crise financeira

Fraude bilionária entre BRB e Banco Master motiva pedidos de CPI no Congresso Nacional

Requerimentos apontam esquema de R$ 12,2 bi, risco ao patrimônio público e conexões políticas

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Imagem do Banco Master
Banco Master | Crédito: Divulgação/Banco Master

O ex-governador do Distrito Federal, agora deputado federal, Rodrigo Rollemberg (PSB) enviou um requerimento de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Câmara dos Deputados, para que a casa possa investigar supostas fraudes financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O texto pede a investigação de 27 titulares e suplentes das instituições em um prazo de até 120 dias.

O pedido precisa de 171 assinaturas para ser instaurado. Mas, até o momento, conta com 92 deputados. Além do autor, outros três deputados do Distrito Federal foram favoráveis a instalação da CPI: Alberto Fraga (PL), Bia Kicis (PL) e Érika Kokay (PT).

No pedido, Rollemberg argumenta que, possivelmente, esta seja uma das maiores fraudes financeiras da história do Brasil. “Um dos maiores e mais sofisticados esquemas de fraude financeira da história recente do país”, destaca o texto enviado ao parlamento.

Desde abril deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) passaram a investigar a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, alarmados por indícios de irregularidades no processo de compra das ações da instituição privada pelo banco público.

Esse movimento provocou a abertura de inquéritos civis e levantou suspeitas sobre governança, transparência e possíveis prejuízos ao patrimônio público.

A situação se agravou com a deflagração da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025. A operação mirou na emissão de títulos de crédito falsos por instituições ligadas ao sistema financeiro, com o Banco Master como alvo principal.

Na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o requerimento para abertura CPI não avançou. A iniciativa dos deputados distritais do Psol Max Maciel e Fábio Felix precisa de oito assinaturas.

Patrimônio público em risco

Na justificativa, o pedido de CPI afirma que as investigações identificaram um dos maiores esquemas de fraude financeira da história, baseado na fabricação de fundos inexistentes, contratos falsificados e manipulação contábil. Esse conjunto de operações produziu um rombo superior a R$ 12,2 bilhões.

Outro ponto enfatizado no requerimento é o risco direto ao patrimônio público, já que o BRB, que é uma instituição financeira estatal, teria sido “instrumentalizado para absorver passivos e contratos fraudulentos do Banco Master”.

O deputado lembra que a tentativa de compra do Master tramitou em regime de urgência na Câmara Legislativa do DF, sem debate técnico aprofundado, o que levanta suspeitas de “uma articulação política e econômica para transferir o prejuízo de uma fraude privada para o caixa de um banco público”. Esse trecho reforça que a CPI busca esclarecer como o sistema de governança do BRB permitiu tais operações.

O documento também aponta que o impacto da fraude extrapola o setor bancário e afeta diretamente milhares de servidores públicos. O relator afirma que há indícios de que ativos fraudulentos do Master chegaram a institutos de previdência estaduais e municipais, incluindo o fundo de previdência do Rio de Janeiro

O texto sustenta que “o Congresso Nacional não pode se furtar à sua responsabilidade de fiscalização”, defendendo que a CPI é essencial para apurar responsabilidades políticas, examinar a atuação de órgãos reguladores e propor reformas que impeçam novas fraudes dessa magnitude.

CPI no Senado

Além da movimentação na Câmara, há uma articulação para emplacar uma CPI também no Senado protocolado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE).

Para justificar a instauração da Comissão, o deputado levantou as relações do presidente do Master com outros empresários, reforçando que os envolvidos comandavam o núcleo de um esquema financeiro altamente sofisticado baseado na criação de carteiras de crédito fictícias, emissão de títulos sem lastro e circulação de ativos simulados.

No documento, o parlamentar alega que o escândalo pode configurar “uma das maiores pirâmides financeiras já identificadas no país, com dano sistêmico ao mercado e potencial prejuízo ao patrimônio público”.

Até o momento, 34 senadores assinaram o requerimento, a maioria de partidos de direita. O mínimo necessário é de 27 assinaturas. O pedido ainda aguarda o aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a Comissão seja instaurada e comece os trabalhos.

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Editado por: Clivia Mesquita

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