gente é assombrado por determinadas imagens e falas, e recebe muito dos Estados Unidos, dessa produção hollywoodiana. Então, “Homem em Chamas” faz parte desse momento inédito de internacionalização de que você está falando.

Porque eu sinto que isso está sendo impresso no mercado, essa vontade de trazer as nossas vivências, as nossas narrativas. Eu acho que é um momento em que o mundo está olhando e enxergando um pouco mais do Brasil.

Existe o ineditismo de ter um elenco brasileiro tão grande numa produção de ação, uma releitura de um filme do Denzel Washington com atores jovens e em formação. A Alice Braga já trabalha há muito tempo lá fora e é um pouco esse rosto de referência nesse sentido. Então, quando atores novos, de tantos lugares do país, chegam marcando presença numa produção mista, é realmente grandioso. Estou muito feliz de ter feito parte disso. Muito honrada.

Quero falar agora de outra estreia que está por vir, que é o filme “As 10 Vantagens de Morrer Depois de Você”, baseado no livro de Fernanda Castro e Lima. Esse filme está muito bem cotado para ser mais um daqueles que vai circular mundo afora e participar de festivais internacionais. Apresenta um pouquinho do filme para a gente.

Que massa você falar isso, fico muito feliz! O filme fala sobre essa personagem que a Anne Gabrielle interpreta, ela está gigantesca, vai ser lindo demais quando todo mundo vir a Gabi. A história fala sobre uma adolescente que passa por um luto. É um filme sobre a perda, sobre essa relação com a morte e, por consequência, sobre a continuidade da vida depois disso.

Eu interpreto a Lorena, que é uma figura muito disruptiva, sem medo de nada, e que dá uma nova face a toda essa temática da morte. Ela é uma personagem muito importante para complexificar um pouco esse debate.

É uma produção da Paris Filmes com direção do Diego Freitas. A expectativa está alta. É meu primeiro trabalho com a Paris, estou muito feliz. Foi um processo maravilhoso do início ao fim, vou levar para a minha vida toda. Muito incrível.

E antes de falar do que mais vem por aí, queria também celebrar um pouco outro filme pelo qual a gente tem um carinho muito especial e que acompanhou a estreia: “A Batalha da Rua Maria Antônia”, um filme fundamental para marcar o que foi a ditadura militar. Eu fico pensando que esse filme foi um abre-caminhos para essa grande leva de produções que abordam a ditadura militar.

Com certeza absoluta, sim. Inclusive, eu ficava com uma sensação de vertigem, porque existe esse paralelo com a realidade do que a gente estava vivendo e das novas produções a respeito da ditadura. Acho que ele estava tão fresco, tão paralelo à realidade de retomada do passado, que realmente me colocou num lugar de vertigem, vivendo tanto lá quanto aqui.

Esse filme compõe a trajetória dessa retomada. Os três filmes, “A Batalha da Rua Maria Antônia“, “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”, escolhem prismas subjetivos e ângulos muito singulares, diferentes dos documentários mais clássicos a respeito desse período histórico.

“A Batalha” eu acho primoroso em muitos sentidos, tanto na forma como foi gravado, em película, preto e branco, com 20 planos-sequência, quanto na experiência que proporcionou. Foi único, especialíssimo. Me viciei em plano-sequência; quero fazer muito mais trabalhos assim. É uma das características mais primorosas daquele filme: ele se passa em 24 horas, no 2 de outubro de 1968, e acompanha de forma mais íntima a relação das pessoas inseridas naquele momento.

A gente entra em contato com uma camada que é a dramaturgia das relações afetivas das personagens, um círculo menor, mas no círculo maior está se passando todo o contexto que a gente já conhece muito bem, que reflete toda a ditadura, todo o momento que veio depois, o AI-5, intimamente ligado ao Congresso de Ibiúna.

Com certeza esse trabalho que a Vera Egito fez, e que nós fizemos com esses estudantes, toca nessa corda narrativa sobre a ditadura e abre portas para a gente revisitar esse lugar de maneiras mais criativas.

Se pudesse falar um pouco sobre “Santa Dica”, para encerrar.

Massa! Eu me empolgo para falar sobre “Santa Dica”, porque acho que a gente vai começar a falar mais desse trabalho e dessa figura histórica que é Dona Dica dos Anjos, essa mulher goiana, uma figura do interior de Goiás, a 40 km de Pirenópolis. Uma figura política muito forte, muito esquecida, muito apagada até hoje pelo Brasil, tanto pela Igreja quanto pelo Estado.

Justamente porque ela foi chamada na época, no século passado, de “Antônio Conselheiro de saias”. Ela faz parte desse grande baú de figuras messiânicas brasileiras, mas a gente só conhece as masculinas. Então, ela é muito emblemática. Quero muito que as pessoas a conheçam, e tive a grande sorte e o privilégio de interpretá-la. Uma figura que conversava com anjos, que curava pessoas, que redistribuía terras de latifundiários que não estavam sendo usadas. O MST tem uma bandeira da Santa Dica, mas o Brasil não sabe quem ela é. Espero tê-la apresentado bem, porque sou muito fã dessa história, dessa figura feminina tão extraordinária.

E tem outro trabalho que vai estrear esse ano: uma curta-metragem de Brasília chamada “Música Secular”. Defendo muito o cinema independente de Brasília, já estive com vários filmes em festivais internacionais e nacionais, às vezes sendo a única brasileira presente, defendendo o nosso cinema por ali.

Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.

O programa de rádio Conversa Bem Viver vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 8h, na Rádio Brasil de Fato. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo. A versão em vídeo é semanal e vai ao ar aos sábados a partir das 13h30 no YouTube do Brasil de Fato e TVs retransmissoras.

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Editado por: Thaís Ferraz

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