A Coalizão Negra por Direitos interrompeu o trânsito na avenida 23 de Maio, na região central de São Paulo, e protestou contra as mortes provocadas pela operação no Rio de Janeiro, comandada pelo governador Cláudio Castro (PL-RJ), nos complexos do Alemão e da Penha.
Por volta das 14h, o movimento estendeu uma faixa no Viaduto Santa Ifigênia, que dizia “Pela vida do povo negro”. Em seguida, os manifestantes interromperam o trânsito nas cinco faixas da via para chamar a atenção e prestar solidariedades às vítimas da política genocida instaurada no Rio de Janeiro.
Presente no ato, a deputada estadual Paula Nunes (Psol-SP) falou sobre a operação no Rio de Janeiro. “O sentimento é de completa indignação. Todo mundo foi dormir chocado com a contagem oficial de pessoas assassinadas. Mas, depois da iniciativa dos moradores, que desceram corpos do morro e colocaram no chão, já sabemos que essa é a operação mais letal da história do país, ultrapassando o Carandiru. É um absurdo que o governador diga que só há quatro inocentes mortos, que seriam os policiais. O governador colocou os policiais para morrer, mas acabou com famílias, fechou a cidade e impediu as pessoas de chegarem às suas casas, sob o falso pretexto de combater o crime organizado.”
Integrante da Coalizão Negra por Direitos e fundador da Uneafro, Douglas Belchior também comentou. “O que vimos no Rio de Janeiro ontem é uma marca permanente do Estado brasileiro, é mais uma chacina, mais um momento de atrocidade, de promoção do ódio e da morte. Infelizmente, no último período, temos visto muitas chacinas no Rio de Janeiro e agora esta, que entra para a história como a maior da história brasileira. É fundamental a nossa mobilização, manter a solidariedade ativa ao povo do Rio de Janeiro que vive nessas áreas.”
Ainda nesta tarde, o governo do Rio de Janeiro confirmou que já há 121 mortes após a operação, entre elas quatro policiais. Os dados foram repassados à imprensa pelo secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
Nesta quarta-feira, mais cedo, moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, afirmaram ter encontrado pelo menos 74 corpos, que foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada. Curi disse que foram 63 corpos achados na mata.
