A 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, com início marcado para esta sexta-feira (31) e término em 16 de novembro na Praça da Alfândega, terá vários eventos comemorativos para lembrar o legado de Erico Verissimo e o seu valor literário. A feira terá como patrona a escritora Martha Medeiros e realizará uma programação intensa na área cultural e centenas de autógrafos de escritores. Detalhes do que está previsto para cada dia estão no site www.feiradolivropoa.com.br.
O ano de 2025 recorda os 120 anos de nascimento do maior escritor gaúcho e os 50 anos de sua morte. O primeiro evento será neste sábado (1º), no Auditório Erico Verissimo do Clube do Comércio, na rua dos Andradas, 1085, 2º andar.
Neste encontro serão apresentadas fotografias inéditas do fotógrafo Leonid Streliaev do escritor, que acompanhou de perto o autor e era considerado o “fotógrafo especial e preferido”. A exposição se completa com relatos da neta Fernanda Veríssimo, filha de Luis Fernando Veríssimo, morto este ano, Leonid e Marô Barbieira. Haverá uma leitura de suas obras infantis, revelando o cotidiano, a humanidade e a sensibilidade de um escritor que marcou gerações.
Um outro programa será a oficina “Conversando sobre O Tempo e o Vento”, na segunda-feira (3), no Clube do Comércio. A ideia é conversar sobre o livro mais importante de Erico Verissimo, reencontrando personagens como Ana Terra, Capitão Rodrigo, Bibiana, que aparecem em O Continente, primeira parte da trilogia, que ganham destaque em O Retrato e O Arquipélago como Dr. Rodrigo, Maria Valéria, Tio Bicho, Floriano Cambará.
“Verissimo Vive, Erico em Antares”, na terça-feira (4), será uma homenagem da Assembleia Legislativa, no Teatro Petrobras Carlos Urbim. O objetivo é uma performance teatral com o Grupo Cerco inspirada no espetáculo Incidente em Antares.
Baseada na segunda parte do romance homônimo do autor, a cena se passa em 1963 na fictícia cidade de Antares. Com a cidade paralisada por uma greve geral, mortos não sepultados se levantam e denunciam a corrupção dos vivos. A apresentação contextualiza a obra na trajetória do autor, compartilhando informações sobre Erico em um diálogo com o público.
Na quarta-feira (5), no Clube do Comércio, está marcada a homenagem da Editora Ages aos 120 anos de Erico no Clube do Comércio. O evento terá Caio Riter, Juliana Pauletto e Márcia Ivana de Lima e Silva, escritores e estudiosos que farão uma mesa dedicada à obra literária do escritor. O encontro propõe um olhar atento à produção infantojuvenil quanto aos romances voltados ao público cultural, destacando a relevância e atualidade de um dos maiores nomes da literatura brasileira.
Com Carlos André Moreira, Jocelito Zalla, Manoel Madeira, Paula Ramos e mediação de Luis Augusto Fischer, também no Clube do Comércio, no sábado (8), acontece o encontro com debate e os desafios humanos da obra do escritor, as suas posições políticas e estratégias literárias que sempre preservaram uma visão humanista.
Erico Ainda Vive!

Sim, é verdade. Os seus livros estão espalhados pelas bibliotecas, memoriais, museus, universidades, cinemas e tevês do Brasil e em dezenas de países do mundo. A carreira literária de Erico Verissimo é plena e recheada de 36 obras entre contos, romances, memórias, novelas e narrativas infanto juvenis e de viagens. Foi tradutor de grandes autores e traduzido para vários idiomas, como alemão, espanhol, finlandês, francês, holandês, húngaro, indonésio, inglês, italiano, japonês, norueguês, polonês, romeno, russo, sueco e tcheco. A sua obra não se perdeu pelo tempo, como acontece com muito escritor.
Viveu fisicamente apenas 69 anos, 11 meses e 19 dias. Quase 70 anos. Nasceu em 17 de dezembro de 1905 na cidade de Cruz Alta e morreu na sua casa no Bairro Petrópolis, em Porto Alegre, no dia 28 de novembro de 1975.
