O Ministério das Relações Exteriores da China manifestou nesta semana oposição formal às operações militares dos Estados Unidos no Caribe, após ataque em 15 de outubro que deixou seis mortos em embarcações venezuelanas. O porta-voz Lin Jian declarou que Pequim “se opõe ao uso ou à ameaça do uso da força nas relações internacionais” e rejeita interferências externas nos assuntos internos da Venezuela.
Em resposta a questionamento da reportagem, Lin Jian criticou as ações unilaterais de Washington, que mobilizou navios de guerra e um submarino nuclear na região alegando combate a cartéis de drogas. O ataque de 15 de outubro eleva para 27 o total de mortos em cinco ações militares estadunidenses recentes contra embarcações venezuelanas.
A China também manifestou apoio à declaração dos 33 países latino-americanos sobre o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares no continente.
“A China apoia o fortalecimento da cooperação internacional para combater crimes transnacionais e se opõe a ações unilaterais de aplicação da lei dos Estados Unidos contra embarcações de outros países que excedem os limites razoáveis e necessários”, afirmou o porta-voz chinês.
Mobilização diplomática venezuelana
Esta semana também a Embaixada da Venezuela em Pequim convocou representantes diplomáticos de diversos países e veículos de imprensa internacional para denunciar o que classifica como risco de invasão militar. O embaixador Remigio Ceballos Ichaso afirmou ao Brasil de Fato que Washington conduz “uma campanha de desinformação destinada a justificar uma intervenção”.
“Acusar a Venezuela de ser um cartel de drogas é totalmente falso, uma ficção que tentam impor à comunidade internacional há décadas”, declarou Ceballos Ichaso.
O governo venezuelano recebeu manifestações de solidariedade da Nicarágua, Bolívia, Colômbia, Cuba e México. Humberto Collado, encarregado comercial da embaixada nicaraguense na China, afirmou que “o que os EUA estão fazendo é ameaçar um país democrático, seu presidente e todo seu povo, atentando contra a estabilidade sociopolítica da região”.
Posição russa e da ONU
A Rússia criticou as ações militares estadunidenses por meio de declarações do Ministério das Relações Exteriores e do embaixador russo na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasily Nebenzia, afirmando que tais operações “representam uma escalada na região, violam o direito internacional e a soberania venezuelana”.
O World Drug Report 2025 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) reconhece os esforços da Venezuela no combate ao tráfico de drogas e aponta que o país não figura entre os principais corredores internacionais de entorpecentes. A ONU reforçou que qualquer intervenção militar ou coercitiva que viole a soberania de um Estado-membro contraria a Carta das Nações Unidas.
As sanções estadunidenses contra a Venezuela começaram em 2006, durante o governo de Hugo Chávez, intensificando-se após 2013 com Nicolás Maduro, totalizando cerca de mil dispositivos restritivos até 2019. Essas medidas resultaram em escassez de alimentos e medicamentos, restrições ao acesso a recursos essenciais e impactos sobre a economia venezuelana.
Mobilização interna
O presidente Nicolás Maduro determinou exercícios militares de defesa nacional com participação de milícias bolivarianas e população voluntária, incluindo pescadores e moradores do interior. O governo caracterizou a mobilização como defensiva e voluntária, visando garantir a soberania nacional.
Em carta ao secretário-geral da ONU, André Gutierrez, Maduro reiterou o compromisso venezuelano com a paz e o direito internacional. O chanceler Samuel Moncada afirmou que “a verdadeira ameaça à paz regional é a presença de armamentos militares e nucleares dos EUA no Caribe”.
