O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou convite do presidente chinês Xi Jinping para visitar Pequim em abril de 2026, segundo anúncio feito pelo mandatário estadunidense na noite desta segunda-feira (24), em suas redes sociais. A confirmação foi feita durante conversa telefônica, em que Trump também reconheceu a importância da questão de Taiwan para a China, em meio à recente escalada de tensões sobre a ilha com o Japão.
Segundo comunicado oficial do governo chinês, Xi Jinping apresentou a posição de princípio da China sobre Taiwan, enfatizando que “o retorno de Taiwan à China é parte integral da ordem internacional do pós-guerra”. O mandatário chinês destacou que China e Estados Unidos “lutaram ombro a ombro contra o fascismo e o militarismo” durante a Segunda Guerra Mundial.
A porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Mao Ning, disse nesta terça-feira, que a ligação foi feita a pedido dos Estados Unidos, e que “o ambiente foi positivo, amigável e construtivo”. A comunicação entre os dois chefes de Estado “é muito importante para o desenvolvimento estável das relações China-EUA”, concluiu Mao.
Em resposta, Trump afirmou que “os Estados Unidos entendem quão importante a questão de Taiwan é para a China”, conforme registrado no comunicado chinês. O presidente estadunidense também elogiou Xi como “um grande líder” e declarou ter gostado muito do encontro realizado em Busan, na República da Coreia, no mês passado.
Trump também disse que convidou Xi Jinping para uma visita de Estado aos Estados Unidos ainda em 2026, embora nem o presidente estadunidense nem o governo chinês tenham confirmado a aceitação do convite.
Após a conversa com Xi Jinping, Trump telefonou para a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi no dia 25, informando-a sobre o conteúdo da ligação com o líder chinês. Segundo Takaichi, que falou com jornalistas após a conversa de aproximadamente 25 minutos, os dois líderes “confirmaram a estreita cooperação entre Japão e Estados Unidos” e trocaram opiniões sobre o fortalecimento da aliança bilateral e os desafios da região do Indo-Pacífico. A ligação foi feita por iniciativa de Trump.
Xi Jinping avaliou que o encontro em Busan permitiu “recalibrar o curso do grande navio das relações China-EUA e fornecer mais impulso para que navegue adiante de forma estável”. O presidente chinês defendeu que os dois países devem “manter o ímpeto, continuar avançando na direção correta com base na igualdade, respeito e benefício mútuo”.
Os dois líderes concordaram sobre a importância de comunicações frequentes entre ambos. “Concordamos que é importante nos comunicarmos frequentemente, o que espero fazer”, disse Trump.
Trump volta a celebrar acordo sobre agronegócio
A agenda bilateral discutida no telefonema incluiu cooperação sobre a crise na Ucrânia, combate ao fentanil e comércio de produtos agrícolas. Trump disse que houve um acordo “bom e muito importante” para agricultores estadunidenses.
Após o encontro de Busan em 30 de outubro, a Associação Estadunidense de Soja (ASA, na sigla em inglês) celebrou os acordos comerciais como resultado da cúpula Xi-Trump. Segundo a associação, o acordo incluiria compromissos mínimos de compra de 12 milhões de toneladas métricas de soja dos EUA para o restante da temporada de exportação de soja (que vai até janeiro), e um mínimo de 25 milhões de toneladas por ano até 2028.
As informações foram divulgadas pelo Secretário do Tesouro Scott Bessent. O lado chinês se limitou a afirmar que os dois países concordaram em “expandir o comércio agrícola”. A ASA destacou que historicamente a China comprou entre 25 e 30 milhões de toneladas métricas de soja estadunidense nos últimos anos, e considerou os compromissos anunciados como “uma base sólida para o retorno a esses volumes tradicionais”.
O presidente chinês caracterizou a trajetória recente das relações bilaterais como positiva, destacando que “o que aconteceu demonstra mais uma vez que a descrição de que a cooperação China-EUA beneficia ambos os lados e o confronto prejudica ambos os lados, e reflete um senso comum que foi repetidamente comprovado pela experiência”.
Trump classificou a relação com a China como “extremamente forte” e afirmou que a conversa telefônica foi “muito boa”. O presidente estadunidense destacou que os dois lados estão “implementando todos os elementos do que concordamos em Busan”, permitindo agora “focar no quadro geral”.
