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Cantor Gabriel Moura revisita composições e memórias da música brasileira no Sabe Som?

Artista fala sobre as influências musicais e pessoais que moldaram sua trajetória

“Paulo Moura, além de uma influência musical, foi uma referência paterna para mim”. O relato emocionado de Gabriel Moura dá o tom do novo episódio do Sabe Som?, desta sexta-feira (21). O cantor, violonista e compositor conversa com o Thiago França sobre família, trajetória e o impacto do teatro em sua construção artística.

Na conversa, o músico, que integrou a banda Farofa Carioca e é um dos principais parceiros de Seu Jorge, revisita sua história e destaca o papel fundamental de seu tio, o lendário instrumentista Paulo Moura, na sua formação. “Ele era a grande referência, o grande baluarte da família. Eu lembro que, quando criança, eu pisava exatamente onde ele pisava, de tanto que eu o admirava”, narra. 

Além do convívio familiar, o violonista acompanhava os shows do tio nos clubes de jazz do Rio nos anos 80, enquanto a maioria dos jovens estava voltada para o rock. “Mistura Fina, People, Jazzmania… enquanto todo mundo estava indo ver rock, eu estava nesses lugares, absorvendo aquela música”.

O músico também relembra o período em que viveu em Portugal, onde tocava em bares e pequenas casas de show. “Lá, eu aprendi a me virar. Tocava sozinho, fazia tudo. Mas ao mesmo tempo, sentia falta de um contexto maior, de uma cena mais vibrante”, conta. 

A decisão de retornar ao Brasil foi incentivada pelo próprio Paulo Moura. “Ele visualizava 20 anos para frente e me disse: ‘Se você ficar tocando em barzinho, quando vier, passaram 20 anos e você continua no mesmo barzinho’”. O tio não apenas o aconselhou, mas financiou sua passagem de volta. “Ele pagou minha passagem de volta para o Brasil. Isso mostra o quanto ele acreditava em mim”, relembra.

A persistência na composição e o processo criativo

Gabriel também narra a influência do teatro na forma como compõe e interpreta. “O teatro foi uma escola importantíssima para mim. Aprendi a compor rápido, a resolver musicalmente uma cena em minutos. Muitas vezes me pediam uma música para um cortejo ou um momento dramático e eu tinha que entregar na hora”, explica.

Esse senso de urgência e criação espontânea foi essencial quando começou a parceria com Seu Jorge. “Composição tem que ter muita persistência. Às vezes você tá ali, a ideia não vem, mas se insistir, se continuar, ela aparece. A música vem quando a gente permite que ela venha”, reflete o violonista.

“A gente fazia música no susto. Chegava no estúdio, batia um papo e, do nada, saía um hit. Foi um processo muito natural, sem pressão”, conta Gabriel. Juntos, eles assinaram grandes sucessos como Burguesinha, Mina do Condomínio, Felicidade e Amiga da Minha Mulher. “Nosso processo sempre foi muito orgânico. A gente se encontrava, conversava e, de repente, tinha uma música pronta. A composição foi tomando a frente da minha carreira por conta dessas canções”, conta Moura.

Por fim, Moura destaca como a ligação com o teatro também se traduz na maneira como ele percebe a música e a performance. “A música precisa carregar sentimento, tem que vir com intenção. Não adianta tocar certo se não tem verdade. A gente se reconhece na música quando sente que ela diz algo de real para a gente”, conclui Moura.

O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira, às 10h da manhã, nas principais plataformas, como Spotify e YouTube Music. E tem ⁠playlist⁠⁠ repleta de composições que atravessam gerações da música brasileira.

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