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Questão de Taiwan caminha para ser resolvida por meio de guerra, avaliam analistas internacionais

No podcast 'O Estrangeiro', Marco Fernandes e Pedro Brittes veem cenário violento como o mais provável

Tropas e unidades do Exército Popular de Libertação durante a operação Missão Justiça 2025, exercícios militares ao redor de Taiwan. Segundo o coronel Shi Yi, porta-voz do Comando do Teatro Oriental, as manobras acontecem no estreito e em áreas ao norte, sudoeste, sudeste e leste da ilha. | Crédito: Xinhua, Zha Chunming
Tropas e unidades do Exército Popular de Libertação durante a operação Missão Justiça 2025, exercícios militares ao redor de Taiwan. Segundo o coronel Shi Yi, porta-voz do Comando do Teatro Oriental, as manobras acontecem no estreito e em áreas ao norte, sudoeste, sudeste e leste da ilha | Crédito: Xinhua, Zha Chunming

As tensões envolvendo Taiwan, a China e potências estrangeiras caminham, inevitavelmente, para serem resolvidas por meio de um conflito militar, seja em dimensão local ou em grande escala. Essa é a opinião de analistas ouvidos nesta quarta-feira (4) no programa O Estrangeiro, podcast de política internacional do Brasil de Fato.

“A médio e longo prazo, cada vez menos eu vejo uma saída para o conflito Estados Unidos e China que não passe por uma guerra, não por desejo chinês, mas pela vontade imperialista da Casa Branca”, disse o cientista político Marco Fernandes.

Opinião similar foi emitida por Pedro Brittes, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que disse “não conseguir ver um cenário na qual a questão não escale para uma guerra no mínimo regional, mas que pode incluir outros cenários, como a Ásia Central, o Oriente Médio”.

Fernandes argumenta que “os Estados Unidos já perceberam que não tem mais como parar a China e já tentaram de tudo desde 2017: guerra comercial, sanções contra Huawei, depois sanções tecnológicas, acesso aos chips. E a China conseguiu contornar todos esses ataques.”

“Economicamente, eles entenderam que não vão parar a China, a única forma é uma guerra. E tem muita gente nos Estados Unidos dizendo isso, um general do Pentágono disse inclusive que isso precisa acontecer até 2027”, avalia. “Caso contrário, a China vai atingir um desenvolvimento militar que vai tornar muito difícil uma uma eventual vitória dos Estados Unidos ano que vem.”

Já o professor da FGV Pedro Brittes afirma que “caminhamos para um processo competitivo que está longe de parar”.

“Vemos ações agressivas dos Estados Unidos, atos de pirataria, que vão se tornando política de Estado. Os democratas não se opõem, ao contrário, apoiam várias dessas medidas.

“Acredito que a competição vai aumentar e a questão de Taiwan se tornará central. Por isso vemos esses países gastando mais com armas. Taiwan não é uma questão distante que pouco nos interessa, mas interferiria em nossas vidas.”

Derrotado na Revolução Chinesa de 1949, o governo chinês de Chiang Kai-shek se refugiou em Taiwan. A China nunca reconheceu a autonomia da ilha, considerando-a parte do país a ser reintegrada no futuro. Aliada dos EUA e Japão, Taiwan se tornou importante polo tecnológico, produzindo chips avançados, o que a torna vital para a economia global e se localiza no meio da disputa comercial entre Washington e Pequim.

Fernandes exemplifica como a ideia vem sendo normalizada pela mídia nos Estados Unidos. “Nos últimos dois anos, vemos na TV estadunidense, em programas populares, simulações de guerra em torno de Taiwan. E isso em noticiários das oito da noite. Os EUA vêm preparando seu público.”

“A revista Newsweek calculou, no ano passado, que de 1,5 milhão a 2 milhões de pessoas morreriam imediatamente em Washington, Pequim, Moscou e Pyongyang.”

“Muita gente acredita piamente que eles têm como ganhar, é uma doutrina, uma crença que existe há pelo menos dez anos. Eles acreditam serem capazes de fazer um primeiro ataque preventivo de decapitação, atingir todas as ogivas nucleares da Rússia e da China”, afirmou Brittes.

O podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas-feiras às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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