Em coletiva de imprensa na noite desta quarta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou uma coletiva de imprensa na Zona Azul, dentro da programação da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). Em tom otimista com relação aos resultados preliminares da conferência, Lula endereçou a conta aos responsáveis pela crise climática.
“As empresas petroleiras têm que pagar uma parte disso, as mineradoras têm que pagar uma parte disso. As pessoas que ganham muito dinheiro precisam pagar uma parte disso”, disse, com relação ao financiamento para que países em desenvolvimento realizem a transição energética, reduzindo gradativamente a dependência dos combustíveis fósseis, cujo uso emite gases do efeito estufa.
“Nós precisamos convencer as pessoas de que os bancos multilaterais, que cobram uma fortuna dos países pobres africanos e da américa latina precisam transformar parte dessa dívida em investimento para que a gente possa fazer com que a questão da transição energética seja verdadeira”, ressaltou o presidente.
Antes mesmo de a COP30 começar, Lula alertou para o risco de os países não alcançarem a meta estabelecida em 2015, no âmbito do Acordo de Paris, de manter o aquecimento global em até 2ºC, preferivelmente, até 1,5ºC.
Agora, a dois dias do fim da COP30, o presidente mantém a postura realista diante da inegável crise climática, e manda um recado para os negacionistas. “A questão do clima não é mais apenas uma visão acadêmica, não é mais uma visão de meia dúzia de intelectuais, não é mais uma coisa de meia dúzia de ambientalistas”, disse, na coletiva de imprensa. “A questão do clima hoje é uma coisa muito séria que coloca em risco a humanidade. Por isso, todos os dirigentes do mundo têm que saber que cuidar do clima é cuidar da manutenção e da existência do planeta terra.”
Os resultados das negociações da COP30 serão apresentados na sexta-feira (21). Espera-se que, ao final da conferência, os países tenham elaborado um plano de ação com as metas para o fim da dependência dos combustíveis fósseis, o chamado roadmap, ou mapa do caminho. “Queremos ver esse otimismo todo no texto final”, avaliou a diretora executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, sobre o discurso de Lula. “Queremos mapas do caminho que sejam efetivamente planos de ação, tanto para superar os fósseis quanto para zerar o desmatamento”, declarou.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a necessidade da construção de um mapa do caminho que considere as diferenças entre os países. “Que respeite as linguagens de países em desenvolvimento e que aumente as demandas de países que historicamente emitem mais, que tem mais tecnologia e mais recursos financeiros”, declarou.
A coletiva teve ainda a presença da primeira-dama, Janja, do presidente da COP30, André Côrrea do Lago, e de Ana Toni, diretora-executiva da COP30.
Países da América Latina se unem para cobrar por financiamento
Ainda nesta quarta-feira, ministros de países da América Latina realizaram uma coletiva de imprensa na sala de mídia, espaço de trabalho dos jornalistas dentro da Zona Azul da COP30, para reforçar a mensagem: os países desenvolvidos precisam se comprometer com o financiamento para que o Sul Global faça a adaptação climática.
“Estamos aqui dizendo muito claramente que queremos que esta COP termine com a adoção de um conjunto de indicadores que nos permitam avaliar nosso progresso na adaptação”, afirmou Maisa Rojas, ministra do Meio Ambiente do Chile, sobre o financiamento para a adaptação dos países em desenvolvimento, para que possam lidar com os impactos da crise climática.
Os líderes presentes na coletiva de imprensa foram enfáticos em ressaltar que os países desenvolvidos devem disponibilizar recursos para que as nações em desenvolvimento realizem seus projetos de adaptação.
“Seria muito importante termos indicadores e, obviamente, um compromisso renovado para aumentar o financiamento da adaptação, que sempre foi uma área muito subfinanciada”, afirmou Rojas.
A coletiva teve ainda a presença de representantes do Uruguai, México, Guatemala, Peru e Costa Rica.
