Um partido centenário, que se forjou nas lutas sociais, sindicais, pelas populações em minorias de direitos, como as mulheres e os negros, e que hoje se coloca em total consonância com o campo progressista no combate à extrema direita no Brasil. Esse é o PCdoB pela definição de sua presidenta e ex-vice prefeita de São Paulo, Nádia Campeão.
Ela é a convidada do BdF Entrevista, que está realizando uma série de programas com representantes dos principais partidos progressistas do Brasil por causa do ano eleitoral.
“O PCdoB já tem uma tradição de luta muito antiga. Nós somos um partido centenário, mas a gente procura sempre estar ligado aos tempos atuais. E aqui, no Brasil, a nossa luta é uma luta muito intensa. Nós fazemos parte dessa frente popular, democrática, progressista do país, então nós estamos presentes nessas lutas sociais, na luta sindical, na luta das mulheres, na luta da juventude, na luta antirracista, enfim, nesse conjunto imenso de lutas do povo brasileiro, em especial na luta contra a extrema direita, que cresce no mundo e no Brasil também, nesse enfrentamento muito difícil que a gente tem, em especial nesse último período, na luta anti-imperialista, em defesa da paz, fazendo frente a essas agressões terríveis, perpetradas pelo imperialismo estadunidense”, sintetiza Campeão.
A bancada do PCdoB na Câmara é tímida, mas bastante combativa, como destaca Nádia Campeão. “A gente faz o possível pelas bandeiras importantes para os trabalhadores, para o campo progressista, e nós atuamos também junto com o governo Lula, através da presença no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, com a nossa ministra Luciana Santos. Então, eu diria que o PCdoB tem uma atuação muito diversificada no cenário nacional, e estamos, nesse momento, trabalhando nessa frente importante para buscar a reeleição do presidente Lula. Acho que isso é uma coisa bem decisiva”, destaca.
A dirigente explica também o que considera elementos importantes para fazer com que o partido, com 104 anos de idade, se atualize e permaneça relevante. “A explicação está em combinar uma fidelidade, vamos dizer assim, a princípios que são muito fundamentais, que é o princípio da luta anticapitalista, do compromisso com a luta pelo socialismo, que são fundamentos desde a época do Marx, desde o Manifesto Comunista. Quer dizer, esse compromisso realmente com a luta transformadora, uma luta revolucionária. Então, aqui estão princípios muito sólidos que levaram, inclusive, à fundação do Partido Comunista do Brasil e com a corrente comunista internacionalmente”, afirma.
Para ela, assim como ocorreu com o partido no Brasil, ao longo do século 20, em muitas outras partes do mundo, o movimento passou por transformações muito distintas, até pela realidade e contextos diversos, mas sobreviveu. “O nosso partido foi reorganizado em 1958, sob a forma do PCdoB, com a legenda PCdoB, embora o nome Partido Comunista do Brasil seja original, de 1922. E eu reputo essa permanência do PCdoB ao fato de que, na tática política, na luta política, nós fomos interpretando os desafios do Brasil sempre de uma forma muito criativa. Fomos acompanhando a evolução da luta política do Brasil, sempre compatibilizando esses fundamentos maiores, nunca abriram mão disso, desses fundamentos, desse compromisso com a luta transformadora, a luta revolucionária, mas compreendendo as necessidades do Brasil a cada momento”, pondera.
“A luta contra a ditadura, depois a luta pela redemocratização: nós participamos de todas essas lutas com um compromisso tático e com a conjuntura política nacional muito forte. E, com isso, eu acho que o partido foi se posicionando sempre e corretamente. E nessa disputa política, se abrindo para cada período. Quando terminou a ditadura, a gente lutou pelo fim da clandestinidade do partido e rapidamente nos legalizamos. Então, hoje o partido faz parte do cenário político do país, atua na legalidade, com tudo que os outros partidos também atuam, mas nunca perdendo essa face de um partido de esquerda, de um partido comunista. Nós nunca abrimos mão disso”, enumera Nádia Campeão.
Confira a entrevista completa no link abaixo:
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.
