O principal objetivo do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (2), é conter o crescimento da economia chinesa. Essa é a avaliação de Stephanie Weatherbee Brito, da Assembleia Internacional dos Povos (AIP), convidada de O Estrangeiro, podcast de política internacional do Brasil de Fato.
“O objetivo principal desse tarifaço e de todas as políticas econômicas em relação ao tema do comércio internacional, que tanto o Trump como o Biden tem como objetivo, é conter o crescimento da economia chinesa. Esse é um objetivo sobre o qual não há divergência dentro da burguesia dos Estados Unidos e de ambos partidos. Há uma compreensão plena de que a China, se ela mantém o crescimento que está sustentando durante os últimos anos, se continua desenvolvendo as tecnologias de ponta, ela deixa os EUA para traz”, afirmou Weatherbee nesta quinta-feira (2).
Também neste dia, a China anunciou que responderá às tarifas de 34% impostas ao país pelo governo Trump. Stephanie Brito aponta que existe uma avaliação no establishment dos Estados Unidos de que, mesmo diante de um cenário de retaliações, é mais importante para os EUA, a longo prazo, conter o crescimento e o desenvolvimento da economia chinesa. “Há uma ideia fantasiosa de que dá para reverter essa tendência que hoje já está instalada no mundo, que tem a ver com o desenvolvimento não só da China, mas de outras economias. Os EUA estão tentando de recuperar o atraso da sua economia e acha que as tarifas são um dos mecanismos que vão atingir esse objetivo.”
Como consequência das tarifas aplicadas à China podem ampliar as relações comerciais com outros países, com os quais ainda não tem uma relação comercial forte, como é o caso do México.
“O México é hoje provavelmente o país mais afetado pelas tarifas, depois da China, porque é uma economia que depende desse comércio com os Estados Unidos e se vê muito mais fragilizada por isso porque compartilha uma fronteira enorme com o país, então o México tem como uma das possibilidades para mitigar os efeitos das tarifas, ampliar a relação comercial com a China”, afirma ela.
*Com AFP