reflexão

No primeiro álbum solo, Raquel Virgínia expurga violências internas

Ex-integrante de As Baías lançou 'Não Incendiei a Casa por Milagre' em 2025

Raquel Virgínia
Em 2025, Raquel Virgínia lançou o álbum ‘Não Incendiei a Casa por Milagre’ | Crédito: Reprodução/Instagram

Após anos dedicada ao grupo As Baías, Raquel Virgínia, enfim, partiu para carreira solo. Em 2025, lançou o álbum Não Incendiei a Casa por Milagre, criado, segundo a artista, para expurgar violências e raivas internas. Ela conversou com Thiago França na edição 95 do Sabe Som?, podcast do Brasil de Fato, e contou sobre esse processo.

O nome do disco, ela conta, veio de um livro de Pedro Almodóvar. “Eu acho essa frase muito boa. Ela nem é título de nada, ela está no meio do livro, mas na hora que eu li, fui muito capturada por ela. ‘Não incendiei a casa por milagre’, ‘a minha casa’, me parece um incêndio íntimo, mesmo”, contou.

O processo foi longo, e envolveu a gravação de um álbum pop que, no momento, está engavetado – para surpresa de todos os envolvidos no projeto à época. As composições de Não Incendiei a Casa por Milagre vieram em um momento de pulsão.

“Foi um álbum que eu fiz porque estava precisando muito expurgar coisas”, afirmou. “Eu sou uma pessoa muito violenta e eu tive essa constatação, cada vez mais eu fui tendo essa constatação. Muitas vezes a gente pensa que o outro é violento, que o outro é egoísta, que o outro é invejoso. Eu nunca eu tenho inveja.”

O projeto que foi lançado tem sonoridade rock crua e sem grandes arranjos, e foi gravado com músicos como Moreno Veloso e Domenico Lancellotti.

“Eu fiquei pensando sobre as minhas invejas, sobre as minhas raivas, sobre as violências que eu cometo, já cometi e isso tudo eu precisava tirar de mim de um jeito. E aí eu pensei: ‘Gente, eu sou artista, eu acho que eu tenho que tirar isso de dentro de mim artisticamente'”, relatou.

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Na conversa com Thiago França, Raquel falou sobre a trajetória no grupo As Baías, que foi indicado duas vezes ao Grammy Latino e ganhou dois troféus no Prêmio da Música Brasileira. O reconhecimento da crítica especializada, porém, não evitou frustrações.

“Eu aprendi em algum nível, em alguma proporção, que administrar sucesso às vezes é tão difícil quanto administrar fracassos. E às vezes a gente acha que o sucesso é fluido, e não é. ‘As Baías’ teve momentos de fracassos. Não necessariamente fracasso artístico, musical, mas fracassos administrativos, fracassos financeiros”, relembrou.

Sempre franca, a artista afirmou que deixou a vaidade a controlar em alguns momentos da carreira, e que isso trouxe consequências ruins. Tudo isso está no disco solo. “Eu acho que esse incêndio interno, onde você está tentando expurgar as suas violências, passou a ser muito interessante para mim”, resumiu.

O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira, às 10h da manhã, e está disponível nas principais plataformas de podcast como Spotify e YouTube Music.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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