FÉ NA LUTA

Avança preparação da 48ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul

Celebração está prevista para o feriado de Carnaval, em fevereiro de 2026, no santuário do Caaró, em Caibaté

No audio source provided.
Encontro serviu para encaminhar questões práticas da liturgia, infraestrutura e programação
Encontro serviu para encaminhar questões práticas da liturgia, infraestrutura e programação | Crédito: Corbari

Na última terça-feira (25) foi realizada a 4ª reunião ampliada em preparação à 48ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul. A celebração está prevista para o dia 17 de fevereiro de 2026, feriado de Carnaval, no santuário do Caaró, em Caibaté (RS). Definições a respeito da programação do dia, liturgia, animação, consolidação de parcerias e preparação da infraestrutura de acolhida aos romeiros e romeiras pautaram a reunião. Estiveram presentes cerca de 30 lideranças vinculadas a Diocese de Santo Ângelo, Comissão Pastoral da Terra, Cáritas, Comunidades Eclesiais de Base e movimentos sociais e populares que tradicionalmente fazem parte do evento.

Lisiane Quevedo, representante da Cáritas da diocese e do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) relembra que a celebração da romaria em território missioneiro evoca muitas reflexões. Parte da pauta dos povos indígenas, da valorização da agricultura familiar e camponesa, do cuidado com as sementes crioulas e com a produção de alimentos, passando pelo tema da preservação do meio ambiente, do enfrentamento aos fatores que causam as mudanças climáticas e até mesmo o momento turbulento pelo qual passa o país e o necessário enfrentamento à cultura do ódio que tem se propagado.

“Temos um grande significado nessa nossa caminhada como povo de Deus que iniciou neste território 400 anos atrás, e que deve continuar reafirmando a ideia de uma ecologia integral e de uma terra sem males aonde as futuras gerações tenham um lugar bom para viver”, afirmou Quevedo.

O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no RS, Luíz Pasinato, aponta que a romaria está sendo programada com muita atenção e carinho. O objetivo, segundo ele, é proporcionar que todos que estejam dispostos a participar sejam bem acolhidos e encontrem as condições ideiais para expressar a espiritualidade e as pautas de luta.

“Preservar para as futuras gerações”

A memória dos 400 anos de relação entre os povos guarani e os missionários jesuítas se projeta como um ponto central para a CPT, espelhando pautas atuais. “Se temos a memória expressa nas ruínas, aqui próximas, temos por outro lado a presença concreta dos povos indígenas que permanecem conosco e que merecem viver com dignidade e respeito em seus territórios”, destacou.

“Nós somos passageiros. Logo deixaremos este chão, por isso precisamos preservar para as futuras gerações, por isso essa lembrança da ecologia integral e da terra em males que nos desafiam a deixar um lugar melhor para as futuras gerações”, completou.

Inês Crestani, também integrante da CPT no município de Santiago, afirma que o chão missioneiro está de portas e braços abertos para acolher os romeiros e romeiras, prometendo que se fará valer a tradição da boa acolhida, bem como abraçar a causa da luta pelo povo, pela igualdade nos territórios e pela preservação do meio ambiente. “Os romeiro e romeiras que se colocam em caminhada trazem consigo a luta pela terra, por direitos, pela humanidade, pela igualdade dos povos”, completa Crestani.

Dom Liro Meurer, bispo da Diocese de Santo Angelo, lembrou do saudoso Papa Francisco e citou os debates recentemente realizados na COP30. “Tudo está interligado, uma coisa mexe com a outra, mas no centro de tudo está a criação, precisamos cuidar desta nossa Casa Comum”, afirmou o bispo anfitrião da 48ª Romaria da Terra. “Quando a criação é respeitada, todos somos respeitados, todos encontramos o equilíbrio para o bem e para a paz”, acrescentou.

Acerca da preparação da romaria – Dom Liro participa ativamente de todas as reuniões ampliadas – ele está confiante de que tudo correrá bem. Frisa que no ano de 2026 a celebração dos 400 anos da chegada dos jesuítas acrescenta novos elementos para a reflexão dos romeiros e romeiras. “Este é um lugar que tem muito significado para a igreja e para os povos”, explicou, acrescentando ainda que há uma motivação especial “no sentido de olhar para trás e ver o que os jesuítas e os povos guarani realizaram, e estender o olhar ao futuro, para os desafios colocados a frente e que precisam ser enfrentados”.

Expectativa de até 10 mil romeiros

As primeiras caravanas confirmadas já têm feito contatos com a CPT ou com a gestão do santuário em busca de mais informações. São esperados de 8 a 10 mil romeiros e romeiras neste retorno da Romaria da Terra ao território missioneiro. A proximidade com pontos históricos importantes na história do RS – como o sítio arqueológico de São Miguel das Missões e o próprio santuário do Caaró, em Caibaté – tem fortalecido o interesse de novos grupos em participar da romaria.

Cartaz com a identidade simbólica da Romaria da Terra foi apresentado durante a reunião ampliada / Corbari

Outro ponto marcante da 4ª reunião da comissão ampliada da Romaria da Terra foi a apresentação do cartaz, que traz arte assinada pela dupla de artistas Marcel Ibaldo e Marcelli Ibaldo, da cidade de Alpestre (RS). Esta é a terceira vez que os dois – que são pai e filha – são chamados a ilustrar a identidade visual da atividade no RS. O envio do material de divulgação já está sendo providenciado pela Diocese anfitriã e pela CPT/RS.

Editado por: Marcelo Ferreira

|

Newsletter