Visibilidade trans

Criadora do canal ‘As Trava da Vida’ defende que informação é arma contra pânico moral da extrema direita

Michelle Soares refuta narrativas transfóbicas em debates com conservadores e em seu canal no YouTube

Michelle Soares
Michelle Soares é criadora do canal do YouTube As Trava da Vida, que tem mais de 70 mil inscritos, e é um espaço de combate ao pânico moral | Crédito: Arquivo pessoal

A ex-policial e ativista LGBT+ Michelle Soares usa as plataformas digitais para compartilhar informações embasadas e combater mentiras sobre as pessoas trans, disseminadas, especialmente, pela extrema direita. O canal do YouTube As Trava da Vida, que tem mais de 70 mil inscritos, é um espaço de combate ao pânico moral.

A influenciadora, que tem se destacado pela participação em debates online com pessoas conservadoras, foi a convidada do podcast BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, neste dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro. Em seu canal, que está no ar desde 2019, ela refuta narrativas transfóbicas.

“Eu comecei a ver muita desinformação sobre a existência de pessoas trans, os direitos de pessoas trans, ali pela pandemia, sobre questões de vacina. Como eu sou uma pessoa que gosta de estudar, acabei utilizando essa oportunidade para começar a trazer uma abordagem diferente e enriquecer um pouco mais o debate da pauta trans, que é muito tratada no emocional hoje em dia.

Para Michelle, a extrema direita ataca minorias como forma de obter capital político. Nesse contexto, a população trans, proporcionalmente pouco numerosa e economicamente frágil, se torna um alvo.

“A extrema direita tem potencial de olhar para um grupo e dizer: ‘Esse grupo não tem como revidar’. E aí, já que não tem como revidar, eu vou usá-los como culpados de todos os problemas da sociedade, que é uma estratégia que lembra muito o que aconteceu na Alemanha nos anos 30”, disse, em referência à perseguição nazista a judeus, homossexuais e outros grupos na época.

Na entrevista, a influenciadora contou detalhes de sua trajetória pessoal e falou abertamente sobre como desenvolveu um pensamento conservador antes de transicionar, aos 35 anos. Chegou a atuar como policial e, na ocasião, apoiou o então deputado Jair Bolsonaro, que discursava a favor da categoria.

“Me enganei muito, porque [Bolsonaro] era um cara que só pensava nos interesses próprios enquanto fazia discursos de que protegeria a polícia”, contou. “Eu recentemente me declarei como uma pessoa de esquerda, abertamente, porque se fez necessário. Eu sempre me declarei uma pessoa ‘em prol do povo’. Se a gente analisar, hoje, quem tem o discurso em prol do povo é justamente a esquerda. Então eu precisei fazer esse essa sinalização”, prosseguiu.

Para Michelle, as pautas de defesa das chamadas pautas identitárias e a defesa dos trabalhadores podem e devem caminhar juntas, especialmente porque parte relevante da comunidade LGBT+ é composta por integrantes da classe trabalhadora.

“O único jeito de tirar as pessoas trans da marginalização é através da dignidade. A pessoa precisa se desenvolver academicamente e precisa ter um trabalho digno. Se isso não acontecer, a gente vai viver na mesma situação”, completou.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato, o programa é veiculado às 19h

Editado por: Maria Teresa Cruz

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