Som autoral

‘Uma cena que envolve muita luta’: Ale Sater, do Terno Rei, fala sobre desafios da indústria musical

Vocalista e baixista da Terno Rei reflete sobre inspirações criativas, relação com o público e dificuldades da carreira

Banda Terno Rei

“Uma cena que envolve muita luta”, destaca Ale Sater, cantor e compositor, ao falar sobre sua trajetória como baixista e vocalista da banda Terno Rei. Com pouco mais de dez anos de carreira, o músico revisita sua jornada, relembra momentos marcantes e comenta as transformações no modo de se consumir e produzir música.

Durante o bate-papo com Thiago França, no episódio 80 do Sabe Som?, o cantor descreve sobre suas técnicas e preferências no momento de criar uma música do “completo nada”. Em meio a uma era completamente digitalizada e imediatista, Sater destaca que suas inspirações vêm de momentos de calmaria, principalmente “quando estou viajando, em uma estrada assim ou algo assim, ouço e tento entender o que me emociona”. “Tudo bem introspectivo mesmo, olhando para si e para os próprios sentimentos”, afirma.

Sater explica que daí para frente é se organizar com os demais integrantes do Terno Rei e fechar as composições, carinhosamente apelidadas como “músicas espaciais”, dado principalmente aos intervalos de cada faixa.

Ainda sobre suas composições, seja junto à banda, ou até mesmo em seus projetos solo, o compositor reforça que sempre vislumbra “fazer mais música, para buscar mais aquele clímax, que é incrível”, reforçando o que sentiu enquanto produzia e lapidava Tudo Tão Certo, seu último projeto independente.

O quarteto já lançou cinco discos, além de singles e EPs, e segue em turnê pelo Brasil com uma agenda intensa de shows. Mesmo com o ritmo puxado, esses momentos são centrais na vida do vocalista. “Gosto muito de fazer muitos shows. […] Vivo muito por esse momento, eu fico feliz de poder tocar”, afirma, ao destacar a realização de um sonho de infância de se expressar através da música.

Sater relembra sobre os momentos de interação com o público nas apresentações com a banda, e destaca, por exemplo,  a magia e a energia dos fãs cariocas e conquista de realizar shows em grandes espaços. “Era meu sonho tocar no Circo Voador, e hoje já toquei lá umas quatro vezes, e a última foi incrível, é um super templo da música”, sublinha o compositor.

“É importante, mas eu fico maluco com isso”

Em um cenário em que a criação musical se adapta ao ritmo imposto pelos algoritmos, Sater destaca a dificuldade de rentabilizar a arte exclusivamente por meio das canções e dos shows. Para manter a banda ativa, é preciso vender não apenas discos e ingressos, mas também suvenires. Mesmo entendendo a importância disso, ele admite: “é importante, mas eu fico maluco com isso”.

Ele ilustra a desigualdade entre artistas nacionais e estrangeiros lembrando que o grande público “paga dois salários para ver sete shows do Coldplay”, enquanto músicos brasileiros enfrentam barreiras para conquistar destaque. Na lógica da indústria musical capitalista moderna, “não dá a menor chance para nós”, afirma, referindo-se à visibilidade desproporcional em plataformas e aplicativos.

Sater também evidencia o cuidado e a manualidade em suas composições, que fogem das tendências dominantes e seguem um viés “romântico para caramba”, como brinca.

Por fim, ele faz um paralelo com os hábitos musicais de outras épocas. “Se você se deixa levar pelo dia a dia de 2025, você não vai ouvir um disco de forma passiva. Você tem que querer ouvir um disco”, observa. Ao lembrar da infância, conta que o consumo musical era diferente: ouvia-se os álbuns completos, em que “cada música era uma surpresa, tanto para o mal quanto para o bem. Era como se fosse uma sobremesa!”

O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira, às 10h da manhã, e está disponível nas principais plataformas de podcast como Spotify e YouTube Music.

Editado por: Nathallia Fonseca

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