2026

Próximas eleições na América do Sul serão ‘altamente internacionalizadas, com intervenção direta dos EUA’, prevê analista

Ana Prestes vê cercamento militar e campanha de desinformação dos EUA mirando Brasil e Colômbia em 2026

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao lado do presidente Donald Trump
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao lado do presidente Donald Trump | Crédito: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS /AFP

As disputas presidenciais de 2026 no Brasil e na Colômbia devem acontecer sob forte pressão externa, especialmente dos Estados Unidos, prevê a analista geopolítica e cientista política Ana Prestes, entrevistada no podcast O Estrangeiro, do Brasil de Fato. “Vão ser eleições altamente internacionalizadas, tanto a da Colômbia como a do Brasil, com intervencionismo claro, direto e de diversas formas, por parte dos Estados Unidos”, afirma.

Segundo Prestes, o governo do presidente estadunidense Donald Trump vem atualizando uma velha estratégia de controle político e militar sobre a região, combinando movimentação de tropas, acordos com governos aliados e pressão diplomática. “Enquanto isso, Marco Rubio [secretário de Estado dos EUA] já veio duas vezes no Paraguai, o Comando Sul não sai da Argentina, e agora há essa tentativa de colocar uma base militar no Equador. É claramente uma doutrina renovada de cercamento político e militar da América Latina e da América do Sul”, aponta.

A disputa se expressa também, indica a analisa, no discurso da extrema direita de “guerra ao narcotráfico” e na criminalização de governos progressistas. Ela lembra que presidentes da Colômbia, Venezuela e México têm sido rotuladas por setores da direita dos EUA como ligados ao crime organizado. “É Gustavo Petro acusado de ser um presidente narcoterrorista, [Nicolás] Maduro com a cabeça prêmio, e Claudia Sheinbaum, que teve uma resposta dura a Trump”, cita.

Em relação ao Brasil, não descarta a possibilidade dessa “articulação também para classificar o governo Lula como um governo que daqui a pouco [os EUA vão] chamar de um governo patrocinador do terrorismo ou conivente com o narcoterrorismo”, alerta.

Também entrevistado no episódio, o correspondente do BdF em Caracas, Pedro Pannunzio, lembra que a candidata chilena Jeannette Jara levou ao debate eleitoral temas como segurança pública, algo pouco frequente nas campanhas da esquerda no país. Apesar da “vitória com sabor amargo” no primeiro turno, no último domingo (16), ele avalia que “as chances são pequenas”.

O jornalista também destaca a derrota “acachapante” do presidente equatoriano Daniel Noboa ao tentar reabrir o país a bases militares estrangeiras, proposta rejeitada em referendo. Já sobre Honduras, ele comenta um “cenário bastante tenso”, marcado por denúncias de fraude e pela disputa de influência entre os Estados Unidos e governos alinhados à Venezuela e à China.

O podcast O Estrangeiro vai ao ar toda quarta-feira às 11h no Spotify e YouTube.

Editado por: Luís Indriunas

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