Tensão

Delegação japonesa vai a Pequim tentar conter crise após fala de primeira-ministra sobre Taiwan

China formaliza protesto contra declarações da primeira-ministra japonesa sobre Taiwan e realiza exercícios militares

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Presidente dos EUA, Donald Trump junto à primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em ato com soldados da Marinha dos EUA a bordo do porta-aviões USS George Washington, na base naval estadunidense de Yokosuka- em 28 de outubro de 2025. | Crédito: Andrew Caballero-Reynolds | AFP

Uma delegação do governo japonês se reuniu nesta terça-feira (18) em Pequim (China) com autoridades chinesas em uma tentativa de conter a crise diplomática causada pelos recentes comentários relacionados a Taiwan feitos pela nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.

O diretor-geral do Departamento de Assuntos Asiáticos do Ministério das Relações Exteriores da China, Liu Jinsong, recebeu Masaki Kanai, diretor-geral do Departamento de Assuntos da Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores do Japão, segundo a CCTV. A China apresentou formalmente um protesto contra a postura japonesa, reforçando que a questão de Taiwan é uma de suas preocupações de interesse central.

A recém-empossada primeira-ministra Takaichi disse em 7 de novembro no parlamento japonês (chamado Dieta), que um potencial uso de força pela China continental na Ilha Taiwan poderia constituir uma “crise que ameaça a sobrevivência” do Japão. Essa classificação permitiria que as Forças de Autodefesa do país exercessem o direito de autodefesa coletiva.

A declaração gerou controvérsia interna no Japão e um protesto do governo chinês. Apesar dos apelos de alguns legisladores japoneses por uma retratação, Takaichi insistiu no dia 10 de novembro que sua posição era consistente com a política estabelecida do Japão, conforme cobertura do Gabinete do primeiro-ministro japonês.

Crise de 2012 e a vínculo com Shinzo Abe

A última vez que as relações sino-japonesas atingiram um nível semelhante de tensão foi em 2012, quando o Japão anunciou a “nacionalização” das Ilhas Diaoyu (Senkaku, para o Japão). O comunicado oficial chinês à época descreveu o ato como uma “grave violação da soberania territorial da China” e um “desafio sério à ordem internacional pós-guerra”.

Sanae Takaichi é considerada uma discípula do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, que em 2012 estava em seu segundo mandato. No ano seguinte, retomou a prática de visitas dos chefes de governo do Japão ao Santuário Yasukuni para homenagear heróis japoneses. As visitas geraram problemas diplomáticos principalmente com a Coreia e China, porque no lugar estão os restos mortais de 14 criminosos de guerra do Japão, o que se soma a outras demandas desses países como a de que o Japão peça oficialmente perdão e faça ressarcimento por seus crimes de guerra.

Pequim pede retratação

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, disse em coletiva nesta terça-feira, que os comentários de Takaichi “violam gravemente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais”. Além disso, o teor das declarações comprometem a ordem internacional do pós-guerra e infringem o princípio de Uma Só China, que sustenta os quatro documentos políticos entre os dois países assinados em diferentes momentos nas últimas décadas, pelos quais o Japão reconhece a soberania da China sobre Taiwan.

O princípio de Uma só China estabelece que há apenas uma China no mundo e que Taiwan é parte do território chinês, posição reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1971.

Mao Ning instou o Japão a corrigir sua declaração e a “deixar de criar tensões” em questões envolvendo a China, afirmando que os comentários “desencadearam indignação entre o público chinês”..

Em meio às tensões, a Guarda Costeira Chinesa (GCC) realizou uma patrulha nas águas territoriais das Ilhas Diaoyu no domingo (16). Conforme noticiado pela Administração de Segurança Marítima da China, o Exército de Libertação Popular (ELP) também está realizando exercícios com munição real em partes do Mar Amarelo entre 17 e 19 de novembro.

EUA vendem armas a Taiwan

Em meio às tensões, o Ministério da Defesa Nacional da China também expressou firme oposição à recente aprovação estadunidense de US$ 330 milhões (R$ 1,7 bilhão) em armamento para Taiwan.

O porta-voz do Ministério da Defesa, Zhang Xiaogang, afirmou, segundo a CCTV, que a venda “viola seriamente o princípio de Uma Só China e os três Comunicados Conjuntos China-EUA”. Zhang advertiu às autoridades do Partido Democrático Progressista de Taiwan que depender do apoio estadunidense para a “busca pela independência” ou “resistência à reunificação pela força” está fadado ao fracasso, e afirmou que a China tomará as medidas necessárias para proteger sua soberania e integridade territorial.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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