O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (14), um novo ataque a um barco frente às costas da Venezuela, no qual morreram as seis pessoas que estavam a bordo, segundo o presidente Donald Trump.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou — sem apresentar nenhuma prova — que o barco estava “afiliado a uma organização designada como terrorista”. Este é, pelo menos, o quinto ataque desse tipo realizado pelos Estados Unidos. Essas operações unilaterais já foram condenadas anteriormente pelas Nações Unidas, que as qualificaram como execuções extrajudiciais.
O ataque ocorreu poucas horas após o governo venezuelano anunciar a ativação de três novas Zonas Operativas de Defesa Integral (ZODI) nos estados de Nova Esparta, Sucre e Delta Amacuro.
O anúncio da criação dessas novas ZODI havia sido feito pelo presidente Nicolás Maduro durante seu podcast Con Maduro +, na noite de segunda-feira (13). Segundo o governo, a medida tem como objetivo proteger “os mares do Atlântico venezuelano e toda a fachada Caribe-Atlântica”, diante da crescente hostilidade dos Estados Unidos em relação ao país sul-americano.
Sob a consigna “Se queres a paz, prepara-te para conquistá-la”, Maduro garantiu que as novas ZODI continuarão sendo ativadas “todos os dias” até que seja completada a cobertura correspondente a cada estado.
“Estamos ativando três ZODI para a defesa integral de nossos mares do Atlântico venezuelano e da fachada Caribe-Atlântica”, afirmou Maduro, acrescentando que “a Venezuela deve estar preparada para continuar conquistando a paz, exercendo sua soberania com independência e garantindo o direito à vida e à alegria”.
Além disso, o presidente fez um chamado aos movimentos populares internacionais para se mobilizarem em defesa da paz na região e evitarem um conflito no Caribe e na América do Sul.
Com esta nova ativação, chegam a onze as ZODI mobilizadas em uma semana. Na semana passada, o governo venezuelano já havia ativado outras oito nos estados de La Guaira, Zulia, Anzoátegui, Monagas, Bolívar, Carabobo, Aragua e Falcón. Maduro adiantou que, nos próximos dias, o desdobramento defensivo continuará em outras zonas operativas do país.
A ativação das ZODI faz parte do Plano Independência 200, uma estratégia de defesa anunciada pelo governo bolivariano em setembro passado como resposta aos ataques dos Estados Unidos contra embarcações próximas às costas venezuelanas, assim como ao desdobramento militar que aquele país mantém no mar do Caribe.
O que são as ZODI?
As chamadas ZODI são uma parte fundamental do Sistema de Defesa Territorial da Venezuela. A defesa do país é organizada em oito Regiões Estratégicas de Defesa Integral (REDI), uma divisão mais ampla do que a dos estados. Cada uma dessas REDI, por sua vez, é subdividida em Zonas Operativas de Defesa Integral, que geralmente coincidem com os estados do país.
Em entrevista ao Brasil de Fato, o professor de relações internacionais Jean-Paul Mertz explica que a ativação desses mecanismos permite que o presidente Nicolás Maduro — como comandante em chefe das Forças Armadas — supervisione diretamente a execução de ordens pela Força Armada Nacional Bolivariana.
“Quando uma ZODI é ativada, indica-se que naquela área é necessária atenção especial. Isso implica uma mobilização dos componentes da Força Armada já presentes e próximos ao local”, destacou.
Segundo a doutrina militar venezuelana, as ZODI foram criadas para planejar e executar operações de defesa integral em seu espaço geográfico designado, coordenando todos os componentes da Força Armada Nacional Bolivariana: os três ramos do Exército, a Guarda Nacional — que atua na proteção das fronteiras — e a Milícia Nacional Bolivariana, formada por civis armados.
“Como as milícias cumprem uma função que envolve a articulação civil, militar e policial, estando integradas por cidadãos agrupados em diversas comunas, tem-se procedido à mobilização dos milicianos para reforçar patrulhas e comunicação. Trata-se de uma estratégia que busca estabelecer patrulhamento permanente diante da ameaça de uma possível invasão pelos Estados Unidos. Por isso, a população se prepara para enfrentar qualquer tentativa de infiltração estadunidense”, explicou.
