fala, juventude!

Da luta contra a militarização ao voto consciente: qual o papel das organizações estudantis hoje?

Roberta Ponte fala sobre desafios à frente da Ubes e como a juventude tem sido influenciada pela redes sociais

Roberta Pontes, presidenta da Ubes
Roberta Pontes, presidenta da Ubes | Crédito: Arquivo pessoal

Roberta Pontes, de 20 anos, foi eleita presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) no dia 19 de abril. Entre os desafios que enfrentará na gestão, estão o estímulo ao voto dos jovens de 16 e 17 anos, a lutra contra a militarização do ensino e o combate ao assédio em sala de aula, entre tantas outras demandas dos estudantes brasileiros.

Ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, Pontes avalia a atual situação do projeto de escolas cívico-militares, que vinha sendo debatido no âmbito nacional e foi barrado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deixou a cargo de estados e municípios a decisão de implementar ou não o sistema.

“A gente entende essa questão das escolas cívico-militares como um projeto de Brasil em disputa. Não à toa, de forma majoritária, esse programa está sendo implementado nas periferias do Brasil. Tem um objetivo que é, literalmente, acabar com a ideia do estudante dentro da sala de aula, com o senso crítico que a gente tanto defende, com essa escola mais cultural, mais científica. De um lado, eles defendem o autoritarismo, a opressão e a violência. Do outro, a gente quer construir uma nova escola brasileira, porque o que a gente tem hoje não é o que a gente gostaria de estar vivendo dentro da sala de aula”, afirma.

Roberta Pontes também destaca a guerra de narrativas em torno do projeto de escola cívico-militar. “A escola tem que ser um lugar de fortalecimento da nossa democracia, de emancipação do nosso povo e de ajuda para construir e desenvolver o Brasil,. Não o contrário, jogar a nossa juventude em uma massa de manobra, jogar nossa juventude na escala 6×1, porque esse projeto é o que acontece hoje com a nossa juventude. O que eles vendem é que a escola vai ser mais estruturada. Para alguns pais, isso até pega: ‘Vou colocar meu filho nessa escola, porque é uma escola que vai receber mais verba’. Mas quando a gente olha na prática, essa escola não recebe o orçamento”, afirma.

A líder estudantil concorda que existem, atualmente, questões de segurança e disciplina nas escolas, mas defende que o caminho passa pelo diálogo e não pela militarização. “É muito importante que a gente consiga, por exemplo, ampliar o número de psicólogos dentro da escola, dar uma formação para os professores, garantir mais cultura, mais esporte, construir uma escola que seja mais científica, mais tecnológica. O projeto dessa nova escola brasileira precisa estar em pauta para a gente conseguir fazer com que a escola seja esse espaço de construção. Construção de paz, porque se a gente constrói uma escola que reforça a paz, a união, as políticas de combate à violência dentro do espaço da escola, a gente também vai construir um Brasil mais seguro”, defende.

Com relação à incidência do movimento red pill, que prega o ódio às mulheres, em meninos cada vez mais jovens, Pontes afirma que o caminho é o da formação crítica e inclusão do tema no currículo escolar. “A gente defende, por exemplo, que o projeto Maria da Penha nas escolas seja efetivado”, diz. A Ubes organiza, para o dia 19 de maio, o início de uma campanha de conscientização contra o assédio dentro das escolas.

Raquel Pontes também fala da importância da campanha para que os jovens tirem o título de eleitor e votem neste ano, pauta histórica do movimento, e a urgência de estimular o engajamento e a politização. “Tem uma parcela da nossa juventude que está, sim, sendo disputada por esses conteúdos misóginos de violência dentro da internet e, embora eles acreditem que não gostam de política, estão sendo influenciados sem saber”, afirma.

Assista a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Editado por: Thaís Ferraz

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