Vendeu tantos livros que até hoje não há uma estatística oficial disponível publicamente. Não foi precoce na literatura. Começou a escrever coisas pequenas, com talento, ainda na adolescência. Mudou-se para Porto Alegre no final de 1930. Ele veio em busca de trabalho e chances no ambiente onde pudesse desenvolver suas habilidades e sua imaginação: ser escritor. Trabalhou na Revista do Globo, famosa durante muitas décadas no Rio Grande do Sul, onde chegou ao cargo de diretor. Em 1932, publicou o seu primeiro livro, uma coletânea de contos, chamada Os Fantoches.
A partir daí ninguém mais o segurou. No ano seguinte, foi lançado seu primeiro romance Clarissa, que inauguraria uma trajetória de sucesso editorial e que é até hoje indicado por professores para seus jovens alunos. Clarissa conta a estória de uma adolescente alegre e otimista, filha de fazendeiros, que veio para Porto Alegre e morou em uma pensão pequeno-burguesa onde conhece a realidade da vida e do mundo e vive ilusões e desilusões.
A personagem apareceria, ainda, em mais três romances: Caminhos Cruzados, Música ao Longe e Um Lugar ao Sol, escritos a partir de 1936. Música ao longe ganhou o Prêmio Machado de Assis, o maior da literatura nacional. Nesta mesma época criou o programa infantil “Os Três Porquinhos”, na Rádio Farroupilha. Durou pouco. O programa sofreu ameaças de censura do Estado Novo (1937-1945), regime ditatorial de Getúlio Vargas.
Em 1938, Erico lançou o livro que o jogou definitivamene no mundo da literatura, Olhai os Lírios do Campo, traduzido para vários idiomas. “Com este livro entrei definitivamente para o mundo da literatura”, disse anos depois em uma entrevista. Em 1941, ele escreveu Saga, considerado por ele próprio como o seu pior romance.
Em 1941, Erico Verissimo morou por três meses nos EUA para proferir conferências a convite do governo Franklin Roosevelt. Ele escreveu um livro sobre essa viagem, intitulado Gato Preto em Campo de Neve (1941). Na volta, a partir de um incidente que observou na Rua da Praia, lançou O Resto é Silêncio, sobre a queda de uma mulher do alto de um prédio.
Em 1943. Erico se mudou com a família para os Estados Unidos novamente, a convite do Departamento de Estado, desta vez para uma estada de dois anos, durante os quais ministrou aulas de Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia em Berkeley. Na volta escreveu, A Volta do Gato Preto (1947). Erico também aceitara o convite para trabalhar nos Estados Unidos porque estava descontente com o clima político no Brasil, que então vivia a euforia da ditadura Vargas.
Foi a partir 1947 que Erico começou a escrever sua grande obra, a trilogia O Tempo e o Vento. O objetivo era reunir 200 anos da história gaúcha (1745 a 1945) em um único volume 800 páginas. Ao final escreveu 2.200 páginas. Divididos em três volumes. O primeiro, O Continente, foi publicado em 1949 e marca o momento mais importante da carreira de Verissimo. De O Continente saíram alguns personagens primordiais e bastante populares entre seus leitores, como Ana Terra e o Capitão Rodrigo Cambará. Logo a seguir vieram O Retrato e o O Arquipélago, escritas durante 15 anos, entre 1947 e 1962.
Erico publicou diversos livros ao longo de sua carreira. Era rigoroso na ocupação do seu tempo, na busca de histórias e estórias novas. Outras obras mais conhecidas incluem: Música ao longe – livro que aborda a relação entre música e vida; e O Senhor Embaixador – um romance que aborda a política e as relações internacionais e que lhe rendeu o Prêmio Jabuti em 1965.
Além de seus romances, Erico escreveu também contos. Os mais conhecidos são Os Velhos e A Volta do Guri, e obras infanto juvenis como As aventuras de Tibicuera.
Nos anos 1970 começou a escrever sua autobiografia Solo de Clarineta. O primeiro volume de suas memórias foi publicado em 1973. Já o segundo volume não chegou a ser finalizado, tampouco o novo romance que se chamaria A hora do Sétimo Anjo. Não teve tempo, morreu em 28 de novembro de 1975, em Porto Alegre, vítima de infarto. A segunda parte da sua autobiografia foi lançada em edição póstuma, em 1976, organizada pelo professor de literatura Flávio Loureiro Chaves.
