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Nas eleições, povos da Amazônia defendem qualidade de vida em suas cidades

Fernando Haddad (PT) traz diferentes propostas em seu plano de governo; já Jair Bolsonaro (PSL) sequer toca no assunto

Vanuza Cardoso, uma das coordenadoras do Quilombo Abacatal, na região metropolitana de Belém (PA)
Vanuza Cardoso, uma das coordenadoras do Quilombo Abacatal, na região metropolitana de Belém (PA) | Crédito: Kleyton Silva/Amazônia Real

Será que só é possível produzir de forma agroecológica, respeitando o meio ambiente, no campo? Cidades da Amazônia brasileira têm mostrado que também é possível lutar por uma melhor qualidade de vida no meio urbano.

Na região metropolitana de Belém do Pará, o Quilombo Abacatal, com suas 147 famílias, é exemplo disso. A comunidade luta pelo reconhecimento das populações tradicionais da Amazônia e pela garantia de qualidade de vida para que elas possam permanecer em seus territórios de origem.

A história, como conta a quilombola Vanuza Cardoso, é longa. "Nós estamos nesse território há 308 anos, é um território de herança e eu sou a sétima geração da construção dele", relata.

Ao lado de outras oito mulheres, Vanuza faz parte da coordenação do Quilombo Abacatal. No território, as famílias se dedicam ao agroextrativismo de frutas e sementes para a sobrevivência. 

"Todos na comunidade que têm seus lotes tem o quintal produtivo para se manter e vendem o excedente. Todos na comunidade são ligados à agroecologia, ao cuidado com a terra e à importância que essa terra tem para conosco", explica a quilombola. 

Hoje, o Quilombo Abacatal tem suas terras certificadas pela Fundação Cultural Palmares e pelo governo do estado do Pará, mas isso não é suficiente. Quando olham para as eleições de 2018, os quilombolas querem um governo que defenda políticas públicas para melhorar a qualidade de suas vidas na cidade.

Planos de governo

No plano de governo dos dois candidatos à Presidência, há uma diferença grande quando o tema é a Amazônia e a qualidade de vida de suas populações. 

Fernando Haddad (PT) defende propostas para chegar ao Desmatamento Zero na Amazônia até 2022 e coloca que a região é fundamental para a chamada transição agroecológica no Brasil, uma forma de produzir que preserve e proteja os recursos naturais com a agroecologia.

O petista também defende o direito à cidade, promovendo políticas públicas e melhorando a infraestrutura urbana para que os povos possam permanecer em suas terras. Enquanto isso, o plano de governo do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) não cita quaisquer propostas para a Amazônia ou as populações quilombolas.

Olhando para essa diferença, Aldebaram do Socorro Farias, coordenadora adjunta da FASE, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, na Amazônia, defende que a defesa dos territórios da região é fundamental nestas eleições.

"Hoje a gente tem uma certeza de que apoia o projeto político que seja voltado para o reconhecimento da Amazônia e de suas populações e sabemos que entre esses dois projetos políticos que estão postos para o governo federal, só um deles defende claramente de que lado está: do lado dos pobres, da população que realmente precisa de política pública", aponta a assistente social.  

A quilombola Vanuza Cardoso afirma que não é difícil fazer a escolha entre os dois candidatos. "Quem cuida da terra são esses povos. Quem cuida de fato do meio ambiente são esses povos. A importância da proposta do Haddad de a gente viver bem, tanto o povo do território quanto das cidades, é fundamental, porque é desses territórios que vem a alimentação saudável e uma produção que você possa confiar."

Hoje, a Amazônia representa 60% do território brasileiro e constituiu a maior cobertura florestal do planeta.
 

Editado por: Camila Salmazio

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