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Flávio Bolsonaro usou Trump para tirar escândalo Vorcaro do noticiário, avalia consultor político

Instabilidade gerada por ações de Trump incensadas por Flávio Bolsonaro geram desconfiança e medo

donald trump e flavio bolsonaro sentados na mesa presidencial na casa branca
Flávio Bolsonaro e Donald Trump | Crédito: Divulgação Casa Branca

Desde que Flávio Bolsonaro se encontrou com Donald Trump na Casa Branca, o governo dos Estados Unidos vem tomando uma série de medidas com foco no Brasil, desde a designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas até ataques ao Pix e a previsão de novas taxas sobre produtos brasileiros.

A movimentação acende o alerta: Trump está tentando interferir nas eleições brasileiras a favor do filho 01 de Jair Bolsonaro?

Para Amauri Chamorro, consultor de comunicação política, independentemente de qual será o impacto efetivo dessa relação Trump e Flávio para o processo eleitoral brasileiro, há um elemento indiscutível: o senador conseguiu, ao menos momentaneamente, tirar o foco do escândalo envolvendo a família Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

“A opinião pública e a população de maneira geral, inclusive nas redes sociais, deixaram de falar do escândalo de corrupção”, explica. “É parte de uma estratégia comum: gerar um problema maior para distrair aquele fato que realmente tem uma consequência não só em termos de opinião pública, mas também judicial. Seria muito prejudicial para o próprio Flávio Bolsonaro e para a sua campanha. Então a ação direta era, vamos distrair a opinião pública com algum outro fato, nem que esse fato seja muito ruim para o país, que é o caso do tarifaço, o ataque ao Pix”, avalia ao BdF Entrevista.

Chamorro é taxativo ao dizer que não há processo eleitoral na América Latina que os EUA não tenham tentado interferir ou influenciar de alguma forma. “A gente vê interferências, por exemplo, agora na campanha na Colômbia, onde o Donald Trump fez uma declaração muito efusiva apoiando o candidato da direita. Ele, antes da eleição, também ameaçou, inclusive, invadir a Colômbia e sequestrar também o presidente Gustavo Petro. A gente vê a participação dele direta na eleição do Equador, a gente vê a influência dele, por exemplo, nos processos eleitorais na Argentina“, aponta. 

O analista também explica quais os interesses de Trump em ter domínio e influência sobre o Brasil, dentro da manutenção de sua estratégia imperialista. “O Brasil é fundamental em diversas dimensões. A primeira delas é a quantidade de recursos naturais que a gente detém. Esse novo boom dos minerais raros, que era praticamente o começo do século 20, quando se descobriu o petróleo. Agora esse é o novo petróleo. Os Estados Unidos, a Europa, os países que desenvolvem produtos tecnológicos dependem desses minerais para produzir a sua bateria do carro, o celular, o computador, satélite, para que funcionem os grandes servidores, as big techs. Ou seja, o mundo, a tecnologia depende desses minerais que o Brasil tem e o Brasil é a segunda maior reserva desses minerais do planeta. A gente tem uma segunda importância: o Brasil é um país produtor de alimentos”, pondera Amauri Chamorro.

“Não é vantagem para os Estados Unidos ter um país que está entre as dez maiores economias do mundo, que demonstre para o resto do planeta que a esquerda pode governar em favor da sua população e consiga se transformar num exemplo para outros países. Então há uma tentativa de destruição também simbólica dos países governados pela esquerda”, pontua.

Por fim, Chamorro acredita que essas ações de Trump prejudicam mais Flávio Bolsonaro do que Lula. “Em São Paulo, no Sudoeste, há uma classe média alta, uma classe empresarial, que vê com muito medo essa instabilidade gerada, inclusive, pelo próprio Donald Trump. O mercado financeiro, as grandes fortunas, os ricos desse país, assim como os ricos de todo o mundo, precisam de estabilidade. Eles precisam ter uma estabilidade jurídica e uma visão de futuro que traga calma a eles. No sentido de ‘eu vou investir meu dinheiro e vou ter o retorno que eu espero no meu planejamento’. Agora, se você tem um presidente como o Donald Trump ou você tem um presidente como o Flávio Bolsonaro, você não sabe o que vai acontecer amanhã”, destaca.

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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