O resultado das eleições legislativas na Alemanha, no último domingo (23), reforçou o movimento de ascensão da extrema direita na Europa. Mas deixou um impasse para formação de governo, já que nenhuma sigla conseguiu a maioria necessária.
Com isso, conservadores dos partidos CDU/CSU, apesar de conseguirem a vitória, vão precisar fazer uma coalizão para governar. A eleição também foi marcada pelo avanço do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha, que ficou em segundo lugar, e pelo crescimento da esquerda.
Nesse contexto, Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), analisa como possível que o bloco vencedor, da democracia cristã, possa formar uma coalizão com os social-democratas do SPD, mas pode ser uma aliança que não se sustentará por muito tempo.
“Há essa expectativa de que os social-democratas e os democratas cristãos consigam estabelecer uma coalizão. Aí vai precisar de outros partidos mais à esquerda para também fazer parte da coalizão para que, de fato, não haja uma necessidade de aproximação com a extrema direita. Mas, mesmo assim, há sempre muitas dúvidas. A gente sabe que num processo de formação de governo, no parlamentarismo, há a necessidade de negociação”, explica.
A professora também considera importante levar em consideração outras questões, como a grande participação do eleitorado no país, onde o voto não é obrigatório. Mais de 80% foram às urnas para eleger o novo parlamento.
“Demonstra que há um espaço de negociação entre as forças mais tradicionais para isolar ou para não permitir que haja um crescimento ainda maior da extrema direita. Isso vai fazer com que e a democracia cristã tenha que conceder em alguns pontos, em políticas que, pra a direita alemã, são muito importantes. E aí envolve negociação sobre a questão econômica, mas envolve questões sobre o tamanho do Estado e das políticas sociais e a questão sobre a imigração, que é um ponto central. São temas que levaram à direita à vitória também no contexto.”
“Então, ainda tem muitas incertezas, mas tudo indica que, sim, a gente vai ter aí uma formação de uma coalizão que mesmo que não seja duradoura, ela consiga pelo menos construir essa maioria”, prossegue Holzhacker.
A entrevista completa está disponível na edição desta terça-feira (25) do Central do Brasil, no canal do Brasil de Fato no YouTube.
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