POLARIZAÇÃO

Após massacre, aprovação e reprovação do governo Castro, no Rio, chegam a seus maiores patamares

Para pesquisadores, cotidiano de medo e cultura violenta favorecem visão positiva da ação na Penha e no Alemão

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Governador Cláudio Castro liderou a operação policial mais letal da história | Crédito: PABLO Porciuncula/AFP

O Instituto Datafolha divulgou pesquisa de opinião pública neste sábado (1º), que aponta uma polarização na avaliação do governo do Rio de Janeiro, sob liderança do governador Cláudio Castro (PL). Tanto a avaliação positiva quanto a negativa cresceram.

Entre os moradores do Rio de Janeiro e da região metropolitana da capital, 40% dos entrevistados consideraram a gestão ótima ou boa. Enquanto outros 34% avaliaram o governo como ruim ou péssimo. Ambos os indicadores atingiram seus maiores patamares. Já 23% consideraram o governo regular, índice mais baixo no período do levantamento.

Já a gestão Castro na segurança pública é aprovada por 37% dos entrevistados, que a consideram ótima ou boa, e reprovada por outros 37%, que a consideram ruim ou péssima. O trabalho é regular para 25%.

A pesquisa ouviu 626 pessoas maiores de 16 anos, entre os dias 30 e 31 de outubro, depois da operação policial que resultou na morte de 121 pessoas, entre elas, quatro agentes de segurança. A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

A cientista política Mayra Goulart atribui o aumento da aprovação de Castro, mesmo com toda a repercussão negativa da operação policial da última semana, ao fato de que a população vive sob um cotidiano de medo. 

“O medo da violência e a própria violência geram reações emotivas, reações que demandam modificações concretas e imediatas. A percepção também de que o poder público não tem conseguido encontrar soluções a um problema que é gravíssimo e é constante há décadas, gera essa reação que legitima o uso da violência para combater o crime organizado”, considera a especialista.

Na mesma linha, o cientista político Paulo Niccoli considera que a “cultura da violência” é um dos fatores que explica a popularidade do atual governo fluminense.  

“A primeira questão é que nós temos encravada na sociedade brasileira toda uma cultura da violência, que é herdeira da escravidão, herdeira também de uma normalidade do uso da violência, mesmo no cotidiano, contra as mulheres, contra crianças, contra idosos, contra o cidadão convencional comum que anda pelas cidades e sofre violências”, avalia Niccoli.

Para o cientista político, o governador do Rio de Janeiro se aproveitou de um momento de “breve fragilidade” do governo Lula, em referência à fala do presidente brasileiro em viagem à Ásia, em que o mandatário brasileiro teria dito que “traficantes são vítimas de usuários”. Nesse sentido, não coincidente, na avaliação de Niccoli, o governador fluminense determinou a realização de uma operação com o uso máximo da força. 

“Lula vivia um bom momento e teve um pequeno deslize. E apercebendo-se disso, a extrema direita então resolveu, exatamente dois, três dias depois dessa fala mal colocada do Lula, partir para cima dos traficantes da forma mais brutal”, avalia Niccoli. “Isso revela aquilo que a Hannah Arendt chama de banalidade do mal. É terrível pensarmos como o próprio assassinato, a necropolítica, se transforma num instrumento de legitimação política”, completa.  

Para o cientista político, “já está clara a estratégia eleitoral da extrema direita: o discurso da violência, da truculência. É assim que eles pretendem adquirir votos”, aponta. 

Escalas e recortes

Quanto a escala é reduzida apenas à capital, a aprovação do governador cai a 30% e a reprovação fica em 39%. Já na região metropolitana, 51% dos entrevistados aprovam a gestão Castro, enquanto 28% reprovam.

No recorte de gênero, 49% dos apoiadores de Castro são homens e 32% mulheres. O maior percentual está entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022, chegando aos 67% conforme o levantamento. 

Segurança pública e chacina

Segundo a pesquisa Datafolha, 48% dos entrevistados consideraram a operação policial da última semana nos completos da Penha e do Alemão como “bem executada”, enquanto outros 21% apontaram falhas. Já o índice de pessoas que consideraram a ação “mal executada” foi de 24%. 

Ainda de acordo com o levantamento, 50% da população do Rio e região metropolitana afirmaram que a maioria dos mortos eram criminosos, e 31% disseram que todos eram. Por outro lado, 77% dos entrevistados consideram que investigar crimes e prender criminosos é mais importante do que matar.

Editado por: Rodrigo Gomes

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