Ataques a Caracas

Rússia diz que Venezuela não solicitou ajuda militar e repudia argumento de ‘guerra às drogas’ dos EUA

Kremlin reforça a 'inaceitabilidade' do pretexto dos EUA de 'combate ao narcotráfico' para ameaçar Caracas

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O presidente russo Vladimir Putin se reúne com o presidente venezuelano Nicolás Maduro no Kremlin, em Moscou, em 7 de maio de 2025.
O presidente russo Vladimir Putin se reúne com o presidente venezuelano Nicolás Maduro no Kremlin, em Moscou, em 7 de maio de 2025 | Crédito: Alexander Zemlianichenko/Pool/AFP

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou nesta terça-feira (11) que Moscou não recebeu nenhum pedido de Caracas por assistência militar em relação às ações dos EUA em águas territoriais venezuelanas.

“Não, não recebemos nenhum pedido desse tipo”, disse o chanceler, durante uma entrevista coletiva à mídia russa, ao ser questionado se Caracas havia feito pedidos semelhantes a Belarus, vizinha e aliada de Moscou no contexto da guerra da Ucrânia.

“Acredito que seja inadequado comparar nossas relações com a Belarus, que faz parte do Estado da União, com a qual temos posições sincronizadas, coordenadas e unificadas em todas as principais questões de segurança internacional, e nossas relações com a Venezuela, que é um país amigo e um parceiro estratégico e abrangente, como recentemente assinamos em um acordo nesse sentido”, acrescentou.

Anteriormente, o uma publicação do The Washington Post, citando documentos internos do governo dos EUA, relatou que o presidente venezuelano Nicolás Maduro teria solicitado assistência militar da Rússia, China e Irã. Segundo a publicação, o líder venezuelano teria entrado em contato com Vladimir Putin solicitando mísseis, radares e aeronaves modernizadas.

O chanceler russo negou o suposto pedido venezuelano, mas, ao mesmo tempo, frisou que a Rússia pretende guiar suas relações com a Venezuela pelas obrigações estabelecidas no acordo de parceria estratégica assinado em 7 de maio deste ano. Segundo o ministro, o acordo deverá entrar em vigor nos próximos dias.

O acordo, assinado pelas partes com duração de dez anos, prevê maior interação e cooperação entre os países nas esferas política e econômica, incluindo energia e extração mineral, transporte e comunicações. Prevê também cooperação em segurança e no combate ao terrorismo e ao extremismo.

O documento observa, entre outras coisas, que Moscou e Caracas se opõem a sanções unilaterais que violem a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e outras normas e princípios universalmente reconhecidos do direito internacional.

O presidente Vladimir Putin ratificou o acordo de parceria estratégica com a Venezuela no último dia 27 de outubro. De acordo com o procedimento, a entrada em vigor está prevista para a data de recebimento da última notificação por escrito das partes sobre a conclusão de seus procedimentos internos.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia também reforçou “a inaceitabilidade” do pretexto de “combate ao narcotráfico” adotado pelos EUA para ameaçar a Venezuela.

“Não posso concluir meu comentário sobre a Venezuela sem mencionar nossa posição sobre a inaceitabilidade das ações que os Estados Unidos estão tomando sob o pretexto de combater o narcotráfico”, disse Lavrov.

Anteriormente, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que o país mantém contato com a liderança da Venezuela em meio às crescentes tensões no Caribe e está pronta para atender às solicitações de Caracas.

Já o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou que as ações dos EUA em relação à Venezuela devem estar em conformidade com o direito internacional e defendeu a soberania do país sul-americano.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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