Sem acordo para fósseis

COP30: ‘Havia 1.600 lobistas de petróleo credenciados’, relata diretor do Instituto Futuro

Para Juliano Medeiros, pressão de países petrolíferos travou metas para abandonar fósseis apesar de grande mobilização social

Segundo Juliano Medeiros, lobistas do petróleo atuaram no evento para barrar metas de eliminação dos combustíveis fósseis
Segundo Juliano Medeiros, lobistas do petróleo atuaram no evento para barrar metas de eliminação dos combustíveis fósseis | Crédito: Ahmad Al-Rubaye/AFP

A ausência do termo “combustíveis fósseis” no texto final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), em Belém (PA), é uma consequência do poder dos países produtores de petróleo, avaliou o cientista político Juliano Medeiros, diretor do Instituto Futuro. Segundo ele, a Arábia Saudita, por exemplo, liderou o bloqueio para impedir as metas de abandono desses combustíveis. “Havia 1.600 lobistas das indústrias petrolíferas credenciados nessa COP”, relatou ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato.

Medeiros analisou que o sistema de decisões por consenso nas conferências do clima tem se transformado em uma “ditadura da minoria”, permitindo que poucos países paralisem acordos essenciais. Ao mesmo tempo, o diretor lembrou que os grandes responsáveis históricos pela crise climática continuam resistentes a financiar a transição. “Quem deveria pagar são os ricos e os que se beneficiaram com as emissões, e não os países pobres”, criticou.

Apesar dos limites, ele considerou a COP30 um marco político, principalmente pela mobilização social na capital paraense. “Essa foi a quinta COP que eu participei e posso assegurar que foi a COP mais democrática, no sentido de ser atravessada pela pressão popular e pela pressão social”, destacou, citando o protagonismo dos povos indígenas, das comunidades negras e dos movimentos socioambientais no evento.

Na avaliação de Medeiros, o Brasil saiu fortalecido ao chegar ao encontro com queda de desmatamento e uma maior presença indígena credenciada. “O Brasil chegou nessa COP com uma redução de 50% do desmatamento na Amazônia”, apontou, ressaltando o trabalho da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a atuação da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e da delegação indígena na cobrança pela demarcação de terras.

Porém, ele alertou que tanto o modelo de financiamento quanto a velocidade da transição ainda estão aquém do necessário e que a disputa é estrutural. “É uma luta da vida contra a morte. O sistema fará uma transição não para salvar vidas, mas para salvar a si mesmo, para salvar a sua capacidade de seguir ganhando dinheiro. E nós queremos salvar os seres humanos”, afirmou.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 21h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato o programa é veiculado às 19h.

Editado por: Luís Indriunas

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