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‘Lula tem a oportunidade de selar como vai querer aparecer nos livros de história’, avalia economista

Juliane Furno avalia trajetória do petista e Nina Fideles analisa caminhos da comunicação na campanha

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão - GO. Foto: Ricardo Stuckert / PR© Foto: Ricardo Stuckert / PR Versão em áudio
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão (GO). | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Um dos maiores líderes populares da história do Brasil, operário que chegou até o mais alto cargo da República e que implementou importantes políticas de distribuição de renda e ampliação de programas sociais, tirando o país da pobreza, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta sua reeleição esse ano, a última disputa antes de deixar a vida pública.

Lula é o candidato analisado no episódio de Três Por Quatro, que traz uma série especial sobre os presidenciáveis de 2026. Além da marca social dos governos petistas, na economia, Lula também se destaca com indicadores como a redução do desemprego aos menores níveis da série histórica recente e o crescimento da renda do trabalho. Contudo, Lula ainda enfrenta desafios para ampliar sua aprovação junto a diferentes setores do eleitorado e consolidar uma vitória em primeiro turno, segundo apontam as pesquisas de intenção de voto.

Para analisar o perfil de Lula, seus desafios e o que deixará como legado para gerações futuras, o jornalista Igor Carvalho recebeu Nina Fideles, diretora executiva do Brasil de Fato, e Juliane Furno, economista e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Juliane Furno avalia caminhos possíveis para a consolidação da candidatura de Lula, tanto do ponto de vista pessoal, como do ponto de vista de políticas públicas, e estabelece uma comparação entre a trajetória dele e a do ex-presidente Getúlio Vargas.

Para ela, Lula pode explorar seu lado mais emotivo, sem, contudo, deixar de lado o pragmatismo necessário para deixar sua marca na história do Brasil. “Acho que tem espaço para uma dimensão mais emotiva, por parte do próprio Lula, não só da sociedade, que vai ter oportunidade de passar em revista uma trajetória tão peculiar do nosso primeiro presidente da classe trabalhadora a chegar no cargo mais alto do país. Isso, por si só, deve ser utilizado. Se há similitudes entre Getúlio e Lula, pensando nessas duas figuras que com certeza vão entrar para os livros de história como as duas lideranças mais populares e carismáticas da história política brasileira, eu acho que Getúlio passou por elementos parecidos com os que Lula passou. Ele foi golpeado em 1945, inclusive por participantes do próprio governo. Depois ele retorna em 1950, já tendo governado e já tendo, em alguma medida, deixado seu nome na história”, resume.

Furno lembra da narrativa de medo que a direita tentou construir em torno de Lula, retomando ideias da época da ditadura, como “a ameaça comunista” ou comparações entre Brasil e Venezuela de uma forma pejorativa, e destaca que ele mostrou, em muito pouco tempo, que isso era uma grande farsa. “Lula deixa um legado de governabilidade e de políticas públicas que é inegável. Mas ele pode deixar um legado de transformações mais estruturais, assim como Getúlio fez um governo muito mais radicalizado no seu último mandato, quando ele criou a Petrobras e enfrentou os interesses de uma sociedade mais polarizada. O Lula pode ser ele mesmo, essa figura mais emotiva dessa eleição, pensando que ele tem a oportunidade de selar um pouco seu destino, como ele vai aparecer nos livros de história: se vai aparecer como um presidente popular que fez um conjunto de políticas públicas, especialmente no combate à pobreza, ou se vai dar um passo substancial e ser lembrado como aquele que operou reformas estruturais ou enfrentou as forças imperialistas”, argumenta a economista.

Para a jornalista Nina Fideles, Lula vive, neste momento, um cenário vantajoso de alguém que acumula muita experiência política, vivência e o que ela definiu como “perspectivas a longo prazo”. “Se a gente for fazer essa retomada da cadeia até a presidência, acho que Lula é uma figura que aprendeu as perspectivas dos longos prazos. Eu fico na dúvida se ele tinha essa certeza do destino. E acho que traz essa perspectiva do tempo histórico. Acho que ele teve nesse último período boas experiências e que ele tem bons exemplos de como entrar nessa campanha. Flávio nos ajuda, porque ele mesmo se desidrata quando se enfia nessa questão toda do filme, do Banco Master, do [Daniel] Vorcaro, mas Lula também teve uma sinalização de como ele deve entrar, que é colando nas pautas da classe trabalhadora. Eu não tenho dúvida disso”, destaca.

Fideles analisa a forma com que, historicamente, Lula se comunicou com o eleitorado e também com seus oponentes, indo de líder sindical mais combativo a uma figura mais pacífica, reconhecida por suas habilidades de negociação política e conciliação. Questionada sobre a postura de Lula nos debates em 2022 e como ela acredita que ele deve se portar agora, a jornalista defende que a performance em si não vai significar automaticamente um melhor ou pior desempenho nas urnas. “Eu acho que chega um momento em que não é mais sobre isso [ter um tom elevado em debates públicos]. E eu não acho que Lula não tenha ido tão mal nos debates em 2022. A questão é que tem uma disputa de cognição. O debate já não é sobre o que estamos falando concretamente. É uma disputa de visão de mundo que é difícil você romper e por isso que se cristalizam tanto esses votos tão colados a Bolsonaro. E eu diria que Flávio não carrega algo que era vantagem ao pai, que era aquela estética tosca que o Flávio não carrega. Ele vem com outra apresentação comunicativa. E isso é pró e contra. O debate, é claro, a gente, alguns irão avaliar mais criticamente, mas vejam os memes que geraram aqueles debates de 2022. Porque chega um momento em que se esvazia o próprio debate, inclusive fico na dúvida sobre esse instrumento de comunicação”, avalia.

Para ver e ouvir

O videocast Três Por Quatro vai ao ar toda terça-feira às 15h ao vivo no YouTube e nas principais plataformas de podcasts, como o Spotify.

Editado por: Luís Indriunas

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